Pinhal Novo canta em uníssono: Cante Novo celebra um ano com festa, memória e futuro

Cante Novo assinala aniversário com encontro histórico e estreia feminina no dia 31 de Janeiro 

No último dia de Janeiro, o Pinhal Novo vai muito além da celebração de um simples aniversário. Vai celebrar identidade, memória e futuro. O grupo coral Cante Novo assinala o seu primeiro ano de existência com um grande Encontro de Cante Alentejano, reunindo vozes de várias localidades e prometendo transformar a vila num palco vivo de tradição, emoção e partilha cultural. A iniciativa tem início às 16 horas, no Jardim José Maria dos Santos, caso as condições meteorológicas o permitam, seguindo depois para as instalações da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Pinhal Novo, com entrada livre e convite aberto à comunidade.
Vozes unidas celebram um ano de cante no Pinhal Novo

Antes de se afirmar como encontro regional, o evento é, acima de tudo, a celebração de um percurso improvável e intenso. Fundado em Janeiro de 2025, no Bairro da Cascalheira, o Cante Novo nasceu sob a égide da Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira, que desde o primeiro momento acolheu e impulsionou o projeto.
“O dia 31 de janeiro marca exatamente um ano desde a criação do grupo e quisemos assinalar essa data”, explica Pedro Martins, coordenador do Cante Novo, em entrevista à ADN-Agência de Notícias. “Mas percebemos que, se era para celebrar, fazia sentido transformar o aniversário num verdadeiro encontro de cante”, refere.
O grupo começou com apenas 11 elementos e cresceu de forma natural para cerca de 32 cantadores, com idades entre os 13 e os 82 anos, distribuídos pelas vozes primeiras, segundas e baixos. Uma diversidade geracional que espelha o espírito coletivo do cante alentejano.
“Temos pessoas que nasceram longe daqui, como em Chaves, mas que sempre se identificaram com o cante e fazem parte da nossa família”, explica Pedro Martins. “Já temos pais e filhos no grupo, e até três gerações da mesma família. Isso deixa-nos muito orgulhosos”.

Grupos convidados dão corpo a um encontro inédito
O primeiro aniversário do Cante Novo marca também o primeiro Encontro de Cante Alentejano realizado no Pinhal Novo. Ao longo da tarde e da noite, sobem a palco seis grupos representativos desta expressão cultural profundamente enraizada no Alentejo.
Estarão presentes o Alma Alentejana, de Garvão, no concelho de Ourique, os Boinas de Ferreira do Alentejo, a Velha Guarda de Viana do Alentejo, vila com fortes ligações ao Bairro da Cascalheira, e os Ausentes do Alentejo, grupo de referência no concelho de Palmela. E a estreia do grupo feminino: as Maganas. 
“É uma honra enorme receber todos estes grupos”, sublinha Pedro Martins. “São referências do cante e fazem parte da história que queremos construir aqui”, afirma.
O formato do encontro aposta na proximidade e no espírito comunitário, com atuações iniciais ao ar livre no jardim, seguidas de uma caminhada conjunta até à ARPI, onde todos os grupos atuarão em palco e partilharão um jantar de confraternização.

A casa onde o cante ganhou raízes
O Bairro da Cascalheira não é apenas o berço do Cante Novo. É também a sua casa emocional e simbólica. Um território marcado pela forte presença de famílias oriundas do Alentejo, sobretudo da zona de Viana do Alentejo.
“Eu moro aqui no bairro e apresentei o projeto à Associação, que nos recebeu de braços abertos”, recorda Pedro Martins. “Desde o primeiro momento acreditaram em nós. Isto é a nossa casa”, diz.
A ligação estende-se também ao plano espiritual. O bairro tem como padroeira Nossa Senhora de Aires, figura profundamente ligada à identidade local. “Sentimo-nos mesmo em casa quando aqui ensaiamos ou atuamos”, sublinha o coordenador.

O silêncio que antecede a primeira nota
No cante alentejano não há instrumentos nem amplificadores. Há vozes. E há silêncio.
“Quando o silêncio se instala, sentimos que as pessoas querem ouvir”, descreve José Ricardo, maestro e ensaiador do Cante Novo. “Isso dá-nos motivação, mas também responsabilidade”, afirma.
Pedro Martins reforça essa dimensão emocional. “A música traz amizade. Cantar juntos fortalece os laços. Estamos unidos pelo canto. O cante vive apenas da força das vozes”, explica. 

Do bairro para os palcos nacionais
Tradição e futuro encontram-se no Encontro de Cante
A evolução artística do Cante Novo tornou-se visível logo nos primeiros meses. Em Abril de 2025, o grupo conquistou o segundo lugar no concurso “Pinhal Novo Tem Talento”, promovido pela Sociedade Filarmónica União Agrícola.
“Foi arrepiante. Estávamos muito nervosos”, recorda Pedro Martins. “Mas foi aí que sentimos, pela primeira vez, o impacto do que fazíamos em quem nos ouvia”. A SFUA, sublinha, é uma escola e uma referência: “A maioria dos fundadores veio do coro da SFUA. Aquela noite foi um clique. Abriu-nos portas”.
Seguiram-se atuações em encontros de cante, festividades populares e programas televisivos.
O grupo participou no The Voice Gerações 2025, esteve no programa “Estrelas ao Sábado”, da RTP1, onde alcançou as semifinais, e marcou presença em “A Nossa Tarde”, também da RTP.
“A televisão tem uma força enorme e sentimos que muito mais gente nos ouviu”, reconhece José Ricardo. Ainda assim, o foco mantém-se. “Cantamos porque gostamos. Procuramos harmonia, à nossa maneira”, afirma.

Reinventar para chegar aos mais novos
A preocupação com a continuidade do cante passa também pela renovação do repertório. “Pegámos em músicas como ‘A Fisga’ e transformámo-las em cante”, explica o maestro. “Os jovens acabam por perceber que isto também é deles”, acrescenta.
Uma estratégia essencial para manter vivo um património reconhecido pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Maganas: quando as vozes femininas pediram palco
As Maganas estão prontas para a grande estreia a 31 de Janeiro
O primeiro aniversário traz uma novidade marcante: a estreia das Maganas, grupo coral feminino ligado ao Cante Novo.
“Então e nós? Nós não cantamos?”, recorda José Ricardo, entre risos. A pergunta transformou-se em projeto. “Está a correr muito bem e a estreia vai ser bastante boa”, garante.
As Maganas terão como madrinha Celina da Piedade, que aceitou o convite com entusiasmo, reforçando a importância e o reconhecimento deste novo passo.

Um convite aberto à comunidade
No dia 31 de Janeiro, o Pinhal Novo vai cantar em uníssono. Vai celebrar um ano de Cante Novo, mas também a memória coletiva, a amizade e a cultura partilhada.
“O convite é para todos os que gostam de canto, do Alentejo e da cultura”, deixa Pedro Martins. “Juntem-se a nós e venham celebrar conosco”, convida.
Entre o silêncio e a primeira nota, há muito mais do que música. Há pertença. Há futuro. Há cante.
O evento é promovido pela Eu Amo Cascalheira, em parceria com a Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira, contando com o apoio da Junta de Freguesia de Pinhal Novo, do Município de Palmela, de parceiros empresariais da região e da cobertura permanente da ADN-Agência de Notícias, parceiro oficial do grupo.
Mais do que uma comemoração, o Encontro de Cante afirma-se como um contributo decisivo para a preservação e divulgação do cante alentejano, reforçando laços culturais entre gerações e territórios.

Agência de Notícias 
Fotografia: Cante Novo e Paulo Jorge Oliveira/ADN 

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