Entre lixiviados e preocupações com a saúde pública: crise ambiental junto ao Ecoparque pressiona Amarsul
A Câmara Municipal da Moita exigiu medidas urgentes à Amarsul após incidentes registados no Ecoparque de Palmela, agravados pelas fortes chuvas deste ano e denunciados por moradores que relatam possíveis contaminações de água nos Brejos da Moita. Enquanto o Ministério do Ambiente admite indícios de crime ambiental e investigações em curso, a autarquia reclama fiscalização rigorosa, monitorização da água e soluções estruturais para proteger a saúde pública e os recursos naturais da região.![]() |
| Terrenos junto ao Ecoparque sob suspeita de contaminação |
As recentes intempéries dos primeiros meses do ano trouxeram para o centro da discussão pública a situação do Ecoparque de Palmela, gerido pela Amarsul, responsável pela gestão e tratamento de resíduos urbanos em nove municípios da Península de Setúbal.
Revoltada, a população aponta o dedo à Amarsul e acusa-a de não controlar o líquido poluente que já chegou a casas e a terrenos agrícolas e já levou a milhares de euros de prejuízos e um sério risco para a saúde pública
A pressão sobre a infraestrutura tornou-se evidente após relatos de escoamento de lixiviados - o líquido resultante da decomposição do lixo - para terrenos circundantes. Em áreas próximas, como os Brejos da Moita, moradores dizem ter observado a presença de um líquido escuro e com odor intenso a infiltrar-se em terrenos e linhas de escoamento.
António Silva, residente na zona há mais de duas décadas, descreve um cenário preocupante. "Já não cozinhamos com esta água, nem damos aos animais. Quando abrimos a torneira, o cheiro é nauseabundo. Vimos com os nossos próprios olhos o líquido a sair do aterro e a entrar nos nossos terrenos", afirmou.
A pressão sobre a infraestrutura tornou-se evidente após relatos de escoamento de lixiviados - o líquido resultante da decomposição do lixo - para terrenos circundantes. Em áreas próximas, como os Brejos da Moita, moradores dizem ter observado a presença de um líquido escuro e com odor intenso a infiltrar-se em terrenos e linhas de escoamento.
António Silva, residente na zona há mais de duas décadas, descreve um cenário preocupante. "Já não cozinhamos com esta água, nem damos aos animais. Quando abrimos a torneira, o cheiro é nauseabundo. Vimos com os nossos próprios olhos o líquido a sair do aterro e a entrar nos nossos terrenos", afirmou.
Segundo vários testemunhos, a água proveniente de furos domésticos torna-se escura após fervura ou contacto com o ar, indício que moradores associam à possível presença de lixiviados.
Além da questão ambiental imediata, a Câmara Municipal da Moita exigiu também o reforço da recolha seletiva de resíduos recicláveis e uma intensificação das ações de limpeza nas zonas envolventes aos ecopontos.
Autarquia e Amarsul reconhecem que a higiene urbana depende de uma responsabilidade partilhada, apelando ao envolvimento ativo da população no correto uso dos equipamentos de deposição de resíduos.
Ao mesmo tempo, o município reafirma o compromisso com políticas de sustentabilidade e descarbonização. Através de investimentos em eficiência energética e energias renováveis, a autarquia tem vindo a implementar projetos destinados a reduzir emissões e reforçar a resiliência ambiental do concelho.
Autarquia exige avaliação urgente e fiscalização rigorosa
Perante a gravidade da situação, o Executivo Municipal da Moita reuniu com o Conselho de Administração da Amarsul para analisar os incidentes e exigir respostas imediatas.
A empresa comprometeu-se a realizar, com caráter de urgência, uma avaliação técnica detalhada aos impactos das intempéries no concelho, com especial incidência na monitorização da qualidade da água e dos lençóis freáticos. O objetivo é garantir um controlo rigoroso das condições ambientais e assegurar a proteção das populações.
O presidente da Câmara Municipal da Moita, Carlos Albino, foi claro quanto à posição da autarquia.
"A salvaguarda do nosso território é inegociável. Exigimos uma resposta célere e técnica às irregularidades detetadas, contando com o empenho de todas as entidades envolvidas para garantir que o Ecoparque cumpre rigorosamente as normas ambientais", afirmou.
Paralelamente, todas as ocorrências registadas foram comunicadas à Agência Portuguesa do Ambiente e à CCDR-LVT. No próximo dia 26 de Março está marcada uma reunião da Comissão Técnica de Acompanhamento, coordenada pela CCDR-LVT, que terá lugar nas próprias instalações do Ecoparque para verificação direta das situações.
Perante a gravidade da situação, o Executivo Municipal da Moita reuniu com o Conselho de Administração da Amarsul para analisar os incidentes e exigir respostas imediatas.
A empresa comprometeu-se a realizar, com caráter de urgência, uma avaliação técnica detalhada aos impactos das intempéries no concelho, com especial incidência na monitorização da qualidade da água e dos lençóis freáticos. O objetivo é garantir um controlo rigoroso das condições ambientais e assegurar a proteção das populações.
O presidente da Câmara Municipal da Moita, Carlos Albino, foi claro quanto à posição da autarquia.
"A salvaguarda do nosso território é inegociável. Exigimos uma resposta célere e técnica às irregularidades detetadas, contando com o empenho de todas as entidades envolvidas para garantir que o Ecoparque cumpre rigorosamente as normas ambientais", afirmou.
Paralelamente, todas as ocorrências registadas foram comunicadas à Agência Portuguesa do Ambiente e à CCDR-LVT. No próximo dia 26 de Março está marcada uma reunião da Comissão Técnica de Acompanhamento, coordenada pela CCDR-LVT, que terá lugar nas próprias instalações do Ecoparque para verificação direta das situações.
Ministério do ambiente admite possibilidade de crime ambiental
A dimensão do problema chegou também ao Parlamento. Perante denúncias de descargas para a rede de saneamento e para linhas de água, o Ministério do Ambiente reconheceu que as situações reportadas podem configurar um crime ambiental.
As autoridades competentes, nomeadamente a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, encontram-se no terreno para apurar responsabilidades.
Fonte oficial do Ministério garantiu que não haverá tolerância perante eventuais falhas na gestão de resíduos que coloquem em risco a saúde das populações.
A dimensão do problema chegou também ao Parlamento. Perante denúncias de descargas para a rede de saneamento e para linhas de água, o Ministério do Ambiente reconheceu que as situações reportadas podem configurar um crime ambiental.
As autoridades competentes, nomeadamente a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, encontram-se no terreno para apurar responsabilidades.
Fonte oficial do Ministério garantiu que não haverá tolerância perante eventuais falhas na gestão de resíduos que coloquem em risco a saúde das populações.
Passivos ambientais e necessidade de financiamento
Durante a reunião entre a autarquia e a Amarsul foi ainda discutida a existência de passivos ambientais considerados críticos na infraestrutura.
Ambas as entidades reconheceram que a resolução definitiva destes problemas exige intervenção estrutural e financiamento direto do Ministério do Ambiente. Sem esse apoio, alertam, o risco ambiental poderá persistir.
A autarquia sublinha que a situação exige soluções rápidas e eficazes para evitar impactos duradouros no território e nos recursos naturais da região.
Durante a reunião entre a autarquia e a Amarsul foi ainda discutida a existência de passivos ambientais considerados críticos na infraestrutura.
Ambas as entidades reconheceram que a resolução definitiva destes problemas exige intervenção estrutural e financiamento direto do Ministério do Ambiente. Sem esse apoio, alertam, o risco ambiental poderá persistir.
A autarquia sublinha que a situação exige soluções rápidas e eficazes para evitar impactos duradouros no território e nos recursos naturais da região.
Recolha seletiva, limpeza urbana e sustentabilidade
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| Câmara da Moita reuniu com os administradores da Amarsul |
Autarquia e Amarsul reconhecem que a higiene urbana depende de uma responsabilidade partilhada, apelando ao envolvimento ativo da população no correto uso dos equipamentos de deposição de resíduos.
Ao mesmo tempo, o município reafirma o compromisso com políticas de sustentabilidade e descarbonização. Através de investimentos em eficiência energética e energias renováveis, a autarquia tem vindo a implementar projetos destinados a reduzir emissões e reforçar a resiliência ambiental do concelho.
Um futuro que preocupa as populações
A tensão entre moradores e entidades gestoras poderá intensificar-se nos próximos anos.
O encerramento previsto do aterro do Seixal em 2028 levanta a possibilidade de o Ecoparque de Palmela passar a receber grande parte dos resíduos produzidos na Península de Setúbal.
Para muitas famílias que vivem nas imediações, a expansão da capacidade do aterro sem garantias de contenção total representa uma ameaça direta à qualidade de vida.
A tensão entre moradores e entidades gestoras poderá intensificar-se nos próximos anos.
O encerramento previsto do aterro do Seixal em 2028 levanta a possibilidade de o Ecoparque de Palmela passar a receber grande parte dos resíduos produzidos na Península de Setúbal.
Para muitas famílias que vivem nas imediações, a expansão da capacidade do aterro sem garantias de contenção total representa uma ameaça direta à qualidade de vida.
Para quem vive da agricultura, em Brejos da Moita as consequências foram imediatas. Uma proprietária de terrenos junto ao aterro, citada pela revista Sábado, diz ter acumulado milhares de euros de prejuízo nos últimos anos. Cerca de quatro hectares deixaram de ser cultivados. "Nós somos vizinhos de uma lixeira. Não podemos cultivar porque as águas da Amarsul estão a destruir os nossos solos", afirma ao mesmo tempo que descreve o cheiro nauseabundo que há muitos anos invade os campos de cultivo. Após as tempestades, parte das suas terras transformou-se num autêntico lago.
Enquanto as investigações continuam, o receio de contaminação e o impacto ambiental mantêm-se como uma preocupação constante para quem vive à sombra do Ecoparque, sobretudo em Brejos da Moita, onde a qualidade de vida é cada vez mais "uma miragem do passado".
Enquanto as investigações continuam, o receio de contaminação e o impacto ambiental mantêm-se como uma preocupação constante para quem vive à sombra do Ecoparque, sobretudo em Brejos da Moita, onde a qualidade de vida é cada vez mais "uma miragem do passado".


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