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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Um terço dos utentes de instituições passou fome

Retrato de um país empobrecido 

Segundo o estudo, promovido pelo Banco Alimentar contra a Fome e pela Entreajuda, cerca de 20 por cento dos 1889 utentes de instituições sociais inquiridos afirmaram ter tido falta de alimentos ou sentido fome "alguns dias por semana" nos seis meses anteriores e 13 por cento referiu que tal aconteceu "pelo menos um dia por semana". Apesar disso, o estudo assinala que os dados recolhidos em 2014 e 2015 revelam uma melhoria na situação alimentar destes utentes relativamente a 2012 (26 e 14 por cento respetivamente), quando tinha sido realizada a última edição deste trabalho, iniciado em 2010. A maioria dos inquiridos (55 por cento) considerou que a sua vida estava pior do que há cinco anos e, quando perspectiva o futuro, a maioria (42 por cento) considera que a sua vida estará igual e 30 por cento que estará melhor.
Mais de metade dos inquiridos revela que vive pior em 2015 

"Verificou-se um aumento significativo dos utentes que referem nunca ter tido fome ou falta de alimentos por falta de dinheiro, diminuindo a percentagem daqueles que sentiram fome ou falta de alimentos alguns dias por semana", diz o estudo.
Ainda assim, 26 por cento dos utentes referiu que tinha passado um dia inteiro sem ingerir quaisquer alimentos por falta de dinheiro, percentagem que em 2012 era de 39 por cento.
A percentagem de utentes que recorreu à ajuda das instituições de solidariedade social (51 por cento) mantém-se ao mesmo nível de 2012 e o apoio alimentar, na forma de cabazes ou refeições, foi a principal área em que os inquiridos receberam ajuda (87 por cento dos casos).
Os inquiridos no estudo são na sua maioria desempregados (38 por cento) ou reformados (29 por cento), com uma média de idades de 53 anos, e na maioria casados ou a viver em união de facto (43 por cento).
Em 66 por cento dos casos havia uma ou duas pessoas desempregadas no agregado familiar, que eram contituidos em média por três pessoas.
Relativamente à situação económica, em 52 por cento dos agregados familiares, o rendimento mensal era igual ou inferior a 400 euros (25 por cento das famílias ganhavam menos 250 euros, 28 por cento entre 251 e 400 euros, 20 por cento entre 401 e 500 euros e 28 por cento mais de 500 euros), dados que se mantêm em relação a 2012.
A casa (70 por cento) e a alimentação (64 por cento) eram as duas maiores despesas, de acordo com os inquiridos, seguidas das despesas com a saúde (39 por cento).
Cerca de metade dos inquiridos  referiu gastar, por mês, com a casa (incluindo renda ou empréstimo, água, luz, gás, telecomunicações) até 250 euros e cerca de um quarto gastava entre 251 a 400 euros mensais com a casa.
Para 53 por cento dos utentes, o rendimento da família nunca era suficiente para viver e 33 por cento referiu que às vezes era suficiente.
O inquérito adianta que, apesar do sentido negativo das respostas, os inquiridos têm uma perceção sobre o seu rendimento familiar mais positiva do que em 2012 (60 por cento dizia em 2012 que o rendimento da família nunca era suficiente para viver).
Os dados dos estudo permitem perceber uma "ligeira melhoria das condições de vida dos indivíduos ou pelo menos da perceção que estes têm acerca daquelas".
Em 2010, cerca de 72 por cento dos inquiridos dizia sentir-se pobre, dois anos depois tal situação foi apontada por 82 por cento e em 2014 o valor é de 79 por cento.
Entre os que se sentem pobres destacam-se sobretudo aqueles que têm menos de 65 anos, com rendimentos baixos e com escolaridade abaixo do ensino secundário.
Sobre as causas da situação de pobreza, 47 por cento das respostas atribuem a sua pobreza ao desemprego ou aos baixos rendimentos, enquanto 38 por cento dos inquiridos consideram que são pobres devido a alguma fatalidade (destino, doenças ou acidentes).

Agência de Notícias


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