Dá um Gosto ao ADN

Educação


St. Peter’s School: Exemplo de excelência e de optimismo para o futuro


O colégio St. Peter’s School recebeu, na última semana, o prémio Excelência, ao nível da área do negócio pela sua “sustentabilidade e rentabilidade financeira”. O galardão atribuído pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) foi recebido com grande satisfação por Isabel Simão, directora pedagógica do colégio, para quem a chave para enfrentar a crise é só uma: “trabalhar para a excelência”.

Implantado na Quinta dos Barreleiros, na Volta da Pedra há 12 anos, o colégio estimula, diariamente, o empreendorismo entre os seus alunos através de um currículo de aprendizagens informais na prossecução de projectos nacionais e internacionais com organismos, universidades e instituições governamentais e empresariais.
Actualmente com 1012 alunos e 206 funcionários entre pessoal docente e não docente, o colégio é um espaço moderno e adequado às necessidades da comunidade escolar, onde a excelência e a qualidade são a nota dominante.
Este modelo de ensino privado, cuja filosofia interna consiste em manter o elevado nível de rigor dos seus projectos educativos, permite ao colégio ocupar, pelo terceiro ano consecutivo, o 1º lugar no ranking geral de escolas do Ensino Secundário a Sul do Rio Tejo. Esta listagem resulta de um estudo levado a cabo pelo centro de estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, disponível para consulta no site da Sic e publicada no caderno destacável – Ranking das escolas Expresso/SIC, no passado dia 16 de Outubro, que considerou as escolas com 100 ou mais exames realizados.
“O nosso posicionamento nos rankings só demonstra de uma forma mais evidente que o nosso trabalho se pauta por: rigor, exigência e muito trabalho”, elucidou Isabel Simão.
           
A língua inglesa enquanto ferramenta importante para o futuro profissional


Por conseguinte, o maior Investimento pedagógico para o futuro consiste em continuar a trabalhar tendo em vista um patamar de qualidade que até ao momento tem norteado esta instituição educativa e que permite colocar os seus discentes nas melhores universidades nacionais e estrangeiras, em número cada vez mais crescente.
“A língua inglesa transversal a todas as valências de ensino (desde o Jardim-de-Infância ao Ensino Secundário) através do seu currículo bilingue, dota os seus alunos de um nível de proficiência para o ensino universitário no estrangeiro para além de constituir uma ferramenta de grande importância para a sua carreira universitária e profissional no país e no estrangeiro”, aponta a directora pedagógica que, na última quinta-feira, marcou presença na Festa de Natal do colégio que decorreu na Casa da Cultura do Barreiro.
No currículo do colégio, as línguas espanhola e alemã assumem, de igual forma, um papel preponderante na formação escolar por “facultarem o raciocínio lógico e favorecerem qualquer estudante tanto na vida académica superior como pelas solicitações de mercado que hoje se verificam”. O colégio é reconhecido como um centro de exames de Cervantes que possibilita aos alunos fazer a certificação da língua espanhola.

A excelência dos alunos é a excelência da escola

Outro aspecto importante ainda por apontar consiste na aposta no desporto escolar que, desde sempre, representa um papel determinante na socialização de crianças e jovens.
No último ano, o colégio St. Peter’s School investiu na implementação de um campo de rugby e de futebol, bem como na melhoria do campo de ténis, infra-estruturas essas, actualmente orientadas pelo seleccionador nacional de ténis Pedro Felner. “Este programa de actividades desportivas está orientado em função das características dominantes do desenvolvimento motor, psicológico, intelectual e social do aluno, bem como dos seus interesses e motivações que contribuirão para a sociabilização, a formação da personalidade e a continuidade futura da sua vida de praticante desportivo”, informa o site do colégio.
Por último, sobre a gestão praticada nas escolas privadas, em detrimento do daquela que é praticada no ensino público, Isabel Simão considera que, pedagogicamente, “a gestão privada é muito guiada através do funcionamento de órgãos intermédios e de um órgão superior de gestão presente e actuante que trabalha não para a manutenção do sistema mas para o sucesso dos seus alunos”.
Por outro lado, em termos financeiros, Isabel Simão diferencia os dois organismos na medida em que, no ensino privado “só se gere aquilo que se cobra, o que requer uma gestão muito cautelosa e aturada” por parte da gestão conjunta do colégio, presentemente composta por um administrador, um director financeiro e administrativo e um director pedagógico.
           


Ana Cristina Rodrigues
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BE quer cobrar taxa por caixas multibanco na via pública

Assembleia Municipal reprovou “receita extraordinária




A Assembleia Municipal de Palmela, reprovou uma recomendação do Bloco de Esquerda para se estudasse a criação de uma taxa de ocupação da via pública pelas caixas multibanco, à semelhança do que acontece com o município de Vouzela e do Entroncamento.  
A proposta foi apresentada pela deputada Ana Sartóris na última Assembleia Municipal. A intenção do Bloco de Esquerda é aumentar as receitas municipais num ano que se antevê muito difícil, recorrendo a um sector que tem sido poupado à crise e a uma taxa que está prevista nos regulamentos municipais de todas as autarquias.
 Tendo em consideração os lucros de 1.652 milhões de euros auferidos pelo sector bancário no ano de 2009, esta é, para a deputada que elaborou a proposta, uma medida justa. “A cobrança de taxas de ocupação da via pública às entidades bancárias que possuam caixas multibanco na mesma, em igualdade de circunstâncias com todas as outras actividades, que pagam pelas esplanadas, anúncios luminosos, toldos e máquinas, por exemplo”.
A medida, no entanto, não agradou a quase nenhum partido com assento parlamentar. Só o PS se absteve enquanto a maioria CDU, PSD e CDS-PP disseram claramente “não” à proposta do BE. E porquê? Não por se oporem ao princípio implícito na mesma, mas porque receiam que caso a taxa venha a ser efectivamente criada os bancos acabem por imputar esse custo aos seus clientes ou deixem de instalar caixas multibanco fora das suas agências, o que inclui, por exemplo, locais onde são absolutamente necessárias. A medida, de acordo com o líder da bancada social-democrata, José Cardoso, poderia “fazer desaparecer as caixas das localidades mais pequenas e dos sítios onde as populações as pedem”. O mesmo disse João Completo, PS. “Não é por aqui que os municípios vão conseguir receitas que necessitam”. Depois, completou o socialista, “os bancos não ficam a perder e essa taxa vai recair sobre o utilizador”.
Domingos Rodrigues, da CDU, foi mais longe: “Não podemos de estar de acordo com isto. Temos de ver a legislação nacional. Creio que o executivo tem em desenvolvimento um estudo para analisar estas e outras taxas que podem ser aplicadas. E é importante conhecermos este estudo para podermos avaliar e tomar uma medida concreta”.

A Associação Nacional de Municípios Portugueses já se pronunciou

Contudo, a medida é legal e a lei é clara. E o próprio líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Fernando Ruas, já admitiu que a cobrança de taxas de ocupação da via pública dos multibancos pode ser uma forma de as câmaras arrecadarem dinheiro em tempo de crise. Depois do município do Entroncamento e Vouzela terem apostado nisso, também Salvaterra de Magos e Macedo de Cavaleiros vão estudar essa possibilidade.
Para a líder do BE Palmela, “não faz sentido isentar a banca da utilização do espaço público para um negócio que lhes rende milhões de euros, ao mesmo tempo que se cobra pela ocupação da via pública a colocação de toldos e esplanadas, a publicação de produtos ou serviços ou até mesmo pelas bombas abastecedoras de carburante, de ar e água”.
Ana Sartóris frisou que não “viu na proposta qualquer menção de que as caixas de multibanco não são úteis aos cidadãos. Pelo contrário. Como também são muito úteis as explanadas e as feiras que ocorrem na via pública e pagam taxas municipais”. O que está proposto da recomendação é que “o executivo estude essa possibilidade”. E estranha a deputada do Bloco que “os deputados municipais de Palmela considerem que a banca deve continuar isenta de uma taxa municipal que todas as outras estruturas comerciais pagam. Isso é justo?”, questionou.

À pergunta de Ana Sartóris ninguém respondeu. Os votos falam por si. CDU, PSD e CDS-PP, disseram “não” à recomendação. O PS, absteve-se.

Paulo Jorge Oliveira

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Conto de Natal


Menina Natal


Naqueles dias gelados de Dezembro, Célia gostava de passear pela cidade iluminada. Ver as estrelas de luz suspensas no ar. E nas árvores. Todas as cores do mundo a enfeitar as ruas que sempre lhe pareceram cinzentas. Olhar as montras das lojas. Tão bonitas. Os sorrisos colados à cara de toda a aquela gente  apressada. Sentir o cheiro das castanhas assadas. Ouvir música que parecia não ter fim.
Célia não percebia porquê mas ficava feliz. E facilmente se esquecia daquela mão grande e firme que não a largava nunca e o arrastava com força para todo o lado. Quando estava em casa pedia sempre para sair. Às vezes, fazia de conta que estava sozinha no meio da multidão. Divertia-a ver aquelas senhoras tão atrapalhadas a embrulhar tantos presentes. Mesmo que não fossem para ela. E os senhores parecidos com o avô a atender muita gente ao mesmo tempo. Sempre muito depressa.
Naqueles dias gelados só não gostava de ver o Pai Natal  em todas as esquinas das ruas enfeitadas. Dentro das lojas para pegar os meninos ao colo. Alguns chegavam a chorar. Não tinha graça nenhuma. Célia nunca acreditou naqueles homens gordos de barba branca e todos vestidos de encarnado. Pareciam-lhe um bocado estúpidos e por isso não tinha medo. Uma vez conheceu um menino que se chamava Mário e que lhe deu um rebuçado e que também não acreditava no Pai Natal. Gostaram um do outro. Depois nunca mais se encontraram porque tiveram de se ir embora. Mesmo não querendo. Mas  não faz mal. Ficaram amigos.
Num daqueles dias gelados, distraída com as luzes da cidade, Célia deixou de sentir aquela  mão firme que a puxava com força para todo o lado. Agora era mesmo verdade. Assustada, levantou a mão direita mas ninguém a agarrou. Olhou em volta... nada. Com uma lágrima a querer mostrar-se no canto do olho - mas sem chorar - andou um pouco mais. Podia pedir ajuda. Mas não. Não estava perdida. Afinal já era crescida e sabia bem o caminho para casa. E ainda devia faltar muito para chegar toda a família para o jantar.
Como em todos os outros anos, Célia já tinha visto na cozinha o bacalhau numas panelas cheias de água. E saberia que haveria muitos doces. Sonhos, filhós, tronco e arroz doce de Natal.
Porque cheirava bem. Estava decidida. Ia ver as luzes só mais um bocadinho e depois então ia para casa. Não ia chorar. E assim podia ficar mais tempo a olhar para aquelas senhoras tão atrapalhadas a embrulhar tantos presentes. Porque era disso que mais gostava.
Sozinha, sentiu frio. Sem aquela mão firme a agarrar a sua, as ruas enfeitadas já não pareciam tão iluminadas. Não era a mesma coisa. Tudo ficava muito diferente. Chamaram-lhe a atenção um homem deitado, embrulhado num cobertor meio rasgado. Tinha um rádio na mão. Mas estava desligado. E tinha também um cão preto muito quieto. Parecia doente.
- Olá! Eu sou a Célia.
O homem não respondeu. Devia estar a dormir. Mesmo com o frio e com o barulho daquela música que parecia não ter fim. Ao lado do homem deitado no chão estava um menino loiro que a olhava fixamente. Sem parar. Mas não dizia nada. Estava descalço e até cheirava mal. Célia  sabia que havia meninos que não iam ter prendas. Que nunca comiam bacalhau, nem sonhos nem filhós. Que nunca se sentavam com toda a família à volta de uma mesa naqueles dias gelados de Dezembro. Devia ser aquele.
- Olá! Eu sou a Célia.
O menino fugiu assustado. Não queria brincar. Ou então era  muito envergonhado. Assim não podia ter mais um amigo como o Mário que não acreditava no Pai Natal. Naquela mesma artéria havia também uma senhora pequenina toda vestida de preto. Tinha uma mão estendida e pedia qualquer coisa  às pessoas que passavam apressadas. Ninguém parava. Ninguém falava. Ninguém sequer olhava para aquela senhora toda vestida de preto.
- Olá! Eu sou a Célia.
A velhinha mandou-a embora com um grito rouco e brusco e virou costas. Não parou. Nem olhou. Sentado num degrau de pedra estava um rapaz com barba castanha e um casaco azul já estragado. Tinha a cabeça encostada. Parecia não estar a fazer nada.
- Olá! Eu sou a Célia.
O rapaz do casaco azul estragado olhou para baixo e disse uma palavra. Também não queria falar com ela. Era uma estranha. Aquelas eram as únicas pessoas que estavam ali. Paradas. As únicas que não corriam apressadas e pareciam ter tempo para conversar.
Mais ao longe, viu ainda uma menina a chorar. Estava também muito suja. Tinha uns sapatos rotos. Ninguém lhe ligava nenhuma. Se calhar por estar assim suja e despenteada. Às vezes a menina deitava-se  mesmo ali. No chão. Mas logo voltava a levantar-se. Corria atrás de toda a aquela gente apressada. Aquela menina também não deveria receber prendas. E devia estar muito cansada. Célia, teve pena.  Sentiu-se só. Com frio.
Já sem acreditar na vila iluminada, Célia voltou a sentir aquela mão firme que antes a agarrava com força. Sem uma palavra de repreensão. Ou carinho. Se calhar, não tinha ficado sozinha. Nem perdida. Nem longe. Nem por muito tempo. A lágrima que segurava no canto do olho caiu. Agora, já não lhe apetecia passear pelas ruas iluminadas da vila que voltou a parecer-lhe cinzenta. Afinal, não era tão bonita. Chorou. Baixinho. Naquele dia gelado de Dezembro, tinha vontade de contar uma história. Era triste. Mas podia começar como começam todas as histórias.
Era uma vez o Natal...

Paulo Jorge Oliveira
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ARTESÃO REINVENTA PRESÉPIOS NO PINHAL NOVO


O fazedor de Presépios...

“Enquanto houver artesãos, esta arte há-de ser para toda a vida”, diz-nos o Almerindo Silva que, desde o Natal passado, reinventa presépios únicos, usando telhas e cabaças. Um trabalho precioso feito por um homem auto-didacta que se inspira no momento da criação e que se recusa a produzir duas peças iguais.




Reformado há dez anos, Almerindo nunca gostou de estar parado. “No princípio, entretive-me com uma horta. Hoje planto tudo o que a terra me queira dar”, conta. A arte artesã surgiu depois, muito devido ao incentivo da mulher Francisca que sempre soube do seu jeito e fascínio pelo artesanato de rua. “Comecei por fazer umas telhas que se venderam em menos de nada”, diz. Mais tarde, voltou-se para as cabaças que ele próprio cultiva e só depois começou a trabalhar presépios utilizando cabaças, gesso, madeira e telhas.
Em pouco tempo, vizinhos e amigos aperceberam-se do valor das suas peças e incentivaram-no a expor os seus trabalhos. Determinado, Almerindo Silva enviou uma carta ao departamento de Bibliotecas da Câmara Municipal de Palmela pedindo autorização para expor o seu trabalho na Biblioteca de Pinhal Novo. Após uma semana sem obter resposta, retorquiram já não haver espaço para exposições este ano.



“Nesta quadra o tema da guerra enquadra-se muito pouco”

Não satisfeito com a recusa, Almerindo decidiu ir àquela biblioteca inteirar-se da alegada falta de espaço e mais decepcionado ficou quando reparou que o que estava em exposição eram artigos referentes à guerra. “Como ex-combatente respeito muito o tema, só que nesta quadra enquadra-se muito pouco”, criticou o artesão-artista, natural de Santarém.
A viver no Pinhal Novo há dez anos, Almerindo define a sua arte como o prazer de inventar, “o facto de ter de puxar pelo raciocínio, ainda para mais aos 69 anos. É um exercício de memória”. E hoje os seus dias são passados na garagem a ouvir a rádio sintonizada no canal de fado. “Passo horas aqui sozinho e sinto um prazer enorme”, comenta.
           
“O cabeças”


Na altura em que era empresário na área do pronto-a-vestir em Lisboa, Almerindo fazia viagens de negócios por toda a Europa. Nas horas vagas, apanhava o metro para os centros artísticos de Londres e Paris e observava os artistas de rua colorir paisagens e esboçar rostos desconhecidos. “Não sentia necessidade de estar em qualquer outro lugar. Era uma coisa que me seduzia e que ainda hoje me absorve”, observa.
Aquela ideia de que a arte artesanal está condenada a desaparecer do nosso tecido cultural é contrariada pelo artesão que diz: “que enquanto houver artesãos, esta arte há-de ser para toda a vida”. Mas não como negócio: “ninguém pense usar esta arte para ganhar dinheiro pois a mão-de-obra inerente à peça nunca será recompensada”.
E neste contexto apenas a arte artesanal industrializada, “se é que se pode chamar a isso de artesanato”, questiona Almerindo, pode garantir alguma sustentabilidade financeira. “Mas isso é diferente”, refuta. “Nunca fiz duas peças iguais. É difícil fazer duas peças iguais”.
O seu processo de criação é fluido: “quando olho para uma cabaça não faço ideia nenhuma do que é que vai sair dali”. Filho de carpinteiro, surpreende-o hoje lembrar-se com maior precisão do nome de algumas ferramentas do que na época em que ainda era miúdo. Algumas delas foram inventadas pelo pai Manuel da Silva, conhecido como “o cabeças” porque fazia e inventava as suas ferramentas de trabalho.

A madrinha de guerra

Estávamos em 1962 quando Almerindo é mobilizado para o Ultramar, especificamente para Nambuangongo, em Angola. Destes tempos, o artesão não guarda boas memórias. “Foi uma altura muito má que nos marcou bastante. Era uma guerra sujíssima. Deixámos lá um cemitério bem composto”.
Posteriormente foi destacado para o sul de Angola, regressando depois em 1965, ano em que já namorava a mulher que conheceu no dia da referida mobilização. “A minha mulher entrou na estação do Pinhal Novo com os pais. Ao entrar no comboio escolhi o lugar com a vista mais bonita, à sua frente, e meti conversa com os pais que também iam sair em Estremoz. Quando chegámos pedi a um amigo para me levar os sacos para o quartel, sem saber onde ficava, para descobrir onde é que ela morava... Mais tarde, seria a minha madrinha de guerra”, rememora.

Viagem para Lisboa com 74 escudos no bolso

Estava já em Portugal quando, sem ter onde comer e dormir, pegou nas malas com 74 escudos no bolso e apanhou em Santarém o comboio para Lisboa. “Aterrei completamente à deriva. Comprei o Diário de Notícias para saber onde havia de dormir e no dia seguinte respondi a uma oferta de trabalho numa casa na Rua Augusta”. Depois de explicar a sua situação abertamente pois “quando as pessoas dizem a verdade chegam mais facilmente àquilo que querem atingir”, começou a trabalhar naquela alfaiataria no dia seguinte com um contrato de um conto e trezentos que nunca chegou a receber porque o seu patrão pagou-lhe logo mil e quinhentos ao fim do mês.
Nove anos mais tarde, na altura do 25 de Abril, surgiu a possibilidade de trabalhar numa outra casa de comércio na Avenida de Belém, em Benfica, a receber o dobro do que ganhava. Doze anos depois e com uma remuneração superior à do próprio patrão, Almerindo compra aquela casa e, pela primeira vez, torna-se proprietário de uma loja de pronto-a-vestir.
Mas o destino troca-lhe as voltas um banco se mostra interessado em comprar-lhe a casa. “Puseram as mãos em cima do balcão e disseram-me que queriam comprar a casa. Fomos tomar um café e ainda antes das chávenas chegarem à mesa já havíamos fechado negócio”, lembra-se divertido.
Passados sete meses sem exercer qualquer actividade, Almerindo compra uma nova loja onde vende produtos têxteis que ia buscar a Londres e Paris. Nestas metrópoles, encontravam-se facilmente tecidos orientais de qualidade a preços acessíveis, satisfazendo, na altura, milhares de clientes alfacinhas. Até ao dia em que foi inspeccionado pelas Finanças que deliberou por escrito um aumento do pagamento por conta. “Dei um murro no balcão e disse: a partir de hoje a casa está à venda”.
Com 58 anos, desfaz-se do negócio e aposenta-se, já com dois filhos crescidos. “Sou um felizardo e tenho que agradecer a Deus”, conclui.
Siga o trabalho de Almerindo Siva no  facebook.com/silv arte

Ana Cristina Rodrigues 
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Livro

Livro de Doçaria com Moscatel de Setúbal 


O livro “Doçaria com Moscatel de Setúbal” está à venda até ao final do ano pelo preço especial de 7,5 euros. Ideal para presentear familiares e amigos neste Natal, a publicação reúne um conjunto de deliciosas propostas apresentadas a concurso no Festival do Moscatel, em 2009, nas categorias de Doce de Fatia, Doce de Colher e Doce Frito ou Biscoito. O concurso despertou grande interesse junto da população e da restauração local, e permitiu reunir um número interessante de receitas, umas de carácter mais tradicional e outras de grande originalidade, fomentando a utilização dos nossos produtos tradicionais de qualidade.  
Editado em Novembro deste ano pela Câmara Municipal de Palmela e pela Associação da Rota de Vinhos da Península de Setúbal/ Costa Azul, no âmbito das comemorações do Dia Europeu do Enoturismo, o livro inclui, também, informação detalhada sobre o Moscatel de Setúbal e as diversas empresas produtoras da região. Está disponível para aquisição na Casa-Mãe da Rota de Vinhos da Península de Setúbal/ Costa Azul (Largo de S. João, Palmela), na Biblioteca Municipal de Palmela e na Loja de Vinhos, a funcionar durante o mês de Dezembro no Mercado Municipal de Pinhal Novo.

Casa-Mãe da Rota de Vinhos
Largo de S. João
2950-248 Palmela
Telf. 212334398

Segunda a Sábado (10h00 às 19h00)
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Judo feminino

SFUA conquista campeonato nacional


No passado dia 12 de Dezembro realizou-se no Palácio de Desportos de Torres Novas,  o Campeonato Nacional por clubes no escalão Júnior (17 aos 20 ) no qual a secção de Judo da SFUA/ANEMI Actividades Medicas Lda. Esteve presente com uma equipa Masculina e Feminina.
 A equipa Feminina composta por Jenni Fuchtmeyer nos 52kg,  Carina Gouveia nos 63kg e Andreia Zeferino nos +63kg sagrou-se campeã nacional “num dos campeonatos Femininos mais disputados dos últimos anos”, contou Marco Marais, treinador da equipa de Pinhal Novo.
Segundo o treinador, “a equipa teve um trajecto imaculado até á final eliminando o J.C. Marinha Grande, A.A.Coimbra, J.C. Lisboa , C.N. Funchal e, na final, bateu a equipa do Sporting Clube de Portugal por um contundente resultado de 3 vitórias a uma”.  Um feito histórico, já que é a primeira vez que um clube do concelho alcança o lugar mais alto do pódio num campeonato de equipas. O resultado, diz Marco Morais, “não seria possível sem o apoio do nosso patrocinador ANEMI Actividades Médicas LDA”.
Uma prenda bonita para uma colectividade a festejar 114 anos de vida. A Câmara de Palmela, em reunião de Câmara, aprovou  por unanimidade um voto de louvor para as novas campeãs nacionais de judo. 
A equipa Masculina teve uma participação honrosa mas não consegui chegar aos lugares do pódio.
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Editorial

Porque é Natal...

Opina-se hoje muito sobre a forma como a sociedade está a encarar o Natal: uma festa de consumo e de consumistas. É um facto. Mas também é verdade que a solidariedade está muito presente nesta quadra, com jovens, instituições, associações e mesmo empresas a lançarem campanhas solidárias. Com este quadro fica uma pergunta no ar. Será que as pessoas não estão a enveredar por um campo mediático em que as causas são grandes obras nacionais e internacionais, esquecendo-se do vizinho do lado?
Esta pergunta pode ter resposta negativa se tomarmos, como exemplo, os casos de necessidades básicas de famílias inteiras no concelho de Palmela, onde muitas vezes são as instituições e os amigos que tentam, nesta época, “aconchegar” os estômagos dos mais carenciados, onde o número não para de aumentar. Sendo certo que em 2011 a situação poderá piorar por tudo que já se sabe. 
Estes são casos de miséria reais, exemplo típico de famílias desintegradas que geram famílias descompensadas, passa-se praticamente à porta de muitos de nós que, provavelmente, nem nos apercebermos. Ou, pior, fazermos que não vemos. Ora, estas pessoas precisam de ajuda, de atenção e de campanhas solidárias todo o ano. Nós, tão preocupados, em ajudar países necessitados, em contribuir para a construção de lares de acolhimentos para esta ou aquela instituição temos, também o dever e o direito de ajudar aqueles que estão tão perto de nós.
A realidade é que estamos com mais um Natal à porta. Enquanto isto, assiste-se por quase todo este mundo a um abrandamento da economia: Portugal com uma da mais débil evolução do crescimento económico da União Europeia. Nação de falências em cadeia, ocasionando aumento do  desemprego, uma infinidade de pessoas no limiar da pobreza e que auferem salários mensais de menos de 400 euros. Isto tudo torna, este ano, um Natal com perspectivas amargas. Diria um Natal de “muitas luzes sem luz” para grande maioria das pessoas.
Estamos com mais um Natal à porta. Vamos a uma pastelaria engolimos o café ao balcão e a televisão, lá no alto, diz que mais de meio milhão de portugueses aguardam um posto de trabalho que se perdeu e se aguarda desesperadamente por outro – o ganha-pão para numerosas famílias carentes. Baixam subsídios do Estado, sobem impostos e o preço da vida. Há crianças que só comem... porque as Escolas fornecem comida. E cada vez há mais indiferença. Na Assembleia Municipal da última semana, os partidos [todos sem excepção] debateram durante duas horas os direitos humanos em Cuba, na China, nos Estados Unidos, no Irão. Problemas importantes, é claro, mas seria esperar muito mais de partidos com assento municipal que discutissem  e aprovassem moções ou medidas para as pessoas que no seu concelho passam fome. É esse o debate sério e inteligente que falta fazer em Palmela.
Estamos com mais um Natal à porta. É mais uma época enternecedora, um compasso de Amor numa pauta de fusas e semi-fusas caídas em catadupa, numa composição que temos a mania de complicar que se chama Vida. Seria muito mais enternecedor transformar esse compasso numa Sinfonia de 365 Natais, distribuindo Amor, repartindo Fraternidade compartilhando Felicidade, envolvendo Solidariedade, aproximando-nos mais uns dos outros, desfazendo ódios, rancores, mal-entendidos e intrigas. Enfim, o desamor em vez do Amor.
E porque é Natal, o Novo Impacto, deseja a cada leitor, a cada anunciante, a cada colaborador, a cada um de vós, um Santo Natal e um próspero Ano de 2011.

Paulo Jorge Oliveira 
Director Jornal Novo Impacto 
jornalnovoimpacto@gmail.com
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Retrato Social de Palmela à beira do Natal

Palmela está pronta para responder à pobreza?


Dezoito é a percentagem de portugueses em risco de pobreza. O número foi apontado pelo Governo no início do ano e, desde então, o assunto surge constantemente na imprensa. Diz-se que o número de pessoas que recorre a associações solidárias está a aumentar, enquanto o tema é utilizado em confrontos políticos. De facto, está na moda falar do assunto. Cavaco Silva diz que devemos ter vergonha de haver gente a passar fome em Portugal, Jerónimo de Sousa diz que a pobreza vai aumentar em 2011, 300 mil portugueses em risco. Há poucos dias, José Sócrates criticou quem se alia à pobreza, pensando em resultados políticos. Já em 2007, a presidente da Federação dos Bancos Alimentares contra a Fome falou de pessoas com emprego, mas sem um salário para fazer face às despesas do agregado familiar. Como designá-los? Novos pobres, pobres envergonhados ou pobres endividados? A resposta impera na procura de soluções, às quais as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) têm, cada vez mais, dificuldades em responder. Muitas estão debilitadas economicamente, tal como assume Guilherme Bettencourt, director do Centro Social de Palmela. Assim, como irá a região combater a pobreza e consequente exclusão social?

Trabalho em rede

“Embora estejamos a viver um período do ponto de vista social difícil, não temos registado, ao nível do atendimento social, um número crescente de casos a solicitarem apoio económico e de emprego”, refere Adilo Costa, vereador da Acção Social na Câmara Municipal de Palmela. No entanto, e apesar da intervenção social não ser da competência da mesma, “entendemos ser nosso dever trabalhar em conjunto com os agentes sociais locais”. Daí a autarquia criar mecanismos de articulação entre várias entidades, “na resposta a nível do emprego, acção social e outros”. Acompanha e encaminha os diferentes problemas sociais para as instituições mais adequadas, promove acções de sensibilização em várias áreas, como é o caso da Saúde, e apela à responsabilização social por parte das empresas. Lançou o Cartão Municipal Sénior e está a trabalhar no projecto Palmela Acessível, que pretende melhorar a acessibilidade ao espaço público, edificado, transportes, entres outros. Para melhorar a deslocação, que facilita a procura e a aceitação de emprego, a autarquia tem um projecto-piloto que, durante o primeiro semestre de 2011, vai assegurar mais ligações rodoviárias entre a vila de Palmela e a Estação Ferroviária. Em rede trabalham igualmente as entidades que constituem o Centro Local de Acção Social de Palmela, ao qual, a 14 de Dezembro, aderiram mais três instituições. Foi em colaboração com este que o Observatório tentou aprofundar a realidade sociocultural. “Temos resultados concretos, uma caracterização mínima do perfil das famílias do concelho que são objectos destas medidas”, avança Guilherme Bettencourt, director do Centro Social de Palmela, candidato ao Programa Nacional do Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social. Os números são difíceis de obter, mas 25 instituições esforçaram-se na recolha dos
dados. Se estes originarem um grupo para continuar a monitorização familiar, significa que um dos objectivos principais será atingido. (Ver caixa de texto).

“É importante que dêem oportunidade às famílias”

O Centro Social de Palmela recebeu, nos últimos três meses, dez pedidos de reformulação da mensalidade. Entre as situações relacionadas com o desemprego inesperado, há quatro pedidos de famílias que mantêm os empregos, mas os seus rendimentos não conseguem fazer face aos empréstimos bancários. “E nós temos de começar a ser sensíveis a isso, a nossa função não é pôr as crianças na rua”. Quem explica é Guilherme Bettencourt, apresentando uma solução: “Vamos saber até que ponto é possível as famílias continuarem o seu compromisso para connosco, tentando que elas paguem o máximo que acharem possível, até a sua situação se resolver”. Segundo o mesmo, “o medo que nós temos é a tal pobreza envergonhada”. Quando alguma família informa que vai retirar as crianças, a instituição tem de conhecer as verdadeiras motivações, a fim de evitar o “ciclo vicioso”. A tomar conta das crianças, a mãe não consegue procurar emprego e, sem este, não consegue voltar a colocá-las no Centro. “É importante que dêem oportunidades às famílias, que as pessoas não desistam logo na primeira contrariedade”, aconselha. Para além de comportamentos demasiado 
enraizados, baixos níveis de escolaridade e falta de qualificação profissional, que são características transversais a muitos concelhos, o facto de a região de Palmela ser dispersa também dificulta o combate à pobreza. As deslocações das assistentes sociais ficam muito dispendiosas, não sendo possível a regularidade necessária. Daí Guilherme Bettencourt defender que é necessário “encurtar” as distâncias, comentando que há quem não conheça as respostas sociais existentes no concelho. Quanto aos comportamentos, entende ser necessária uma mudança na cultura familiar, bem como no papel desempenhado pela mulher. O director considera importante a opinião pública perceber que a mentalidade de uma família que vive há margem não se consegue alterar em seis meses. Há uma série de competências a trabalhar para que o acesso ao mercado de trabalho seja efectivo e duradouro. “Arranja-se um trabalho, mas a pessoa não tem cultura de horários, higiene, produção”. Ao fim de três dias começa a faltar, gera más relações. Perde-se um empregador e baixa ainda mais a auto-estima de quem já não a tinha muito elevada.

Remodelação do CAT- Porta Aberta: Irão as empresas dar o exemplo? 

O Centro de Acolhimento Temporário -“Porta Aberta”, situado em Palmela, foi “conquistado” pela solidariedade, a 11 de Dezembro. Cerca de 70 pessoas trabalharam durante todo o dia, dando uma nova vida ao espaço: requalificação de duas salas interiores e do espaço exterior, que agora é constituído por um jardim e um campo de jogos, e transformação de um armazém em sala de convívio. Entre mão-de-obra, doação de mobiliário, material de construção, equipamento desportivo, entre outros, estiveram envolvidas as seguintes entidades: “Share e Motion”, “4´4 Multitrabalhos”, Horto do Campo Grande, Casa dos Sabores, Casa de Protecção e Amparo de Santo António, “Poggepohl”, Fundação Belmiro de Azevedo e “Sport 
Zone”, CIN, Vodafone, Vendomática, Câmara Municipal e Palexpo, que foi a impulsionadora da acção. Ricardo Figueiredo, administrador da mesma, conta que “a grande motivação da iniciativa foi (…) a de dar às crianças uma pequena contribuição, no sentido de lhes proporcionar tudo o que elas merecem”. A acreditar que a crise pode gerar a solidariedade, espera que esta acção sirva de exemplo para outras empresas. Satisfeito, referiu que “os miúdos precisavam de um espaço para espairecer”. Satisfeitos ficaram igualmente quem mora e trabalha no CAT. “Vai ser muito importante para a ocupação dos tempos livres e do bem-estar deles na casa”, observou a directora, Dina Horta. Quanto à felicidade das treze crianças, com idades entre os 6 e os 14 anos, é impossível de descrever nestas linhas. “Adorámos, gostámos bué”, afirmaram ao Novo Impacto, depois de terem sido apanhadas de surpresa. “E eu queria era ir-me embora, agora já não saio daqui”, disse Marina (nome fictício). Em clima de festa, todos gritaram “Porta Aberta”. E será esta acção uma porta aberta para a felicidade?

O empenho das Comissões Sociais de Freguesia

Também a empresa “Logz-Atlantic Hub”já se encontra no “caminho” da responsabilidade social, numa parceria com a Comissão Social de Freguesia de Pinhal Novo. A promoção da inclusão, que irá continuar em 2011, já possibilitou os projectos “Férias Vivas” e “TIC Sénior”, apoio à deslocação da população rural e Oficina Domiciliária. Carla Manhoso, representante da “Logz-Atlantic Hub”, sustenta o aproveitar dos projectos das juntas de freguesia, pois são as entidades que melhor conhecem as populações. Declara que a intervenção vai ser alargada ao Poceirão e a Palmela. Nesta vila, 2010 foi o ano de reactivação da Comissão Social. Envolvida no processo, Susana Ciríaco refere que já começou a união de parceiros, como é o caso da GNR e da Santa Casa da Misericórdia local.
E Marateca? Ideias não faltam para a região. É rural, pobre, dispersa, onde os mais idosos têm dificuldade para se deslocar. Assim a caracteriza Fernanda Esfola, presidente da Junta de Freguesia. Daí colocar a mobilidade no plano de acção para 2011, apesar de a carrinha já estar a assegurar o transporte para Palmela e para o cemitério. Na área da empregabilidade e formação, a presidente fala numa aposta em cursos de hortofloricultura e viticultura, já que são os mais apropriados ao mercado de trabalho da zona. Promover o programa de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), em Cajados e Águas de Moura, também faz parte das suas aspirações, até porque há jovens que têm apenas o quarto ano. No âmbito dos recursos para a comunidade, perspectiva uma biblioteca com um espaço Internet para Cajados, assim como uma loja social.




Voluntariado

Valentim Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, vê no voluntariado uma resposta credível. “Não é voluntário aquele que, por exemplo, quer ocupar os tempos livres, o que procura auto-terapia”. Há que haver um compromisso, um contrato. A antecipar o Ano Europeu do Voluntariado, a Comissão Social de Freguesia e o Centro Social já “convocaram” a população. Em 10 mil habitantes, 39 responderam ao apelo. Um dos espaços de integração poderá ser a Rede de Cuidados Continuados. Também Manuel Ramalho, padre no Centro Social e Paroquial do Pinhal Novo, partilha dessa opinião. Idealiza um grupo de voluntários para visitar a casa das famílias mais necessitadas, “mas onde é que estão essas pessoas para irem a 300, 400 casas?”. Apesar de dizer que o grupo não iria controlar, mas facultar um acompanhamento personalizado e continuado, lembra que há quem peça ajuda, quando dela não necessita. Então, aconselha: “nunca dêem dinheiro às pessoas. É para o vício, muitas vezes”. Daí defender os vales, registados em cafés e restaurantes, como uma boa solução. “Tens fome? Toma este vale e vai comer ao café”. O Centro Social e Paroquial apoia 229 famílias, num total de 642 pessoas”, mas Manuel Ramalho acredita que as mesmas continuam a passar dificuldades. Dificuldades, na maioria das vezes, não assumidas. “Os envergonhados não vêm aqui à frente. Muitas vezes tiveram até uma vida boa, como proprietários de comércio”.
Ao contrário do padre Manuel Ramalho, Emília Cruz, voluntária na Associação Aires Fonte da Boa Vontade, está confiante na criação de um grupo para realizar visitas ao domicílio, assim como promover um curso de economia doméstica. Filha de pai pescador e mãe conserveira que faleceu cedo, ficou com cinco irmãos para cuidar, com apenas 14 anos. Aos 39 anos, viúva, trabalhou simultaneamente em vários locais, conseguindo cinco filhos. A valorização das verdadeiras necessidades levou-a ser autarca, sindicalista, membro de uma comissão de trabalhadores. “Revoltada com a indiferença”, começou o projecto da doação de bens na sua própria casa, em conjunto com Alexandrina Pereira. Hoje, a loja tem uma sede e conta com a colaboração de 30 pessoas.

José Silvério e o “sonho” agrícola

“Poceirão não era pobre (…), e se tivéssemos um Governo capaz, a freguesia era rica na mesma, porque a freguesia tem à volta de duas mil parcelas agrícolas e não estão a ser cultivadas, porque não há escoamento para o produto. Estamos a comer produtos estrangeiros”. A solução poderá parecer uma utopia, uma vez que está dependente de normas nacionais e europeias, mas José Silvério, presidente da Junta de Freguesia 
do Poceirão, acredita que a produção é a única forma de contrariar a crise. “A laranja estamos a enterrá-la. Estamos a cavar buracos, porque não a compram. A batata é a mesma coisa, a cenoura é excedentária”. E há em abundância, não há é maneira de controlar isso para esses produtos serem recolhidos para a pobreza”. Com orgulho, observa que a zona é rica em ovinos, bovinos, produção de leite, variados frutos e legumes. “Parece que a gente é excedente em produtos e há fome como se vê nesta freguesia”. “Segundo José Silvério, perto de 500 pessoas estão a receber o subsídio de desemprego, enquanto seria fácil criar 1500 postos de trabalho, bastava um por cada parcela por cultivar. “Os comerciantes estão a ficar com a corda na garganta”, enquanto os roubos são frequentes, mesmo dentro do Poceirão. “As pessoas estão desesperadas”. Comenta que há dois montes com 90 pessoas, emigrantes que vão trabalhar em explorações alentejanas. “Quem é que aparece a preocupar-se com a situação?”


Estarão os Palmelões sensibilizados?

Vários fóruns têm reunido Palmela em torno da pobreza e da exclusão social, mas a maioria dos participantes pertencem às IPSS e associações do concelho. Para quem não convive de perto com a realidade, o assunto parece não chamar a atenção, a não ser que seja de âmbito pessoal.
No II Fórum “Como são a Pobreza e a Exclusão Social”, algumas pessoas aproveitaram a presença de Ana Teresa Vicente, presidente da autarquia, e Fátima Lopes, directora do Instituto de Segurança Social de Setúbal. Mário Franco e Carla Oliveira (nomes fictícios) reclamaram prestações indevidas e o corte do rendimento de inserção social. Em seguida, solicitaram trabalho à autarquia. “Nem que seja a varrer ruas”, disse Carla. Agora estou com o subsídio de desemprego. Gostaria de saber, quando o meu subsídio de desemprego acabar, o que já faltam aí uns seis meses, como é que eu irei sobreviver depois?”, questionou Mário, desempregado há nove anos. Também o “Rotary Club”tentou alertar para a problemática, mas o número de participantes ficou muito aquém das expectativas. A desilusão estava visível no rosto de Alexandrina Pereira, presidente da associação. Ironicamente, o colóquio decorreu num dos dias de recolha da campanha do Banco Alimentar Contra a Fome. “Se todos, aqui, estivermos convencidos de o tema que nos reúne, para além de ser importante, é condicionante no nosso progresso, e estão disponíveis para dar algum contributo, no que tiver ao nosso alcance, já são alguns, portanto é óptimo”, referiu com optimismo, Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa. E se não estivéssemos no Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social, será que o tema teria sido debatido?

Helena Correia 
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58,3 milhões para gastar em 2011


“Um orçamento preocupante”



Para a autarquia, este é o orçamento “constrangedor” e “possível”. Para a oposição é um orçamento de “risco”, do “desassossego”, do “meio milhão”, “preocupante”, “desequilibrado”, “cosmético”, “pouco rigoroso” para uns e “mentiroso” para outros. Seja como for apelidado, os números são claros: Há 58 milhões 335 mil e 200 euros para gastar para o ano. Ana Teresa Vicente reconhece que “a autarquia continua a cumprir a sua missão junto da população, pelo que não errou na sua gestão criteriosa”, sustenta a presidente, que garante que a câmara municipal “vai continuar a olhar para o futuro, trabalhando no muito que tem a fazer, mesmo que o contexto se configure bastante difícil”.PS e CDS-PP votaram não. PSD e BE optaram pela abstenção e só a maioria comunista aprovou o documento.

As criticas do PS

As criticas maiores ao orçamento partiram do líder da bancada socialista. Que no seu longo discurso, lembrou as medidas, as propostas e as dicas do PS durante muitos anos que o executivo municipal nunca ouviu. “A nossa razão nunca foi ouvida e as nossas propostas ficaram abafadas entre as quatro paredes da sala de reunião”. Por tudo isso, lembrou José Braz Pinto, o “futuro é negro”. E explica porquê. Em 2010 “ dos 58 milhões previstos em orçamento, a autarquia só arrecadou 43 milhões. Em 2011, o município prevê receitas de 12 milhões de euros geradas no loteamento industrial de Penalva, edificações da Plataforma Logística e dois loteamentos urbanos no Poceirão”. José Braz Pinto dúvida que esse dinheiro chegue aos cofres da autarquia e, por isso, classifica os números de “cosmética do orçamento” porque não retrata a realidade nem aponta os “seis milhões de euros de défice que transita do orçamento deste ano”.

Os socialistas acrescentam que a “estrutura orgânica da Câmara continua a ser pesada e com pouca produtividade”. Outra critica foi para os empréstimos bancários aprovados cujos juros já custam aos cofres de Palmela 2,4 milhões de euros anuais. Braz Pinto lembrou ainda o valor da transferência da Câmara para a Associação de Municípios de Setúbal. São, de acordo com o líder da bancada socialista, “110 mil euros anuais”. O que é mais, lembra o deputado, “do que os cortes realizados este ano às duas freguesias mais pobres do concelho [Marateca e Poceirão] que ascendem a 101 mil euros em 2011”. Acusando o executivo de Ana Teresa Vicente de não ter sabido “aproveitar o tempo das vacas gordas para chorar no tempo das vacas magras” e de estar a contribuir para hipotecar o futuro “dos próximos executivos”.

  “Onde está a crise?”, pergunta o CDS-PP



O CDS-PP, que também votou contra orçamento, perguntou onde está a crise espelhada nos números do orçamento. Isto porque “ao contrário do que diz a Câmara de Palmela para justificar o orçamento difícil, a verdade dos números dizem que o orçamento vai crescer em 2011 cerca de 5 milhões de euros em comparação a este ano”. Sendo assim, pergunta o líder da bancada centrista, “onde está a crise? Se existe não a conseguimos interpreta-la no orçamento. O que vemos é 58 milhões 335 mil e 200 euros”.


Francisco Piteira vai mais longe. Ao contrario do que diz o executivo de que “é importante tomar medidas de racionalização da despesa”, a autarquia prepara-se, de acordo com a visão do CDS-PP, para aumentar a “despesa de aquisição de bens e serviços em 5 milhões de euros”. De acordo com Piteira, “a gestão autárquica deve ser verdadeira” e pediu explicações como é que “os impostos indirectos têm para 2011 uma previsão de crescimento de 8 milhões de euros”.


Francisco Piteira ainda é muito critico em relação às verbas que a autarquia transfere para as cinco freguesias. “As verbas transferidas pesam 2 por cento no orçamento municipal. É esse o valor que a Câmara CDU acha que valem os trabalhos das suas juntas? Onde está a política de proximidade que se quer?”.

As perguntas do BE



Eram muitas as dúvidas do Bloco de Esquerda em relação ao Orçamento para 2011. Numa exaustiva análise aos números resultou mais dúvidas do que certezas para a “solitária” representante do partido mais à esquerda do plenário municipal. Ana Sartóris descobriu entre os muitos números do orçamento que “há uma diminuição dos apoios camarários às famílias na ordem dos 85 por cento”. Assim, num ano que se prevê de crise social, só estão cabimentados “12 ,5 mil euros para distribuir às famílias necessitadas do concelho”.


A falta de resposta da Câmara a uma deliberação da Assembleia Municipal foi, provavelmente, a revelação da noite política mais longa do ano. Por proposta do BE, a Assembleia aprovou há um ano uma moção que visava pôr fim ao trabalho precário na Câmara, juntas de freguesia e empresas municipais. À Câmara caberia apresentar à Assembleia uma lista dos trabalhadores em regime de recibo verde. “Um ano depois esta Assembleia não sabe quais os procedimentos que o município tomou nesse sentido”, denunciou a deputada. Por outro lado “a verba consignada aos recibos verdes até subiu”.


“Orçamento possível”, diz a CDU
A bancada da CDU “reconhece que é apenas o orçamento possível. Possível porque é profundamente condicionado pelas medidas impostas às autarquias pela administração Central; quer pela Lei de Finanças Locais, que provoca uma acentuada quebra de receita para as autarquias, quer pela transferência de competências para as autarquias sem os correspondentes meios financeiros”, disse Anabela Rito.
Contudo, segundo os deputados comunistas, “é um orçamento que incorpora duas mensagens muito importantes: Uma mensagem de responsabilidade, rigor e grande determinação por ser um orçamento que consagra medidas certamente muito duras e difíceis de contenção da despesa, no investimento municipal e no apoio aos parceiros locais. E uma mensagem de convicção e de confiança no futuro do concelho, que conta com o apoio e intervenção dos nossos agentes económicos e sociais, cuja intervenção tem sido decisiva para construir, em parceria, o desenvolvimento sustentável, e para tornar o concelho de Palmela na grande referência que hoje é no contexto nacional”.

As repostas da autarquia



A todas as criticas a líder do executivo respondeu. “Trata-se de facto de um orçamento muito constrangedor porque apresenta redução de verbas em todas as áreas. Não é por gosto, prazer e opção que reduzimos como reduzimos os investimentos no desporto, cultura ou intervenção social”. Ainda assim, explicou Ana Teresa Vicente, “com o recurso às parecerias desenvolvidas conseguimos manter muitas das acções”. Pese embora que hajam acções que “por opção suprimimos assumidamente”.


A subida do valor do orçamento é simples de explicar: “há 17,9 milhões de receitas extraordinárias. E são estas receitas que fazem com que este orçamento tenha o volume que tem”. Empréstimo, receita do QREN, receita proveniente para a construção do Destacamento da GNR Palmela, mobilização das garantias bancárias de Val’Flor, que perfazem em conjunto cerca de 7 milhões de euros. Depois, assume a presidente, “há 10 milhões de taxas de urbanismo que esperamos receber”. Isto porque o município “tem um conjunto de alvarás emitidos que só não foram levantados e pagos”. Contudo, concluiu a presidente “é sempre possível que os promotores não levantem essas licenças”.


Segundo a autarca, “a proposta de orçamento para 2011 e as grandes opções do plano para 2011-2014 reflectem a acentuada quebra de receitas com que nos confrontamos, reduzindo muito significativamente a nossa capacidade de investimento”. Ainda assim, reafirma Ana Teresa Vicente, “as opções municipais assentam num profundo esforço de contenção da despesa, com a rentabilização dos meios materiais e humanos de que dispomos e o aprofundamento do trabalho em parceria com a comunidade e as instituições locais, cuja disponibilidade constitui uma importante mais-valia no nosso concelho”.


As perguntas sem resposta do PSD




Teresa Marta, pelo PSD, teve provavelmente a mais inquieta intervenção. “Devíamos estar aqui a questionar como teremos Palmela e como queremos que o nosso concelho esteja daqui a meio século”. A questão, disse a social-democrata, “é que estamos muito limitados pelo curto prazo”. O que se deveria discutir em paralelo é “em que é que nós devemos efectivamente apostar para termos um concelho mais competitivo e quais as nossas estratégias de diferenciação”, perguntava. Tudo o que temos de reflectir em conjunto é “o que devemos fazer para ter uma Palmela mais atraente, mais competitiva, mais talentosa, com mais inovação, mais capital e mais empreendedorismo e, por outro lado, quais os perigos e as ameaças que nos colocam”. A Teresa Marta ninguém respondeu.




Paulo Jorge Oliveira 
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Orçamento municipal para 2011


Infraestruturas e Centro Histórico são prioridades autárquicas

A qualificação das infraestruturas da rede viária, abastecimento de água e saneamento, investimento na educação, revitalização do Centro Histórico de Palmela e construção do Quartel do Destacamento Territorial da GNR são as grandes prioridades autárquicas para 2011. Uma vez que o orçamento municipal ronda os 58 milhões de euros, – mais cinco milhões do que o orçamento do ano passado –, essas obras terão de ser executadas com a ajuda de receitas extraordinárias, num total de 17,9 milhões de euros. Empréstimos bancários de 2,9 milhões, comparticipações do Quadro de Referência Estratégico Nacional, avaliadas em 2 milhões de euros. O mesmo valor resulta de garantias bancárias por posse administrativa de alvarás de loteamento, enquanto as taxas de urbanismo reúnem 10 milhões. Um milhão será viabilizado pelo Ministério da Administração Interna.

O “desassossego”

Estes valores foram discutidos na reunião camarária de 7 de Dezembro, onde a presidente, Ana Teresa Vicente, explicou que a Lei das Finanças Locais e a diminuição dos impostos directos reduzem significativamente a capacidade de investimento. O PS, apesar de referir as dificuldades da CDU na elaboração do orçamento, votou contra o mesmo. É tudo uma questão de opções, de prioridades. Natividade Coelho criticou o corte de quarenta por cento no movimento associativo, enquanto o mesmo não existe na Palmela Desporto, nas horas extraordinárias e nas comunicações. Quanto a José Carlos de Sousa, se inicialmente recorreu ao “desassossego” para designar o orçamento, mais tarde falou em “repúdio” e nomeou a autarquia de “a câmara do meio milhão”. Meio milhão de euros para as horas extraordinárias, meio milhão para pessoal em regime de tarefa e avença, montante que cresceu em relação a 2010, meio milhão para a Palmela Desporto, meio milhão e cem mil euros para a locação de edifícios. O vereador socialista observou que os empréstimos bancários, só em juros, originam o pagamento de 1,7 milhões, e falou do adiamento e do desaparecimento de algumas obras.

“Orçamento constrangedor”

Álvaro Amaro argumentou que “as horas extraordinárias são para serem utilizadas quando é necessário”. Igualmente necessários são os empréstimos, para se continuar a fazer obra. O vereador esclareceu que algumas intervenções não desapareceram. Não constam do orçamento, porque, por exemplo, podem estar em fase de projecto ou de expropriação. “Algumas destas obras podem vir a acontecer por via da contratualização das obras de urbanização, que temos com promotores que estão a investir no nosso território. Acho que essa é uma opção inteligente do município”, concluiu. Novamente à discussão, as horas extraordinárias. “Qual é a alternativa? Vamos privatizar? A presidente interrogou a oposição. Ana Teresa Vicente lembrou que a proposta apresenta uma redução do encargo com pessoal. Quanto às associações, afirmou que os técnicos estão à disposição para auxiliar na concretização de projectos. “Dissemos, até já, em algumas reuniões, que até apoio à contabilidade nós poderemos vir a dar”. Para a mesma, é um “orçamento constrangedor, sem dúvida, mas com opções claras, transparentes (…). Acho que as pessoas percebem qual o caminho que nós estamos a seguir, para gerir, para equilibrar”.
O orçamento foi aprovado pela maioria CDU. O mesmo aconteceu com os protocolos de delegação de competências nas Juntas de Freguesia e nas transferências para a Palmela Desporto.

Freguesia de Poceirão já pode receber o IMI

Criada há mais de 20 anos, a freguesia de Poceirão ainda não estava delimitada a nível administrativo. O processo deveria ter sido realizado pelo Instituto Geográfico de Portugal, organismo que nunca dispôs de condições para o realizar em todo o território. Assim, a Câmara Municipal de Palmela executou esse trabalho, o que vai permitir à Junta receber 50 por cento do Imposto Municipal sobre Imóveis, respeitante aos prédios rurais. Valor, até então, entregue às Juntas de Palmela e Marateca, freguesia que originou a do Poceirão. Esta proposta, também votada na sessão camarária, foi a única que atingiu a unanimidade. Ao Novo Impacto, José Silvério, presidente da Junta do Poceirão, disse desconhecer quanto irá receber, “mas sei que é uma miséria”. No entanto, está satisfeito por o problema ser resolvido durante o seu mandato, o qual se avizinha como último.

Helena Correia 
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Quartos de Final da Taça de Portugal

A “sorte” ditou um FC Porto – Pinhalnovense



O sorteio realizado esta quarta-feira ditou que o Pinhalnovense vá ao Dragão, a 12 de Janeiro, jogar com o Futebol Clube do Porto para os quartos-de-final da Taça de Portugal que é o actual detentor do trofeu.
Paulo Fonseca, treinador do Pinhalnovense,  em declarações aos jornalistas referiu que  “é positivo defrontarmos o Porto. Não vejo o sorteio como um problema mas sim como uma oportunidade para os jogadores da equipa. Vamos representar um concelho e estamos contentes por isso”. O treinador acredita igualmente que “será um prémio para os jogadores jogar num estádio como o Dragão”.
O Pinhalnovense que jogou esta quarta-feira no Algarve e venceu o Lagoa por 1-0, golo de Tomas, é, por agora, o único representante da 2ª Divisão na prova Rainha do Futebol Português. Para o treinador azul-e-branco, de Pinhal Novo, o Pinhalnovense vai ao Porto mostrar o seu futebol. “Não vamos mudar aquilo que somos para jogar com um grande, vamos praticar o nosso futebol”.
Vencer o Porto é encarado por Paulo Fonseca como uma tarefa difícil mas não impossível. “Somos realistas: as hipóteses são reduzidas, mas no futebol tudo é possível”, concluiu o treinador da equipa que já deixou, pelo caminho, o União Micaelense, Maria da Fonte, Fafe, Tirsense e Leixões.

“Era giro ganhar ao FC Porto”


Para o autor do golo do Pinhalnovense, em Matosinhos, Quinaz, [considerado o melhor jogador em campo pela imprensa especializada], o sorteio não trouxe nenhuma surpresa. Apesar de ser um grande desafio para a equipa de Pinhal Novo, o 10 do Pinhalnovense realça que “é sempre bom jogar com um grande”.
Quinaz é um dos melhores marcadores da Taça [5 golos] sabe de todas as dificuldades de jogar contra a equipa de André Vilas-Boas. “Vai ser complicado passar e é muito difícil marcar a uma equipa como o F.C. Porto”.
Será o Pinhalnovense capaz de acabar com a invencibilidade do Porto? “Era muito bom mas vai ser difícil. Na taça tudo é possível. Temos consciência da dificuldade mas seria engraçado. Esse é o espírito de taça”, disse Quinaz. Dia 12, logo se vê. Se ganhar, o Pinhalnovense fica mais perto de ir ao Jamor, em Maio de 2011.

Presidente preferia o Porto no Pinhal Novo


Já o presidente do Pinhalnovense, Amândio Dias, preferia jogar com o F.C. Porto em casa mas os sorteio não foi feliz. É um sorteio que não nos favorece muito, jogamos fora, somos uma equipa de uma divisão inferior e na vida tudo pode acontecer. Temos o sonho de chegar mais além e tudo faremos para conseguir uma surpresa frente a uma das melhores equipas de Portugal e da Europa. Não temos nada a perder, vamos ganhar prestígio mais uma vez e vamos convictos de que vamos fazer o melhor. O F.C. Porto vai ter de correr tanto ou mais que nós, porque não temos nada a perder, temos tudo a ganhar”, concluiu o presidente logo após o sorteio, em Lisboa.

FC Porto já sabia quem era o adversário... antes do sorteio

Em cheio! Fernando Gomes -  Bi-Bota de Ouro e director de scouting dos dragões – adivinhou a sorte na viagem entre o Porto e Lisboa. Fernando Gomes explica porquê: “Durante a viagem, eu e o Jaime Teixeira [produção de conteúdos] vínhamos a conversar nesta possibilidade, de podermos jogar com o Pinhalnovense. Foi uma coincidência total. Um dos compromissos do F.C. Porto é vencer a Taça, não só porque somos o detentor do troféu mas também porque queremos continuar a somar títulos e a ser os melhores. Frente ao Pinhalnovense, temos de ser tão rigorosos como na última eliminatória com o Juventude de Évora e, se assim for, o resultado irá pender para o nosso lado, embora o Pinhalnovense tenha uma equipa que já causou surpresa na Taça. Vai ao Dragão sem pressão, até porque já causou surpresa em Matosinhos”, analisou Fernando Gomes, nesta quarta-feira, após o sorteio da sexta eliminatória, na sede da FPF.
O Pinhalnovense acedeu ao pedido do F.C. Porto para jogarem a 12 de Janeiro (quarta-feira), ainda que a data possa ser alterada devido aos compromissos televisivos, explicou o vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Amândio de Carvalho.







 Os outros jogos

Com três vagas ainda em aberto na sexta eliminatória da “prova rainha” do calendário nacional – uma delas ficará decidida no próximo dia 5 de Janeiro de 2011, quando Benfica e Olhanense se encontrarem no Estádio da Luz –, os Vitórias (Setúbal e Guimarães) já sabem que jogarão fora de portas, enquanto o Rio Ave receberá em Vila do Conde os “encarnados” ou a formação algarvia.

Eis o programa de jogos, que estão calendarizados para o dia 12 de Janeiro de 2011:
FC Porto - Pinhalnovense
Rio Ave - Benfica/Olhanense (*)
Bombarralense/Louletano/União da Madeira/Académica (**) - Vitória de Setúbal
Varzim/Gondomar/Ribeirão/Merelinense (***) - Vitória de Guimarães

(*) O jogo em atraso referente à quinta eliminatória, entre Benfica e Olhanense, joga-se a 5 de Janeiro.

(**) Encontra-se em curso um Processo Disciplinar instaurado ao Bombarralense e ao Louletano. O vencedor dessa partida defrontará o União da Madeira (quarta eliminatória) e, quem triunfar nesse confronto, deslocar-se-á a Coimbra, para defrontar a Académica (quinta eliminatória).

(***) O jogo em atraso referente à terceira eliminatória, entre Varzim e Gondomar, joga-se a 23 de Dezembro. O vencedor desse encontro receberá o Ribeirão (quarta eliminatória) e, quem triunfar nessa partida, joga em casa frente ao Merelinense (quinta-eliminatória).


Paulo Jorge Oliveira 
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