Falta de comboios trava ligação Lisboa-Setúbal e Governo procura solução urgente

Mais comboios só em segunda mão: Tutela admite dificuldades e aponta a Espanha

A ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal enfrenta constrangimentos graves devido à falta de comboios, uma realidade agora assumida pelo Governo, que admite não ter soluções imediatas para responder à crescente procura. Com sobrelotação nas horas de ponta e críticas políticas a intensificarem-se, o Executivo garante estar a procurar material circulante, sobretudo no mercado espanhol, para reforçar a oferta numa das linhas mais pressionadas do país. Mas a espera pode demorar 10 anos. 
Falta de material circulante pressiona passageiros diariamente

A falta de comboios está no centro da crise que afeta diariamente milhares de passageiros entre Lisboa e Setúbal e o próprio Governo já não o esconde. No parlamento, esta quarta-feira, a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, reconheceu que o problema resulta de anos de desinvestimento.
"Isto é um problema de falta de comboios devido ao desinvestimento ao longo de décadas", afirmou a governante, sublinhando, no entanto, que a solução não é imediata. "Não há comboios na prateleira para comprar", acrescentou.
Perante este cenário, o Executivo está a procurar alternativas no mercado internacional. "Estamos a trabalhar para encontrar material circulante compatível que permita dar resposta a esta necessidade", explicou, apontando Espanha como principal opção para a aquisição de comboios usados, devido à compatibilidade da bitola ferroviária.
A compra de novos comboios, por sua vez, continua a ser um processo moroso. Segundo Cristina Pinto Dias, poderá demorar entre oito e 10 anos até que novas unidades estejam operacionais.

Mudanças na Fertagus geram polémica

As alterações nos horários e na frequência dos comboios da Fertagus também estiveram sob forte escrutínio. A secretária de Estado garantiu que as mudanças foram sustentadas por análises técnicas. "A alteração foi feita com base em estudos técnicos", assegurou, referindo a implementação de uma cadência de 20 em 20 minutos no final de 2024.
Ainda assim, as críticas não tardaram. A deputada do Chega, Patrícia Carvalho, acusou o Governo de agravar os problemas existentes. "Criaram um caos operacional", afirmou, criticando o aumento de frequência até Setúbal enquanto se reduz a capacidade no troço mais procurado, entre Coina e Lisboa.
A parlamentar foi mais longe e levantou dúvidas sobre o futuro: "Quem vai pagar os novos comboios?" questionou, alertando também para os riscos associados à sobrelotação. "Já existe uma queixa apresentada na Comissão Europeia", lembrou.

Críticas generalizadas e pressão política
Também outras forças políticas manifestaram preocupação. O deputado do Livre, Paulo Muacho, criticou o modelo de concessão da Fertagus. "O contrato não protege o interesse público", defendeu, questionando ainda a decisão de alterar horários sem garantir meios suficientes.
Do lado do PCP, Paula Santos apelou a uma intervenção mais direta do Estado. "É necessário assegurar mais oferta ferroviária", afirmou, sugerindo que a solução pode passar por "estender a operação da CP à margem sul do Tejo".
Já a Iniciativa Liberal destacou a pressão crescente sobre o sistema. Para o partido, "é evidente a necessidade de reforço do material circulante", tendo em conta o aumento da população e da procura por transportes públicos na região.

Sem riscos de segurança, garante Governo
Apesar das críticas à sobrelotação, o Governo rejeita problemas ao nível da segurança. "Não há registo de incumprimentos nesse plano", garantiu Cristina Pinto Dias, com base na informação disponível.
A entrada imediata da CP nesta ligação foi também afastada. A governante explicou que tal cenário esbarra no contrato de exclusividade da Fertagus, além da já reconhecida falta de comboios disponíveis.

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 

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