Quase um milhão de habitantes no centro da nova estratégia da Península de Setúbal

Aeroporto, terceira travessia e mais financiamento europeu: começa a desenhar-se o futuro da região 

A forma como a Península de Setúbal vai crescer, captar investimento e disputar milhões de euros de fundos europeus começou esta semana a ser desenhada em Palmela. A estratégia que agora arranca poderá abrir caminho a mais investimento em transportes, novas empresas, emprego qualificado e melhores infraestruturas para uma região onde vivem quase um milhão de pessoas. 
Península de Setúbal poderá captar mais fundos europeus

Foi este o ponto de partida do primeiro Fórum da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal, realizado em Palmela, que reuniu cerca de 200 autarcas, empresários, investigadores e representantes de instituições públicas e privadas para lançar a elaboração do Plano Estratégico 2028-2034.
Mais do que definir um documento, o objetivo passa por preparar a região para o próximo ciclo de fundos europeus, identificando prioridades e projetos que possam ser financiados nos próximos anos.
A oportunidade ganha especial relevância porque a Península de Setúbal passa a ser avaliada pela sua própria realidade estatística e deixa de estar integrada na média da Área Metropolitana de Lisboa. Na prática, esta alteração poderá permitir o acesso a taxas de cofinanciamento europeu mais favoráveis, aumentando a capacidade de financiar projetos estruturantes para o território.
Isso poderá traduzir-se em mais investimento na modernização da indústria, na criação de emprego qualificado, na melhoria das ligações ferroviárias e rodoviárias, na mobilidade, na inovação, na transição energética e na valorização de serviços e equipamentos públicos. Contudo, os participantes alertaram que o financiamento só produzirá resultados se existirem projetos bem preparados para avançar no momento certo.

"Este não é o tempo de quem divide"
O presidente da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal e presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Frederico Rosa, classificou o Fórum como "o tiro de partida" de um processo há muito esperado.
"Este não é o tempo de quem divide; é o tempo de quem quer construir em conjunto", afirmou.
O autarca anunciou ainda que o Plano Estratégico será apresentado durante o primeiro trimestre do próximo ano. 
"No primeiro trimestre de 2027 estaremos todos juntos a apresentar o nosso plano estratégico, participado e que traduz uma visão", disse.
Na sua intervenção, mostrou-se convicto de que "a Península de Setúbal vai ser central no desenvolvimento do país na próxima década".
Frederico Rosa defendeu igualmente que a conclusão do Plano Regional de Ordenamento do Território é "a peça-chave que encaixa todos os grandes investimentos" aguardados pela região há vários anos.

Uma região em transformação
Outro dos sinais destacados durante o Fórum foi a evolução demográfica.
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, a Península de Setúbal cresceu cerca de 13 por cento entre 2021 e 2025, aproximando-se de um milhão de habitantes.
Mais do que um aumento da população, este crescimento foi apresentado como um indicador de que a região está a ganhar peso económico e estratégico, reforçando a necessidade de planear infraestruturas, serviços públicos, mobilidade e habitação capazes de responder a uma procura crescente.
"Algo estrutural está a mudar", sublinhou Frederico Rosa.


Os projetos que podem marcar a próxima década
Ao longo de seis mesas-redondas, o Fórum reuniu representantes do Governo, da administração regional, autarquias, universidades, centros de conhecimento, associações e empresas para discutir as principais prioridades da Península de Setúbal.
Entre os temas estiveram os fundos europeus, a competitividade económica, a indústria, a inovação, a transição energética, a qualificação de recursos humanos, a atração de talento, o turismo e grandes projetos de infraestrutura, como o novo aeroporto, a terceira travessia do Tejo, a alta velocidade ferroviária, os portos e a mobilidade metropolitana.
Na sessão de encerramento, o vice-presidente do Conselho Intermunicipal, Paulo Silva, e o Secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, defenderam que, após a criação da Comunidade Intermunicipal, chegou o momento de transformar a estratégia em projetos concretos capazes de definir o futuro da Península de Setúbal.
A Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal foi constituída em Dezembro de 2025 e integra os municípios de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal. O território estende-se por mais de 1.600 quilómetros quadrados e reúne uma população que se aproxima de um milhão de habitantes.

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 

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