14 anos de Casa da Cultura: o espaço que continua a dar voz à arte em Setúbal

Do antigo Círculo Cultural às novas gerações de artistas, a Casa da Cultura mantém portas abertas à cidade

Há casas que guardam memórias. E há outras que continuam a criar novas. Em Setúbal, a Casa da Cultura chegou aos 14 anos com essa missão ainda bem viva: abrir espaço para quem cria, para quem procura cultura e para diferentes formas de olhar, pensar e fazer arte.
14 anos, muitas vozes e espaço para novas histórias

Inaugurado a 5 de Outubro de 2012, o equipamento municipal assinalou esta segunda-feira o aniversário com uma festa aberta ao público, integrada numa programação que se prolonga até dia 9 e que volta a colocar a criação artística no centro da cidade. Mas a história começou muito antes de 2012.
O edifício que hoje acolhe a Casa da Cultura teve durante décadas uma ligação forte à vida cultural e cívica de Setúbal. Foi ali que funcionou o Círculo Cultural de Setúbal, espaço de acesso à cultura, debate, criação artística e participação cívica. É essa memória que o município diz querer manter viva.
Na cerimónia de aniversário, realizada no Pátio do Dimas, a vereadora da Câmara Municipal de Setúbal, Ivone Campos, lembrou que o edifício tem "uma história muito particular na vida cívica e cultural da cidade".
Quando o município o recuperou e refuncionalizou, em 2012, procurou dar-lhe uma nova vida sem apagar aquilo que já tinha acontecido dentro daquelas paredes. Hoje, explicou a autarca, o espaço funciona como lugar de "criação, divulgação, participação e fruição cultural", ao serviço dos artistas, das estruturas culturais, do movimento associativo e da população.

Uma casa onde cabem diferentes linguagens
Ao longo destes 14 anos, a Casa da Cultura procurou não ficar presa a uma única ideia de cultura. Acolher quem está a começar e quem já tem um caminho feito. Dar espaço a novas linguagens. Juntar artistas, associações e público. Criar encontros entre diferentes formas de expressão.
É esse cruzamento que está na base de uma programação feita de exposições, tertúlias, debates, concertos e ações de formação, mas também de documentação e investigação. Para Ivone Campos, este trabalho só ganha sentido porque é feito com outras pessoas e organizações. São "diversas entidades" que, ao longo do tempo, têm ajudado a dar "identidade e vida à casa".
E há uma ideia que atravessa essa relação: "A cultura constrói-se em rede". A vereadora defendeu que uma casa da cultura é tanto mais forte quanto maior for a sua capacidade de acolher "diferentes vozes, diferentes saberes e diferentes expressões".
Talvez seja essa uma das melhores formas de explicar os 14 anos deste espaço: uma casa que não pretende falar sozinha.

Um aniversário com música, cinema e fotografia
A celebração desta segunda-feira juntou bolo de aniversário, moscatel e música no Pátio do Dimas, com a participação do Coro da Escola de Jazz da Sociedade Musical Capricho Setubalense.
Depois, o aniversário saiu para o exterior do edifício com um concerto do músico brasileiro Filó Machado.
A programação especial já tinha começado no dia 2, com a exibição de "La Haine", de Mathieu Kassovitz, integrada no ciclo Filme Francês do Mês. No dia 3, foi a vez de Tracy Vandal & John Mercy subirem ao palco. 
E ainda falta uma das noites mais aguardadas. No dia 9, às 21h30, o Cinema Charlot - Auditório Municipal recebe Grant-Lee Phillips. O cantor e compositor norte-americano apresenta temas de "In the Hour of Dust", num concerto com bilhetes a cinco euros.
Há também espaço para a imagem e para o desenho. Até 18 de Outubro, estão patentes duas exposições: "Wayback Machine", de José Bértolo, e "Livro na Cidade", que reúne desenhos de alunos do Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama.
A Casa da Cultura chega aos 14 anos sem fechar a porta ao que vem a seguir. Porque, numa casa dedicada à criação, celebrar o passado só faz sentido quando ainda existe espaço para a próxima ideia, o próximo artista e a próxima história.

Agência de Notícias 
Fotografia: CM Setúbal 

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