Festas de Corroios esperam um milhão de visitantes entre 21 e 30 de Agosto

Diogo Piçarra, Quatro e Meia, Valete, Vitor Kley, Santamaria e The Legendary Tigerman estão no cartaz

Há festas que fazem parte do calendário. E há festas que fazem parte da memória de gerações. As Festas Populares de Corroios estão entre essas duas realidades e regressam, de 21 a 30 de Agosto, para 10 noites de música, gastronomia, tradição e convívio no Parque Urbano da Quinta da Marialva. Entre carrosséis, tasquinhas, bailes e grandes concertos,  Corroios espera cerca de um milhão de visitantes. 
Recinto das Festas de Corroios volta a receber milhares de visitantes

Primeiro chega o cheiro. Depois ouve-se a música. Mais à frente, as luzes dos carrosséis começam a desenhar o caminho e, entre uma tasquinha e outra, cruzam-se famílias que chegam para jantar, grupos de amigos que já têm encontro marcado e jovens que procuram o palco onde a noite vai começar. Em Corroios, a festa não acontece apenas quando os músicos entram em palco. Começa muito antes.
É essa atmosfera que, entre 21 e 30 de Agosto, volta a instalar-se no Parque Urbano da Quinta da Marialva, para a 49.ª edição das Festas Populares de Corroios. 10 noites em que a freguesia se transforma num dos grandes pontos de encontro do verão no distrito de Setúbal e que, este ano, deverão voltar a atrair cerca de um milhão de visitantes.
Há quem vá pelos concertos. Há quem não falhe as farturas. Há quem procure as tasquinhas, os bailes populares ou os divertimentos. E há quem simplesmente regresse porque as Festas de Corroios fazem parte da sua memória.
É precisamente essa mistura que dá identidade a um dos maiores eventos populares da região.

Uma festa onde cabem várias gerações
O recinto volta a dividir a música por dois espaços, o Palco Corroios e o Palco Carlos Paredes, mas a programação não se limita a escolher nomes fortes para o cartaz.
A proposta é atravessar gerações e estilos. A primeira noite, a 21 de Agosto, começa com os Post Saudade, banda portuense vencedora do XXX Festival de Música Moderna, antes de The Legendary Tigerman, nome artístico de Paulo Furtado, levar ao palco a sua sonoridade marcada pelo rock e pelo blues.
Dois dias depois, a 23 de Agosto, a música portuguesa assume o protagonismo com Os Quatro e Meia e Miguel Araújo, convidado do espetáculo. A noite será também dedicada à solidariedade. Numa harmonia perfeita entre cultura e responsabilidade social, o espetáculo convida o público a contribuir com um título solidário de 10 euros - obrigatório a partir dos 10 anos de idade -, cuja receita reverte integralmente para a requalificação do Parque Urbano da Quinta da Marialva.
No dia 24, há um regresso que também é memória: os Santamaria voltam ao Palco Carlos Paredes, depois da passagem pela primeira edição das festas.
E a viagem musical continua. A 25 de Agosto, o fado de Ricardo Ribeiro leva ao recinto a tradição portuguesa, mas também uma leitura contemporânea do género. No dia seguinte, o som muda radicalmente, com Mass Disorder e The Revolution Within a protagonizarem a noite dedicada ao metal.
A 27, as batidas electrónicas entram em cena com Olga Zanova e Rúben da Cruz.
Depois chega o Brasil. Vitor Kley actua a 28 de Agosto, numa noite que promete juntar diferentes gerações à volta de canções que rapidamente conquistaram o público português.
No dia 29, o rap toma conta de Corroios com Valete. E quando tudo parecer estar a chegar ao fim, ainda haverá uma última noite. A 30 de Agosto, Diogo Piçarra encerra a edição de 2026.
O Palco Carlos Paredes recebe também o XL Festival de Folclore de Corroios no sábado, dia 22 de Agosto, um pilar essencial na salvaguarda e celebração da identidade cultural e das tradições populares. Organizado pelo Rancho de Danças e Cantares de Vale de Milhaços, este momento reforça o compromisso do evento com a preservação do património etnográfico nacional.

Mas a festa não está apenas nos palcos
Apesar dos grandes concertos, o folclore tem presença forte 
Se os concertos são os grandes momentos da noite, basta afastarmo-nos alguns metros para perceber que há outra festa a acontecer em simultâneo.
Há mesas ocupadas, petiscos a chegar, conversas que se prolongam e crianças que insistem em mais uma volta. Há música popular, encontros entre vizinhos e atuações de coletividades que fazem do movimento associativo uma das peças fundamentais das festas.
Há ainda artesanato, comércio e o Pavilhão de Atividades Económicas. E há a feira franca.
Carrosséis, divertimentos, farturas e outros sabores fazem parte de um cenário que, ano após ano, transforma a Quinta da Marialva num enorme espaço de convívio. É também por isso que a organização insiste numa ideia simples: esta é uma festa para todas as idades.
"Esta é uma festa para todas as gerações", sublinha a comissão de festas, que promete 10 dias de animação, diversão e convívio.

Um milhão de pessoas e uma memória que continua a crescer
A dimensão das Festas de Corroios já ultrapassou há muito as fronteiras da freguesia.
A organização considera o evento uma referência regional, capaz de receber visitantes de vários pontos da Área Metropolitana de Lisboa, e espera voltar a chegar a cerca de um milhão de pessoas.
Paulo Silva, presidente da Câmara Municipal do Seixal, considera que essa capacidade resulta precisamente da diversidade do evento.
"As festas populares desta freguesia têm um significado muito especial, pois ali encontramos de tudo um pouco: música tradicional e moderna, estilos musicais alternativos e a aparição de novos talentos", afirma.
Para o autarca, há outro ingrediente sem o qual a festa não seria possível: o movimento associativo.
"A tudo isto junta-se a gastronomia variada e a dedicação do movimento associativo, cuja participação é indispensável", acrescenta.
E deixa uma certeza: "Sem as nossas coletividades, associações e instituições particulares de solidariedade social, nada disto seria possível. Contamos com a presença de todos!".
A comissão de festas quer repetir a dimensão alcançada em anos anteriores e voltar a colocar Corroios entre os grandes acontecimentos culturais de entrada livre da Área Metropolitana de Lisboa.
"Queremos proporcionar à população de Corroios e a todos os que nos visitam, dias de muita animação, diversão e convívio", afirma a organização.
A capacidade de juntar quem vem pelo concerto com quem vem pelo petisco. Quem leva os filhos aos carrosséis com quem chega com amigos. Quem procura o fado com quem espera pelo rap. Quem já conhece cada canto do recinto com quem ali chega pela primeira vez.
Durante 10 dias, Corroios volta a ter espaço para todos. E quando a música acabar, as luzes dos palcos se apagarem e as últimas pessoas começarem a deixar a Quinta da Marialva, ficará aquilo que nenhuma programação consegue anunciar: as histórias, os encontros e as memórias de mais uma festa.
Porque, em Corroios, a festa pode durar mais de uma semana. Mas há memórias que ficam o ano inteiro.

Agência de Notícias 
Fotografia: JF Corroios 

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