Ana Teresa Vicente aponta quatro frentes: recolha, deposição, tratamento e mudança de comportamentos
A recolha de resíduos continua no topo das reclamações em Palmela e, para Ana Teresa Vicente, o problema exige uma resposta que vá muito além da colocação de mais viaturas nas ruas. A presidente da Câmara Municipal identifica quatro dimensões que têm de ser enfrentadas em simultâneo - recolha, deposição, tratamento e comportamento - e defende uma intervenção articulada entre municípios, entidades responsáveis e Estado. A questão dos resíduos está, aliás, entre os temas mais preocupantes dos nove municípios da Península de Setúbal, levando a autarca a defender uma resposta conjunta através da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIM).![]() |
| Autarca considera inaceitável a deposição junto aos contentores |
Nas redes sociais, as denúncias sobre falta de limpeza, atrasos na recolha ou insuficiência de contentores acumulam-se ao mesmo ritmo a que o lixo e os detritos se espalham pelas localidades e caminhos rurais. É um problema com responsabilidades repartidas: da autarquia ao Estado, das entidades responsáveis pela recolha e tratamento à própria consciência e responsabilidade cívica de quem utiliza o espaço público.
Para Palmela, a dimensão territorial do concelho e a quantidade de resíduos que diariamente recebe tornam ainda mais evidente a necessidade de encontrar soluções que ultrapassem a escala municipal.
Palmela recebe mais lixo do que a população residente justificaria
Ana Teresa Vicente começa por apontar uma realidade que considera determinante para perceber a dimensão do problema: Palmela recebe uma quantidade de resíduos que, em vários pontos do concelho, não corresponde ao número de habitantes residentes.
"Temos muito lixo colocado no concelho de passagem", explica a presidente, referindo-se tanto a pessoas que atravessam o território como a outras que, segundo afirma, se deslocam propositadamente para depositar resíduos.
A autarca rejeita que os níveis de deposição possam ser explicados apenas por uma eventual diferença entre a população registada nos censos e a população efetivamente residente. "Sabemos onde é que as pessoas estão a viver. Portanto, sabemos se realmente há ali uma acumulação ou não de habitantes que justifica aquele lixo. E, em muitos casos, não há".
A pressão sobre o sistema é, por isso, superior àquela para que a estrutura municipal foi dimensionada.
"O volume de contentores que aqui temos é feito e concebido para o número de habitantes que temos, mas depois quem deposita o lixo é muito mais do que o número de habitantes", sublinha a autarca.
Ana Teresa Vicente começa por apontar uma realidade que considera determinante para perceber a dimensão do problema: Palmela recebe uma quantidade de resíduos que, em vários pontos do concelho, não corresponde ao número de habitantes residentes.
"Temos muito lixo colocado no concelho de passagem", explica a presidente, referindo-se tanto a pessoas que atravessam o território como a outras que, segundo afirma, se deslocam propositadamente para depositar resíduos.
A autarca rejeita que os níveis de deposição possam ser explicados apenas por uma eventual diferença entre a população registada nos censos e a população efetivamente residente. "Sabemos onde é que as pessoas estão a viver. Portanto, sabemos se realmente há ali uma acumulação ou não de habitantes que justifica aquele lixo. E, em muitos casos, não há".
A pressão sobre o sistema é, por isso, superior àquela para que a estrutura municipal foi dimensionada.
"O volume de contentores que aqui temos é feito e concebido para o número de habitantes que temos, mas depois quem deposita o lixo é muito mais do que o número de habitantes", sublinha a autarca.
Resíduos são um problema dos nove municípios da Península
A dimensão do problema leva a presidente da Câmara de Palmela a colocá-lo numa escala regional. A gestão dos resíduos está entre as questões mais preocupantes dos nove municípios da Península de Setúbal e, para Ana Teresa Vicente, a resposta não pode continuar a ser pensada município a município.
"Estamos, de facto, a trabalhar, como já disse, no âmbito da Área Metropolitana de Lisboa e agora com a CIM, para uma resposta integrada na Península, porque estamos péssimos".
A estratégia conjunta deverá abranger não apenas a recolha, mas também o tratamento dos resíduos, os custos associados e a capacidade das infraestruturas existentes. Para a presidente, é necessária uma mudança de paradigma à escala nacional, com reflexos na Área Metropolitana de Lisboa e uma resposta articulada entre os municípios da Península.
Palmela já levou estas preocupações ao Ministério do Ambiente e à Secretaria de Estado do Ambiente, tendo participado numa reunião com a Agência Portuguesa do Ambiente. A autarquia tem igualmente mantido reuniões com a Amarsul.
A dimensão do problema leva a presidente da Câmara de Palmela a colocá-lo numa escala regional. A gestão dos resíduos está entre as questões mais preocupantes dos nove municípios da Península de Setúbal e, para Ana Teresa Vicente, a resposta não pode continuar a ser pensada município a município.
"Estamos, de facto, a trabalhar, como já disse, no âmbito da Área Metropolitana de Lisboa e agora com a CIM, para uma resposta integrada na Península, porque estamos péssimos".
A estratégia conjunta deverá abranger não apenas a recolha, mas também o tratamento dos resíduos, os custos associados e a capacidade das infraestruturas existentes. Para a presidente, é necessária uma mudança de paradigma à escala nacional, com reflexos na Área Metropolitana de Lisboa e uma resposta articulada entre os municípios da Península.
Palmela já levou estas preocupações ao Ministério do Ambiente e à Secretaria de Estado do Ambiente, tendo participado numa reunião com a Agência Portuguesa do Ambiente. A autarquia tem igualmente mantido reuniões com a Amarsul.
"Teríamos que duplicar a nossa recolha"
Uma das dificuldades identificadas pela presidente está na relação entre a necessidade de aumentar a recolha e os custos associados ao tratamento dos resíduos.
Ana Teresa Vicente considera que os valores atualmente suportados pelos municípios tornam difícil responder à dimensão das necessidades.
"Para correspondermos às necessidades, teríamos que duplicar a nossa recolha neste momento e é impossível continuar a pagar aquilo que se paga atualmente para depositar lixo e tratar lixo".
A presidente aponta a Taxa de Gestão de Resíduos e os custos de tratamento como fatores que pesam fortemente sobre os municípios.
A solução, defende, não poderá passar apenas por aumentar a despesa municipal. Será necessário repensar o próprio modelo de gestão dos resíduos e a forma como o país e a região enfrentam um problema que deixou de ser exclusivamente local.
Uma das dificuldades identificadas pela presidente está na relação entre a necessidade de aumentar a recolha e os custos associados ao tratamento dos resíduos.
Ana Teresa Vicente considera que os valores atualmente suportados pelos municípios tornam difícil responder à dimensão das necessidades.
"Para correspondermos às necessidades, teríamos que duplicar a nossa recolha neste momento e é impossível continuar a pagar aquilo que se paga atualmente para depositar lixo e tratar lixo".
A presidente aponta a Taxa de Gestão de Resíduos e os custos de tratamento como fatores que pesam fortemente sobre os municípios.
A solução, defende, não poderá passar apenas por aumentar a despesa municipal. Será necessário repensar o próprio modelo de gestão dos resíduos e a forma como o país e a região enfrentam um problema que deixou de ser exclusivamente local.
Câmara reforça trabalhadores, viaturas e circuitos
Enquanto procura uma resposta mais abrangente, a Câmara Municipal de Palmela está também a reforçar os meios diretamente disponíveis para a higiene urbana.
Ana Teresa Vicente revela que já está em funcionamento mais uma viatura de recolha de lixo e que outras foram entretanto reparadas. "Já fizemos investimentos, já temos mais um carro de lixo a trabalhar e temos mais viaturas reparadas e vamos continuar a aumentar circuitos".
O reforço deverá estender-se aos trabalhadores diretamente envolvidos nesta área. "Estamos a trabalhar para aumentar o pessoal, neste caso, os trabalhadores diretos nesta área".
A presidente admite, contudo, que o serviço ainda não está estabilizado e que poderá ser necessário avançar com uma nova empreitada. "Provavelmente ainda podemos ter que definir mais uma empreitada, porque ainda não conseguimos estabilizar o processo".
Enquanto procura uma resposta mais abrangente, a Câmara Municipal de Palmela está também a reforçar os meios diretamente disponíveis para a higiene urbana.
Ana Teresa Vicente revela que já está em funcionamento mais uma viatura de recolha de lixo e que outras foram entretanto reparadas. "Já fizemos investimentos, já temos mais um carro de lixo a trabalhar e temos mais viaturas reparadas e vamos continuar a aumentar circuitos".
O reforço deverá estender-se aos trabalhadores diretamente envolvidos nesta área. "Estamos a trabalhar para aumentar o pessoal, neste caso, os trabalhadores diretos nesta área".
A presidente admite, contudo, que o serviço ainda não está estabilizado e que poderá ser necessário avançar com uma nova empreitada. "Provavelmente ainda podemos ter que definir mais uma empreitada, porque ainda não conseguimos estabilizar o processo".
Recolha porta-a-porta vai aumentar em zonas específicas
Outra das medidas que a autarquia pretende aprofundar é a recolha porta-a-porta, considerada pela presidente uma solução eficaz.
A aplicação generalizada deste modelo está, contudo, condicionada pela dimensão de Palmela. "É impossível, em 465 quilómetros quadrados, andarmos a recolher tudo porta-a-porta".
A solução passará por reforçar o sistema em zonas onde seja mais adequado. "Em núcleos mais específicos, vamos aumentar".
Além de reforçar a recolha, a autarca considera que este modelo pode contribuir para melhorar a separação dos resíduos e promover mudanças de comportamento.
Outra das medidas que a autarquia pretende aprofundar é a recolha porta-a-porta, considerada pela presidente uma solução eficaz.
A aplicação generalizada deste modelo está, contudo, condicionada pela dimensão de Palmela. "É impossível, em 465 quilómetros quadrados, andarmos a recolher tudo porta-a-porta".
A solução passará por reforçar o sistema em zonas onde seja mais adequado. "Em núcleos mais específicos, vamos aumentar".
Além de reforçar a recolha, a autarca considera que este modelo pode contribuir para melhorar a separação dos resíduos e promover mudanças de comportamento.
Fiscalização: Câmara admite medidas mais coercivas
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| "A via pública é de todos nós", sublinha a presidente da Câmara |
Perante esta dificuldade, a autarquia está a procurar conhecer outras experiências e estudar formas de intervenção que possam ser mais eficazes. "Estamos a procurar identificar, até com base noutras experiências, algumas ações mais coercivas que têm que ser assim".
A fiscalização deverá ser acompanhada por ações de sensibilização, numa estratégia que a presidente considera necessária para alterar comportamentos.
"Nós reciclamos muito pouco"
Para Ana Teresa Vicente, a gestão dos resíduos não pode ser reduzida à capacidade de recolha. Existe também um problema de separação e reciclagem, agravado por uma perceção que, segundo a autarca, se instalou entre alguns cidadãos: a de que separar os resíduos pouco importa porque "eles levam tudo junto".
A presidente considera que esta ideia representa um retrocesso nos comportamentos ambientais. "Isto é uma regressão brutal na nossa atitude perante os resíduos e a maneira como nos devemos comportar no mundo".
A autarquia pretende continuar a apostar na sensibilização e nos alertas, incluindo para a necessidade de manter os hábitos de separação durante os períodos de férias. "Nós reciclamos muito pouco. Muito pouco".
Para a presidente, a separação deve fazer parte dos comportamentos quotidianos, independentemente de as pessoas estarem em casa, no trabalho ou de férias.
Para Ana Teresa Vicente, a gestão dos resíduos não pode ser reduzida à capacidade de recolha. Existe também um problema de separação e reciclagem, agravado por uma perceção que, segundo a autarca, se instalou entre alguns cidadãos: a de que separar os resíduos pouco importa porque "eles levam tudo junto".
A presidente considera que esta ideia representa um retrocesso nos comportamentos ambientais. "Isto é uma regressão brutal na nossa atitude perante os resíduos e a maneira como nos devemos comportar no mundo".
A autarquia pretende continuar a apostar na sensibilização e nos alertas, incluindo para a necessidade de manter os hábitos de separação durante os períodos de férias. "Nós reciclamos muito pouco. Muito pouco".
Para a presidente, a separação deve fazer parte dos comportamentos quotidianos, independentemente de as pessoas estarem em casa, no trabalho ou de férias.
Monos junto aos contentores são "inaceitáveis"
Se a recolha é uma parte do problema, a deposição indevida constitui outra das grandes preocupações da autarquia. Ana Teresa Vicente mostra-se particularmente crítica em relação aos resíduos volumosos deixados junto aos contentores ou em locais onde não deveriam ser depositados.
E a realidade encontrada pela ADN no último fim de semana ajuda a ilustrar o problema. No sábado e no domingo, uma reportagem da ADN encontrou, em pleno coração do Pinhal Novo, na Estrada dos Espanhóis, junto à Escola Preparatória, uma acumulação de monos, restos de móveis, caixas, sacos e outros resíduos espalhados pelo passeio. Os materiais ocupavam uma parte significativa do espaço destinado à circulação pedonal, obrigando quem passava a contornar os resíduos.
A presidente lembra que existem procedimentos definidos para a recolha de monos e que os cidadãos podem contactar a Câmara Municipal ou as juntas de freguesia para saber quando, como e onde devem proceder à sua deposição.
Ainda assim, continuam a surgir situações de abandono de resíduos na via pública. "Sistematicamente assistimos a deposição ao lado dos contentores, em zonas interiores, em vias mais internas, e, portanto, este comportamento é inaceitável".
A realidade observada pela ADN mostra que a questão não se resume à existência ou não de contentores. Há também materiais que são deixados fora deles, ocupando passeios e degradando o espaço público. E este foi só um exemplo de muitos outros encontrados em todas as freguesias.
E a realidade encontrada pela ADN no último fim de semana ajuda a ilustrar o problema. No sábado e no domingo, uma reportagem da ADN encontrou, em pleno coração do Pinhal Novo, na Estrada dos Espanhóis, junto à Escola Preparatória, uma acumulação de monos, restos de móveis, caixas, sacos e outros resíduos espalhados pelo passeio. Os materiais ocupavam uma parte significativa do espaço destinado à circulação pedonal, obrigando quem passava a contornar os resíduos.
A presidente lembra que existem procedimentos definidos para a recolha de monos e que os cidadãos podem contactar a Câmara Municipal ou as juntas de freguesia para saber quando, como e onde devem proceder à sua deposição.
Ainda assim, continuam a surgir situações de abandono de resíduos na via pública. "Sistematicamente assistimos a deposição ao lado dos contentores, em zonas interiores, em vias mais internas, e, portanto, este comportamento é inaceitável".
A realidade observada pela ADN mostra que a questão não se resume à existência ou não de contentores. Há também materiais que são deixados fora deles, ocupando passeios e degradando o espaço público. E este foi só um exemplo de muitos outros encontrados em todas as freguesias.
"A via pública é de todos nós"
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| Autarquia quer aumentar a recolha porta a porta no concelho |
A presidente considera que existe uma perceção errada de que o espaço público é responsabilidade de alguém que não os próprios cidadãos. "Não, a via pública é de todos nós, as pessoas não se podem esquecer disso".
A frase acaba por resumir uma das principais mensagens deixadas por Ana Teresa Vicente nesta entrevista: Palmela precisa de mais capacidade de recolha, mas a solução para o problema dos resíduos não estará apenas nos camiões que circulam pelas ruas.
Será necessária uma intervenção simultânea na recolha, deposição, tratamento e comportamentos, acompanhada por investimento municipal e por uma estratégia conjunta dos nove municípios da Península de Setúbal.
Os resíduos são, para a presidente da Câmara de Palmela, uma prioridade que continuará no centro da ação municipal. Mas a dimensão do problema mostra também que a solução terá de ser encontrada para lá das fronteiras do concelho.



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