Presidente da Associação das Festas de Palmela fala da tradição, identidade, trabalho, dificuldades financeiras e futuro
De 3 a 8 de Setembro, Palmela volta a viver seis dias em que a vinha, o vinho, a música, as tradições e as pessoas se encontram nas ruas. Mas a Festa das Vindimas começa muito antes de Setembro. Começa na memória de quem a recebeu das gerações anteriores, no trabalho de quem prepara os cortejos, nas mãos dos voluntários, nas coletividades e numa comunidade que reconhece nesta celebração uma parte da sua própria identidade.![]() |
| André Ribeiro: conduze a herança da Festa para o futuro |
Quem vive em Palmela sabe que Setembro não chega sozinho. Antes de a vila se encher de música, gente, aromas e movimento, há sinais que anunciam a mudança: os carros que transportam trabalhadores para as vinhas, a uva que segue para os lagares e o ritmo próprio de uma terra que, há gerações, aprendeu a medir parte do seu calendário pela vindima.
É nesse momento que chega também a Festa das Vindimas, cuja primeira edição aconteceu em 1963, depois de vários anos de um sonho partilhado por homens como Álvaro Cardoso e Tito Monteiro. Em 1958, Tito Monteiro já idealizava uma carreta para anunciar a futura festa, enquanto Álvaro Cardoso procurava a data adequada e chegou a Jerez de la Frontera, em Espanha, para conhecer as festas do vinho. A ideia acabou por ganhar forma em Palmela, dando origem a uma celebração criada para exaltar aquilo que melhor representava a região: a uva e o vinho.
Mais de seis décadas depois, é André Ribeiro quem tem a responsabilidade de ajudar a conduzir essa herança para o futuro. Presidente da Associação das Festas de Palmela pelo terceiro ano, sabe que organizar a Festa não significa apenas preparar um programa. Significa manter viva uma tradição sem deixar que ela fique parada no tempo.
E o trabalho começa muito antes de Agosto. Quando uma edição termina, a seguinte começa lentamente a ganhar forma. Reuniões, planeamento, segurança, cortejos, voluntários, associações e dezenas de decisões vão ocupando os meses seguintes até que, finalmente, a festa possa voltar a sair à rua.
É esse lado menos visível que André Ribeiro revela nesta entrevista exclusiva à ADN–Agência de Notícias, falando de uma festa que, na sua perspetiva, não pode ser tratada como apenas mais um evento popular. "Há uma história, há símbolos e, sobretudo, há uma comunidade inteira por detrás dela", diz.
Uma festa que nasceu da terra
Antes dos palcos, dos concertos e das grandes multidões, existe a razão pela qual a Festa nasceu: celebrar a terra e quem nela trabalha. A intenção era transformar aquilo que acontecia todos os anos nas vinhas numa celebração coletiva.
“A Festa das Vindimas começou na altura para dar destaque e para promover aquilo que eram os nossos vinhos da região”, explica André Ribeiro, lembrando que essa missão continua ligada à identidade da celebração.
Mas a homenagem vai muito além do vinho. É também dirigida a quem passa grande parte do ano entre a vinha e a adega, muitas vezes longe dos holofotes, para que no final do verão Palmela possa celebrar mais uma colheita.
“É nesse foco que continuamos e homenageando também todas essas pessoas que trabalham ao longo do ano para que em final de Agosto, e em Setembro, se possa fazer a Vindima para termos uma ótima colheita”, afirma. “É uma homenagem também a quem trabalha diariamente no campo e dedica o seu tempo em prol deste belíssimo néctar que depois temos na nossa mesa para beber e para provar”.
A Festa, por isso, não representa apenas uma tradição. É também uma forma de agradecer à terra e às pessoas que a trabalham.
Antes dos palcos, dos concertos e das grandes multidões, existe a razão pela qual a Festa nasceu: celebrar a terra e quem nela trabalha. A intenção era transformar aquilo que acontecia todos os anos nas vinhas numa celebração coletiva.
“A Festa das Vindimas começou na altura para dar destaque e para promover aquilo que eram os nossos vinhos da região”, explica André Ribeiro, lembrando que essa missão continua ligada à identidade da celebração.
Mas a homenagem vai muito além do vinho. É também dirigida a quem passa grande parte do ano entre a vinha e a adega, muitas vezes longe dos holofotes, para que no final do verão Palmela possa celebrar mais uma colheita.
“É nesse foco que continuamos e homenageando também todas essas pessoas que trabalham ao longo do ano para que em final de Agosto, e em Setembro, se possa fazer a Vindima para termos uma ótima colheita”, afirma. “É uma homenagem também a quem trabalha diariamente no campo e dedica o seu tempo em prol deste belíssimo néctar que depois temos na nossa mesa para beber e para provar”.
A Festa, por isso, não representa apenas uma tradição. É também uma forma de agradecer à terra e às pessoas que a trabalham.
Um sonho que chegou às ruas
A história começou a desenhar-se vários anos antes da primeira edição. Em 1958, Tito Monteiro já imaginava uma Festa das Vindimas em Palmela e, nesse mesmo ano, Álvaro Cardoso deslocou-se a Jerez de la Frontera para assistir às festas do vinho, encontrando ali cortejos de camponeses, trajes tradicionais, carros, uvas e a pisa que haveria de inspirar parte do imaginário da futura celebração.
O projeto acabou por ser adiado devido ao contexto político português, marcado pelos acontecimentos de Goa e pelo início da guerra em África. Só em 1963 a ideia chegou finalmente às ruas de Palmela.
Desde então, gerações diferentes foram acrescentando novas páginas a essa história. Hoje, quando os cortejos atravessam a vila, poucos pensarão nos homens que imaginaram uma festa que ainda não existia. Mas o sonho continua presente.
A história começou a desenhar-se vários anos antes da primeira edição. Em 1958, Tito Monteiro já imaginava uma Festa das Vindimas em Palmela e, nesse mesmo ano, Álvaro Cardoso deslocou-se a Jerez de la Frontera para assistir às festas do vinho, encontrando ali cortejos de camponeses, trajes tradicionais, carros, uvas e a pisa que haveria de inspirar parte do imaginário da futura celebração.
O projeto acabou por ser adiado devido ao contexto político português, marcado pelos acontecimentos de Goa e pelo início da guerra em África. Só em 1963 a ideia chegou finalmente às ruas de Palmela.
Desde então, gerações diferentes foram acrescentando novas páginas a essa história. Hoje, quando os cortejos atravessam a vila, poucos pensarão nos homens que imaginaram uma festa que ainda não existia. Mas o sonho continua presente.
“A festa é feita com todos e para todos”
É aqui que a história encontra o presente. O lema deste ano, “A tradição que nos une”, pretende traduzir a ligação entre a memória e a comunidade atual.
“A tradição que nos une é um bocadinho o complemento ao trabalho que já foi desenvolvido em 2024 e 2025 e que este ano queremos reforçar ainda mais esse papel, unir todos”, afirma André Ribeiro.
Para o presidente da Associação das Festas de Palmela, essa união não pode ser apenas uma ideia. Tem de acontecer na prática e envolver as estruturas que dão vida ao concelho.
“Queremos envolver as associações, queremos envolver a população, queremos envolver todos, porque a festa é feita com todos e para todos, assim é que deve ser”, sublinha.
É nas coletividades, nas filarmónicas, nos grupos de folclore e nos voluntários que essa participação ganha rosto. A Festa não é, por isso, propriedade de quem a organiza. É uma construção coletiva que todos os anos volta a reunir diferentes gerações.
É aqui que a história encontra o presente. O lema deste ano, “A tradição que nos une”, pretende traduzir a ligação entre a memória e a comunidade atual.
“A tradição que nos une é um bocadinho o complemento ao trabalho que já foi desenvolvido em 2024 e 2025 e que este ano queremos reforçar ainda mais esse papel, unir todos”, afirma André Ribeiro.
Para o presidente da Associação das Festas de Palmela, essa união não pode ser apenas uma ideia. Tem de acontecer na prática e envolver as estruturas que dão vida ao concelho.
“Queremos envolver as associações, queremos envolver a população, queremos envolver todos, porque a festa é feita com todos e para todos, assim é que deve ser”, sublinha.
É nas coletividades, nas filarmónicas, nos grupos de folclore e nos voluntários que essa participação ganha rosto. A Festa não é, por isso, propriedade de quem a organiza. É uma construção coletiva que todos os anos volta a reunir diferentes gerações.
Há uma Palmela que desfila
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| Meses de trabalho comunitário ganham as ruas no Cortejo |
Quando os carros alegóricos saem à rua, o público vê o resultado, mas dificilmente imagina os meses de trabalho que ficaram para trás. São dois a três meses de preparação, com muitos voluntários envolvidos na construção das peças que depois percorrem Palmela por duas vezes.
“É um trabalho que merece ser valorizado e que tem um investimento também bastante grande”, explica André Ribeiro, referindo a aposta na iluminação decorativa das peças para reforçar o impacto do Cortejo Noturno.
E há uma certeza quando fala daquele momento: “Certamente as pessoas também vêm para ver o Cortejo das Vindimas, que não há em mais sítio nenhum”.
É precisamente essa singularidade que a organização quer preservar.
A tradição não vive apenas de memória
O Cortejo dos Camponeses, a Pisa da Uva e a Bênção do Primeiro Mosto continuam a ocupar um lugar central, mas a preocupação passa por garantir que estas tradições não ficam apenas na memória de quem as viveu.
“Temos vindo com as coletividades, a Sociedade Filarmónica Humanitária, a Sociedade Filarmónica Palmelense ‘Loureiros’, os cavalinhos de ambas as coletividades e temos vindo a fazer aqui um trabalho de união e de modo a envolvermos todos para que não se perca esta tradição, porque é uma coisa única e é um dos momentos principais também da nossa festividade”, explica.
A Pisa da Uva mantém, aliás, uma ligação muito direta à própria essência da Festa.
“É o momento principal”, afirma André Ribeiro, explicando que a pisa permite também uma primeira perceção sobre o grau provável das uvas e, consequentemente, sobre a qualidade dos vinhos desse ano.
É um ritual, mas não é apenas um ritual. É a terra a voltar a falar dentro da festa.
O Cortejo dos Camponeses, a Pisa da Uva e a Bênção do Primeiro Mosto continuam a ocupar um lugar central, mas a preocupação passa por garantir que estas tradições não ficam apenas na memória de quem as viveu.
“Temos vindo com as coletividades, a Sociedade Filarmónica Humanitária, a Sociedade Filarmónica Palmelense ‘Loureiros’, os cavalinhos de ambas as coletividades e temos vindo a fazer aqui um trabalho de união e de modo a envolvermos todos para que não se perca esta tradição, porque é uma coisa única e é um dos momentos principais também da nossa festividade”, explica.
A Pisa da Uva mantém, aliás, uma ligação muito direta à própria essência da Festa.
“É o momento principal”, afirma André Ribeiro, explicando que a pisa permite também uma primeira perceção sobre o grau provável das uvas e, consequentemente, sobre a qualidade dos vinhos desse ano.
É um ritual, mas não é apenas um ritual. É a terra a voltar a falar dentro da festa.
Uma terra de músicos e bandas filarmónicas
A identidade da Festa também passa pelo som. As duas sociedades filarmónicas de Palmela - a Sociedade Filarmónica Humanitária e a Sociedade Filarmónica Palmelense ‘Loureiros’ - têm um papel importante nos momentos inaugurais, no cortejo, na Pisa da Uva e na Bênção do Primeiro Mosto.
A organização procura também dar-lhes espaço no palco principal, este ano com FF a atuar com a banda da Sociedade Filarmónica Humanitária e Herman José com a banda da Sociedade Filarmónica Palmelense ‘Loureiros’.
“É uma maneira também de conseguirmos mostrar a todos aqueles que nos visitam que isto é uma terra de músicos e que temos muito bons músicos e muito boas sociedades, a fazer um excelente trabalho ao longo de todo o ano”, afirma André Ribeiro.
É esta soma de pequenas identidades que acaba por formar a identidade maior da Festa.
A identidade da Festa também passa pelo som. As duas sociedades filarmónicas de Palmela - a Sociedade Filarmónica Humanitária e a Sociedade Filarmónica Palmelense ‘Loureiros’ - têm um papel importante nos momentos inaugurais, no cortejo, na Pisa da Uva e na Bênção do Primeiro Mosto.
A organização procura também dar-lhes espaço no palco principal, este ano com FF a atuar com a banda da Sociedade Filarmónica Humanitária e Herman José com a banda da Sociedade Filarmónica Palmelense ‘Loureiros’.
“É uma maneira também de conseguirmos mostrar a todos aqueles que nos visitam que isto é uma terra de músicos e que temos muito bons músicos e muito boas sociedades, a fazer um excelente trabalho ao longo de todo o ano”, afirma André Ribeiro.
É esta soma de pequenas identidades que acaba por formar a identidade maior da Festa.
O difícil equilíbrio entre crescer e continuar a ser Palmela
Manter uma tradição viva não significa repetir tudo exatamente como acontecia no passado. É preciso encontrar novos públicos, criar novos espaços e acrescentar propostas sem retirar à Festa aquilo que a tornou reconhecível.
A organização está, por isso, a recuperar espaços e a criar novas áreas. A Rua General Amílcar Mota recebe expositores de artesanato e comércio local, enquanto a zona junto à Igreja do Largo de São João terá pequenas adegas, produtores e produtos regionais, complementando o Mercado do Vinho.
Também o Mercado do Vinho procura assumir um papel cada vez mais central, com restauração, adegas, música ao final da tarde e sunsets.
“Temos vindo a tentar com que o espaço do Mercado do Vinho seja o espaço central das festas”, explica André Ribeiro, numa aposta que pretende levar os visitantes a conhecer e provar os vinhos da região.
A modernização, porém, não pode significar perda de identidade. É nessa fronteira que a Associação procura construir, ano após ano, uma Festa contemporânea sem deixar de ser reconhecível.
A organização está, por isso, a recuperar espaços e a criar novas áreas. A Rua General Amílcar Mota recebe expositores de artesanato e comércio local, enquanto a zona junto à Igreja do Largo de São João terá pequenas adegas, produtores e produtos regionais, complementando o Mercado do Vinho.
Também o Mercado do Vinho procura assumir um papel cada vez mais central, com restauração, adegas, música ao final da tarde e sunsets.
“Temos vindo a tentar com que o espaço do Mercado do Vinho seja o espaço central das festas”, explica André Ribeiro, numa aposta que pretende levar os visitantes a conhecer e provar os vinhos da região.
A modernização, porém, não pode significar perda de identidade. É nessa fronteira que a Associação procura construir, ano após ano, uma Festa contemporânea sem deixar de ser reconhecível.
Uma festa que custa, também, a quem a faz
Por trás da beleza há contas. E André Ribeiro não esconde essa realidade.
A organização entrou em 2026 com um desafio financeiro acrescido, depois de ficar um valor por liquidar relativo à edição anterior. Foi necessário reduzir custos em várias áreas, incluindo a programação musical e a montagem do recinto.
“Este ano tivemos aqui um desafio grande. Tivemos aqui um valor que ficou por liquidar ainda de 2025 e então este ano fomos aqui um bocadinho obrigados a reduzir aqui os custos em diversas áreas”, revela.
A Associação conta com o apoio financeiro e logístico da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, além das receitas que consegue gerar, mas os custos continuam a subir.
“Mesmo a parte financeira é um desafio muito grande porque ano após ano tudo tem aumentado, tudo o que é orçamento tem aumentado”, reconhece.
A resposta passa por tentar proteger aquilo que considera essencial e fazer escolhas para garantir que a Festa continua a chegar às ruas com qualidade.
“Fazemos aqui uma luta para conseguir, com o orçamento que temos, dar a Palmela, a quem nos visita, a todos, a melhor festa possível”, afirma.
Por trás da beleza há contas. E André Ribeiro não esconde essa realidade.
A organização entrou em 2026 com um desafio financeiro acrescido, depois de ficar um valor por liquidar relativo à edição anterior. Foi necessário reduzir custos em várias áreas, incluindo a programação musical e a montagem do recinto.
“Este ano tivemos aqui um desafio grande. Tivemos aqui um valor que ficou por liquidar ainda de 2025 e então este ano fomos aqui um bocadinho obrigados a reduzir aqui os custos em diversas áreas”, revela.
A Associação conta com o apoio financeiro e logístico da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, além das receitas que consegue gerar, mas os custos continuam a subir.
“Mesmo a parte financeira é um desafio muito grande porque ano após ano tudo tem aumentado, tudo o que é orçamento tem aumentado”, reconhece.
A resposta passa por tentar proteger aquilo que considera essencial e fazer escolhas para garantir que a Festa continua a chegar às ruas com qualidade.
“Fazemos aqui uma luta para conseguir, com o orçamento que temos, dar a Palmela, a quem nos visita, a todos, a melhor festa possível”, afirma.
Uma festa que não se faz apenas no palco
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| Uma homenagem à terra, à vinha e ao vinho |
A Associação das Festas de Palmela recebe 60 mil euros de apoio da Câmara Municipal, a que se junta o apoio financeiro e logístico da Junta de Freguesia, no valor de 7.500 euros.
“Recebemos um apoio de 60 mil euros, um valor monetário, mas depois também recebemos todo o apoio logístico e isso também é fundamental para uma festa desta dimensão”, explica.
Há trabalho antes, durante e depois da Festa: transportar instrumentos, mesas e barris, preparar espaços, assegurar intervenções e garantir a limpeza são apenas algumas das tarefas de uma operação que continua mesmo quando a música termina.
“É um grande desafio, ano após ano temos sempre coisas diferentes que vamos descobrindo e estamos sempre a ir evoluindo e melhorando aqui vários pontos que têm sido fundamentais. É um trabalho que se vai construindo ano após ano”, afirma.
Meio milhão de euros para seis dias
A dimensão financeira percebe-se melhor quando André Ribeiro coloca números em cima da mesa.
Com os apoios logísticos da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia e todas as despesas suportadas diretamente pela Associação, a Festa das Vindimas ronda 500 mil euros de custo total.
“Para terem aqui também um bocadinho noção, com o apoio logístico da Câmara, da Junta e tudo aquilo que a Associação paga de fornecedores que contrata, porque a Câmara e a Junta não conseguem assegurar tudo, então há partes que são contratadas, a festa ronda aos 500 mil euros, o custo total”, explica.
A organização conta ainda com cerca de 80 expositores ligados à restauração e ao artesanato e estima receber aproximadamente 300 mil visitantes ao longo dos seis dias.
O impacto ultrapassa, por isso, largamente o recinto da Festa. “Certamente é um número significativo de movimento que gera aqui para os hotéis, o alojamento local, o nosso comércio, os restaurantes que também temos aqui no meio da vila e certamente é muito bom para todos”, considera André Ribeiro.
O trabalho começa quando a Festa acaba
Para o público, os seis dias de Setembro são o momento da celebração. Para a Associação, o trabalho começa muito antes e praticamente continua assim que termina uma edição.
“Quando acabamos a festa em Setembro, não digo logo em Outubro, mas em Novembro, Dezembro começamos a reunir quase de duas em duas semanas para iniciar as preparações de mais um grande evento”, conta André Ribeiro.
A partir de Junho, o ritmo acelera e as reuniões passam a ser semanais. Há a eleição da Rainha, as provas desportivas, as manhãs infantis, a segurança, os fornecedores, a programação e uma sucessão de compromissos que precisam de estar resolvidos antes de Palmela voltar a vestir-se de festa.
É uma máquina que o público quase nunca vê. Mas é também essa parte invisível que permite que, durante seis dias, tudo pareça acontecer naturalmente.
Para o público, os seis dias de Setembro são o momento da celebração. Para a Associação, o trabalho começa muito antes e praticamente continua assim que termina uma edição.
“Quando acabamos a festa em Setembro, não digo logo em Outubro, mas em Novembro, Dezembro começamos a reunir quase de duas em duas semanas para iniciar as preparações de mais um grande evento”, conta André Ribeiro.
A partir de Junho, o ritmo acelera e as reuniões passam a ser semanais. Há a eleição da Rainha, as provas desportivas, as manhãs infantis, a segurança, os fornecedores, a programação e uma sucessão de compromissos que precisam de estar resolvidos antes de Palmela voltar a vestir-se de festa.
É uma máquina que o público quase nunca vê. Mas é também essa parte invisível que permite que, durante seis dias, tudo pareça acontecer naturalmente.
O que fica quando as luzes se apagam
André Ribeiro não fala da Festa como algo acabado. Fala dela como um projeto em construção.
“É um grande desafio, ano após ano temos sempre coisas diferentes que vamos descobrindo e estamos sempre a ir evoluindo e melhorando aqui vários pontos que têm sido fundamentais. É um trabalho que se vai construindo ano após ano”, explica.
Talvez seja também essa a melhor forma de olhar para a história da Festa das Vindimas. Em 1958, alguém imaginou uma celebração que ainda não existia. Em 1963, esse sonho chegou finalmente às ruas. Desde então, gerações diferentes foram acrescentando novas peças à mesma história.
Hoje, André Ribeiro e a sua equipa têm precisamente essa responsabilidade: receber uma tradição que já não lhes pertence apenas e entregá-la àqueles que virão depois.
Porque a Festa das Vindimas pode mudar, crescer, ganhar novos espaços, novos sons e novas formas de chegar às pessoas. Mas há coisas que não podem desaparecer: a uva, o vinho, a terra, as pessoas, o cortejo, a pisa e a bênção. Nem a "sua" Rainha!
E aquela sensação, quando Setembro chega, de que Palmela volta a reconhecer-se nas suas próprias ruas.
Como resume André Ribeiro:
“A Festa das Vindimas de Palmela foi a primeira Festa das Vindimas em Portugal e que tem esta essência que marca tão forte as festividades, a Pisa da Uva, a Bênção do Mosto, o Cortejo das Vindimas, a eleição da Rainha, a inauguração. Isto é único e é nosso”.
E é precisamente essa dimensão humana que estará no centro da segunda parte desta entrevista à ADN, onde André Ribeiro fala da Rainha das Vindimas, das novas provas para as candidatas, da representação de Palmela e dos desafios que esta tradição terá de enfrentar nos próximos anos.
André Ribeiro não fala da Festa como algo acabado. Fala dela como um projeto em construção.
“É um grande desafio, ano após ano temos sempre coisas diferentes que vamos descobrindo e estamos sempre a ir evoluindo e melhorando aqui vários pontos que têm sido fundamentais. É um trabalho que se vai construindo ano após ano”, explica.
Talvez seja também essa a melhor forma de olhar para a história da Festa das Vindimas. Em 1958, alguém imaginou uma celebração que ainda não existia. Em 1963, esse sonho chegou finalmente às ruas. Desde então, gerações diferentes foram acrescentando novas peças à mesma história.
Hoje, André Ribeiro e a sua equipa têm precisamente essa responsabilidade: receber uma tradição que já não lhes pertence apenas e entregá-la àqueles que virão depois.
Porque a Festa das Vindimas pode mudar, crescer, ganhar novos espaços, novos sons e novas formas de chegar às pessoas. Mas há coisas que não podem desaparecer: a uva, o vinho, a terra, as pessoas, o cortejo, a pisa e a bênção. Nem a "sua" Rainha!
E aquela sensação, quando Setembro chega, de que Palmela volta a reconhecer-se nas suas próprias ruas.
Como resume André Ribeiro:
“A Festa das Vindimas de Palmela foi a primeira Festa das Vindimas em Portugal e que tem esta essência que marca tão forte as festividades, a Pisa da Uva, a Bênção do Mosto, o Cortejo das Vindimas, a eleição da Rainha, a inauguração. Isto é único e é nosso”.
E é precisamente essa dimensão humana que estará no centro da segunda parte desta entrevista à ADN, onde André Ribeiro fala da Rainha das Vindimas, das novas provas para as candidatas, da representação de Palmela e dos desafios que esta tradição terá de enfrentar nos próximos anos.



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