Gente da Nossa Terra: Manuel Lagarto, entre a memória e a identidade de Pinhal Novo

Cresceu entre a terra e os caminhos de ferro e acabou por ajudar a dar nova vida às tradições locais

Manuel Lagarto é uma das pessoas que ajudaram a construir a memória recente de Pinhal Novo. A história começa muito antes da Junta, da Confraria da Sopa Caramela ou do Mercado Caramelo: começa na Venda do Alcaide, numa infância rural onde brincar na rua, conviver e estar perto das pessoas fazia parte da vida. Mais tarde vieram o associativismo, três mandatos à frente da Junta de Freguesia, a defesa da Sopa Caramela, a criação do Mercado Caramelo e o Natal na Vila. No novo capítulo de Gente da Nossa Terra, Manuel Lagarto recorda o caminho que fez e revela uma preocupação que continua a acompanhá-lo: como fazer com que Pinhal Novo nunca deixe cair aquilo que construiu.
Manuel Lagarto, uma vida ligada ao Pinhal Novo

Antes de ser símbolo, a Sopa Caramela era jantar. Antes de o Mercado Caramelo se tornar um dos grandes acontecimentos do Pinhal Novo, era apenas uma ideia nascida depois de uma feira que deixou de se fazer. E muito antes de Manuel Lagarto estar ligado a tudo isto, havia um rapaz na Venda do Alcaide a crescer entre a terra da mãe, os caminhos de ferro do pai e uma rua onde as crianças ainda podiam passar o dia a brincar. É por aí que começa esta história.
Não começa na Junta de Freguesia, nem numa sala de reuniões, nem sequer na Confraria. Começa numa infância rural, numa casa onde a terra fazia parte da vida e numa época em que os vizinhos se conheciam, os miúdos cresciam juntos e a rua era muito mais do que um lugar de passagem.
Anos mais tarde, algumas dessas memórias voltariam à vida pelas mãos de uma comunidade que decidiu não deixar desaparecer aquilo que tinha recebido. E Manuel Lagarto estaria no meio desse movimento.

Na Venda do Alcaide, a infância tinha o tamanho da rua
Manuel nasceu na Venda do Alcaide, numa zona que descreve como "absolutamente rural". A mãe era doméstica e trabalhava a terra. O pai era funcionário dos Caminhos de Ferro. E, como acontecia em tantas famílias daquele tempo, uma criança crescia acompanhando o mundo dos adultos, aprendendo a conhecer a terra muito antes de saber que ela um dia seria memória. Mas há outra imagem que Manuel guarda com especial nitidez: a rua.
Não como cenário, mas como lugar de encontro. Era ali que se brincava, que se encontravam os amigos e que se crescia ao lado das pessoas da mesma geração. Havia menos distância entre as casas e entre as pessoas. A infância acontecia do lado de fora.
"Era extremamente importante para mim essa possibilidade que nós tínhamos de brincar na rua, de convivermos com os amigos e com as pessoas que eram da nossa criação. Hoje isso existe muito menos". É uma frase simples, mas talvez explique muito do homem que viria a ser.
Porque, olhando para o percurso de Manuel, há uma palavra que aparece constantemente, mesmo quando ele não a pronuncia: comunidade.

O Pinhal Novo entrou devagar na sua vida
A infância não foi passada propriamente no centro do Pinhal Novo. Manuel andou na escola na Palhota e só começou a viver a vila com maior frequência quando cresceu. Havia as idas ao mercado aos domingos com os pais e houve também um momento que ficou guardado na memória: a vinda ao Pinhal Novo para fazer o exame da quarta classe e a admissão à escola e ao liceu.
Depois veio a adolescência. E com ela chegou uma presença mais diária na vila. Foi no Pinhal Novo que começou a trabalhar e foi também aí que começou a descobrir, de forma mais profunda, uma terra com uma enorme vida associativa.
O associativismo não nasceu, portanto, de uma decisão pensada muitos anos antes. Foi aparecendo. Primeiro, ainda jovem, na Venda do Alcaide.
Com cerca de 17 ou 18 anos, ajudou a criar o Grupo Desportivo Os Alcaides. Naquele lugar havia pouco para fazer e havia uma necessidade muito mais básica do que organizar grandes acontecimentos: juntar pessoas. "Nós sentíamos a necessidade de nos juntarmos, de estarmos". É uma frase que poderia servir de ponto de partida para quase tudo o que viria depois.

Quando "caramelo" ainda não era uma palavra de orgulho
A identidade caramela também não apareceu de repente. Manuel conheceu-a primeiro através da diferença. Durante muito tempo, quem vivia nas zonas rurais e nos arredores podia ser chamado de "caramelo" quando chegava à vila. A palavra não tinha necessariamente o significado positivo que hoje adquiriu. "Havia aqui pessoas que não queriam ser caramelos de maneira nenhuma. Chamavam caramelos a nós, que vínhamos dos arredores, quando vínhamos para a vila".
A mudança aconteceu mais tarde, já com Manuel adulto e mais envolvido no movimento associativo do Pinhal Novo.
Foi aí que começou a perceber que aquela diferença também podia ser uma história. Que aquilo que durante anos servira para separar podia, afinal, servir para juntar. "E é mais importante defender a tradição do que estar a criar embaraço".
É uma transformação que ajuda a perceber o próprio Mercado Caramelo: não se trata apenas de recriar o passado. Trata-se de olhar para uma palavra, para uma receita, para uma forma de viver e perceber que ali existe uma parte da história de uma comunidade. Mas já lá vamos! 

A política local acabou por levá-lo para outro caminho
Em 2009, Manuel Lagarto chegou à presidência da Junta de Freguesia de Pinhal Novo. Exerceu três mandatos, num período em que descobriu de forma ainda mais concreta os limites e as possibilidades do poder local. Os recursos eram reduzidos. Muitas necessidades eram maiores do que o orçamento disponível. Algumas obras avançaram, outras ficaram por fazer. Manuel fala disso sem transformar o percurso numa lista de conquistas.
Recorda sobretudo a vontade de tentar. "Tentar não custa". E há outra ideia que atravessa a forma como descreve esses anos: estar disponível para dar a cara. "Fui sempre, continuo a ser uma pessoa que não se esconde e que dá a cara e que vai onde houver necessidade de ir e fala com as pessoas abertamente".
Mas seria uma decisão tomada nesse primeiro mandato que acabaria por abrir uma das portas mais importantes desta história.

A feira que acabou e acabou por dar origem ao Mercado Caramelo
Mercado Caramelo nasceu de uma vontade de juntar a comunidade
Quando Manuel era miúdo, o Pinhal Novo tinha poucos acontecimentos. Havia a Feira de Maio.
Era uma feira simples, com alguns carrosséis e uma pista de carrinhos de choque, mas para a rapaziada da terra representava um daqueles momentos em que alguma coisa acontecia. Em 2010, no primeiro ano do seu mandato, a Feira de Maio não se realizou.
O motivo foi um conflito com os operadores dos divertimentos. Havia regras definidas para a participação e Manuel entendeu que não podia permitir que quem não tinha concorrido acabasse por impor as condições.
A decisão foi tomada. A população foi informada. E a feira deixou de existir naquele ano. A população não gostou! 
Podia ter ficado apenas como um episódio da política local. Não ficou. "Na sequência disso é que comecei a pensar numa forma de criar qualquer coisa para tentar dar a volta a isto e tentar ter outro evento".
Primeiro apareceu a ideia da Confraria. Depois surgiram novas ideias. E, a seguir, apareceu o Mercado Caramelo. Uma feira que terminou acabaria, assim, por abrir espaço para uma coisa completamente diferente.

A sopa que todos conheciam estava a desaparecer
Há uma ironia bonita nesta história. A Sopa Caramela que hoje é apresentada como tradição gastronómica era, na infância de Manuel, simplesmente a comida que estava na mesa. Não havia necessidade de lhe chamar património.
Era o jantar. Todos os dias. "A minha mãe punha o feijão a cozer, preparava as couves e aquilo estava ali na panela, ao lume". 
Era comida feita para alimentar uma família. Não era ainda o símbolo cultural que viria a tornar-se. "E nessa altura não se chamava Sopa Caramela. E se calhar também não tinha tanta importância como tem agora".
Tinha, contudo, uma importância muito concreta. Aquela comida fazia parte da sobrevivência de muitas famílias. O tempo passou e a sopa começou a desaparecer das cozinhas. E quando Manuel percebeu que já quase ninguém a fazia, percebeu também que uma tradição pode morrer sem que ninguém dê por isso. Ia aparecendo nas Festas Populares, em Junho, e pouco mais. 
Primeiro deixa de se cozinhar. Depois deixa de se comer. Depois deixa de se falar dela. Foi contra esse silêncio que nasceu a Confraria Gastronómica da Sopa Caramela.
O papel, para Manuel, é claro: "O nosso papel é promover e divulgar a nossa sopa". E há uma preocupação que continua presente: manter aquilo que dá identidade à receita. O feijão, por exemplo, não pode ser simplesmente substituído por feijão enlatado.
"O feijão não pode ser enlatado. Tem que ser feijão seco, que está demolhado e é cozido com as carnes. Toda essa envolvente é que transmite aquele sabor à sopa".

O Mercado Caramelo nasceu para não pertencer a ninguém e acabar por pertencer a todos
O Mercado à Moda Antiga começou ligado à Confraria, mas a ambição foi maior desde o princípio. Manuel não queria criar uma iniciativa de um pequeno grupo. Queria que a comunidade entrasse dentro dela. "Ele foi criado com o objetivo de não ser uma coisa nossa, mas de ser uma coisa de toda a comunidade". E isso não aconteceu por acaso.
Foi preciso procurar associações, escolas e pessoas. Foi preciso explicar a ideia, convencer, insistir e voltar a bater às portas. "Não foi porque as pessoas chegaram e quiseram. A gente também batalhou bastante e andámos aqui e ali e acolá a mostrar às pessoas que era possível fazer uma coisa diferente".
Depois vem uma palavra que Manuel usa quase com humor, mas que explica muito: "Teimosia".
"Um bocado de teimosia também, de bater à porta das pessoas e dizer: é pá, mas olha que isto é uma coisa fixe". Aos poucos, a ideia ganhou raízes.
Hoje, o Mercado Caramelo é um dos grandes momentos do calendário do Pinhal Novo. Tem associações, escolas, comerciantes, animadores e moradores. Tem memória, gastronomia e recriação histórica. Mas, acima de tudo, tem pessoas que sentem que aquilo também lhes pertence.
E é precisamente isso que Manuel considera mais importante. As pessoas dão ideias. São ouvidas. Depois veem essas ideias transformadas em realidade. "Quando depois vêm ideias deles aí no terreno e no evento, isso é gratificante para as pessoas".
Uma comunidade não se constrói apenas com um programa bem pensado. É preciso abrir espaço para que as pessoas entrem, tragam ideias e reconheçam naquele projeto alguma coisa de si. Foi isso que Manuel quis desde o início para o Mercado Caramelo. Não bastava encher as ruas ou reunir associações. Era preciso que quem participava deixasse de ser apenas parte do evento e passasse a sentir que também tinha ajudado a construí-lo. E talvez seja aí que esteja uma das maiores forças do Mercado Caramelo: quando uma iniciativa deixa de pertencer a quem a criou e passa a ser reconhecida por quem a vive

Na primeira edição, o mercado quase não chegou ao segundo dia
Uma vida feita de memórias e comunidade
Há histórias que não aparecem nos cartazes. A primeira edição do Mercado Caramelo foi pequena, feita com pressa e com a experiência de quem ainda estava a descobrir o caminho. E depois veio a tempestade.
Uma tempestade derrubou duas ou três tasquinhas. O mercado não abriu nesse sábado. E, durante horas, foi preciso encontrar soluções para que tudo pudesse voltar a acontecer no dia seguinte.
"Foi andar, foi andar todo ao lado, à procura de mais isto, mais aquilo, para no dia a seguir termos ali aquilo montado. Tivemos de resolver as coisas praticamente no momento, porque não podíamos simplesmente desistir".  Alguns feirantes foram embora. Outros voltaram no domingo. O mercado abriu.
"E no domingo conseguimos abrir. Alguns tinham ido embora, outros ficaram e outros voltaram, mas conseguimos montar novamente as coisas e fazer o mercado. Foi uma daquelas situações em que percebemos que, se quisermos mesmo fazer, temos de ultrapassar os problemas". 
Talvez seja uma das melhores imagens daquilo que Manuel Lagarto representa nesta história: não a perfeição, mas a capacidade de continuar quando alguma coisa corre mal.
A história é importante porque mostra aquilo que Manuel tenta explicar quando fala do Mercado: aquilo não se construiu apenas com uma ideia. Construiu-se com pessoas que, quando alguma coisa caiu, decidiram levantá-la.

O Natal nasceu da mesma vontade de fazer em casa aquilo que já levavam para fora
O Natal na Vila surgiu mais tarde, dentro do próprio grupo de trabalho do Mercado Caramelo. Manuel faz questão de esclarecer que não foi uma ideia sua. A proposta partiu de alguém ligado à Confraria.
A experiência tinha ajudado a perceber que havia procura. O grupo era convidado para participar em iniciativas de Natal noutras localidades, onde preparava doces e outras tradições.
E surgiu uma pergunta simples: porque não fazer também no Pinhal Novo? "Olha, então a gente anda aí, vamos fazer cá". Tinham algumas coisas. Outras fizeram. Outras compraram. E assim nasceu mais um acontecimento da vila.
Não como um projeto isolado, mas como mais uma consequência daquele movimento que tinha começado com a Confraria e crescido com o Mercado Caramelo.

A tradição só sobrevive se houver quem a queira receber
Um percurso ligado à terra e às pessoas
Manuel já teve receio de que tudo isto pudesse não ter continuidade. Hoje olha para as novas gerações com mais confiança. "Já tive algum receio, honestamente, mas penso que isto tem pernas para continuar a andar e bem".
A razão está precisamente na forma como a comunidade se apropriou daquilo que foi criado. As pessoas participam. Dão ideias. Sentem orgulho. E quando uma tradição passa a ser também de quem chega depois, deixa de depender apenas daqueles que a começaram.
É essa talvez a maior preocupação de Manuel quando fala do futuro. "Não deixar cair isto que foi construído e que está a ser construído permanentemente".
Porque a Sopa Caramela já esteve perto de desaparecer. "Praticamente já ninguém a fazia, já ninguém a comia". Manter a memória, para Manuel, não é viver preso ao passado. É impedir que uma parte da terra desapareça simplesmente porque deixou de ser praticada.

A sopa está à porta. Quem a põe na mesa?
Há uma ironia difícil de ignorar: a Sopa Caramela é uma das marcas de Pinhal Novo, mas ainda não conquistou verdadeiramente os restaurantes da terra.
A Confraria insiste, fala com os estabelecimentos e tenta mostrar que ali existe tradição, procura e também uma oportunidade. "Continuamos a insistir e a batalhar e a falar e a tentar ver se conseguimos que os restaurantes percebam que isto pode ser também uma oportunidade para eles", diz Manuel.
Há quem procure, compre e coma. Falta que essa procura encontre também lugar à mesa dos restaurantes. "Nos takeaways nota-se que existe procura. As pessoas compram, comem e gostam. Portanto, eu acho que aquilo que falta é criar esse hábito também nos restaurantes".
A pergunta fica no ar: como pode uma sopa tão ligada a Pinhal Novo continuar a ter de pedir lugar à mesa?

Mesmo em Angola, o Pinhal Novo continua a estar por perto
A história de Manuel Lagarto não ficou parada no Pinhal Novo. Depois de se reformar, quando já não pensava voltar a trabalhar, surgiu um convite inesperado para Angola. Um antigo colega desafiou-o a integrar um novo projeto ferroviário. Aceitou sem saber por quanto tempo.
"Se eu tiver, se a coisa correr bem, se eu me sentir bem, vamos estando aí. Se houver alguma coisa, já sabes, venho-me embora e pronto, acabou. Foi um bocado assim que eu encarei a situação". 
Hoje trabalha sobretudo na área da formação e admite que a experiência também lhe ensinou uma coisa sobre relações humanas: a confiança não se exige, constrói-se.
No início, encontrou pessoas mais reservadas. Aos poucos, foi conquistando espaço. "Já começo a sentir a mudança da parte de muitos deles nesse campo. No princípio havia alguma distância, mas depois, quando percebem que estamos ali para ajudar e para trabalhar com eles, as coisas vão mudando". 
Foi para longe. Mas não deixou de acompanhar o que acontecia no Pinhal Novo. "Milhares de quilómetros de distância. Mas estou sempre, estou sempre presente".
Há uma diferença entre a distância física e a distância emocional. E hoje, com um telemóvel na mão, consegue falar, ver e acompanhar aquilo que acontece na terra onde cresceu. Talvez isso explique também a forma como olha para a sua terra. Não é apenas o lugar onde nasceu. É o lugar onde aprendeu que uma comunidade pode fazer coisas quando decide fazê-las em conjunto.

"O Pinhal Novo vive a rua"
Pinhal Novo também se conta através das suas pessoas
No fim da conversa, pedimos a Manuel que explique, em poucas palavras, a alma do Pinhal Novo. Não é uma pergunta fácil. Ele próprio hesita. Depois encontra uma resposta que não precisa de grandes adjetivos: A rua. O encontro. O convívio. "São muito poucas as terras que têm este tipo de comportamento". 
O Pinhal Novo ainda vive a e na rua. "Gostamos de estar juntos, gostamos de estar... E isso é uma coisa que é uma característica muito própria da nossa gente. As pessoas encontram-se, conversam, vão ao jardim, estão na rua e há uma vida de comunidade que ainda se sente". 
Para ele, a alma está nas tradições. O pulsar está nas pessoas. "As tradições fazem parte da nossa alma, mas o pulsar está nas pessoas. É essa capacidade que temos de nos juntarmos, de fazermos coisas em conjunto e de mantermos uma terra viva". 
É aí que talvez todas as peças desta história finalmente se encontram. Na infância, era a rua onde as crianças brincavam. Na juventude, era o lugar onde se encontravam pessoas e começavam associações. Mais tarde, foi a rua onde se fizeram festas, se recuperaram tradições e se construiu o Mercado Caramelo. E hoje continua a ser a rua onde uma comunidade se reconhece.
Manuel Lagarto começou a sua história na Venda do Alcaide, entre a terra da mãe e os caminhos de ferro do pai. Passou pelo associativismo, pela Junta de Freguesia, pela Confraria e pelo Mercado Caramelo. Viveu a transformação de uma palavra que antes separava e que hoje pode juntar.
Mas talvez a parte mais importante da sua história não esteja num cargo, numa festa ou numa sopa. Está numa ideia muito mais simples. Uma terra precisa de memória. Mas a memória só permanece viva quando alguém a cozinha, a conta, a canta, a leva para a rua e a entrega à geração seguinte.
No Pinhal Novo, Manuel Lagarto ajudou a fazer isso. E talvez seja por isso que, tantos anos depois, a história continua a acontecer na rua.

Paulo Jorge Oliveira 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 






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