Encerramento no hospital do Barreiro gera forte contestação na Península de Setúbal

Autarcas alertam para riscos após centralização das urgências de obstetrícia no hospital Garcia de Orta em Almada 

Os autarcas da Península de Setúbal saíram "mais preocupados" de uma reunião realizada no Ministério da Saúde com a ministra Ana Paula Martins e o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, Álvaro Almeida. Em causa está a concentração das urgências regionais de obstetrícia e ginecologia no hospital Garcia de Orta, em Almada, uma decisão que, apesar de classificada como temporária, continua sem qualquer prazo definido para reabrir os serviços entretanto encerrados. As urgências de obstetrícia e ginecologia no hospital do Barreiro vão mesmo encerrar ainda este mês. 
Reunião no Ministério terminou sem prazos para reabrir serviços

À saída do encontro em Lisboa, Frederico Rosa, presidente da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal e também presidente da Câmara Municipal do Barreiro, afirmou que os autarcas ficaram ainda mais apreensivos após ouvirem a explicação do Ministério da Saúde.
"Diria que saímos daqui ainda mais preocupados do que quando entrámos", declarou.
Segundo o autarca, o Governo apresentou um diagnóstico que justificou a decisão de concentrar as urgências, mas não avançou qualquer calendário para a reabertura dos serviços que foram encerrados.
"Foi-nos dito que se trata de uma solução temporária, mas sem prazos para voltarem a abrir", acrescentou.
Os autarcas dos municípios de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal manifestam-se contra o encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia no hospital do Barreiro, uma mudança que surgiu com o início da nova urgência regional instalada no hospital Garcia de Orta, em Almada.

Região em crescimento e com necessidades acrescidas
Frederico Rosa sublinhou que a Península de Setúbal enfrenta um crescimento populacional significativo, tendência que deverá continuar nos próximos anos. Por isso, considera essencial garantir respostas de saúde mais próximas das populações.
"Estamos a falar de um território em forte crescimento populacional, que precisa naturalmente de respostas de maior proximidade", frisou.
Durante a reunião foi também abordada a necessidade de reforçar infraestruturas de saúde na região, incluindo o projeto do hospital do Seixal. O autarca recordou que o hospital Garcia de Orta foi originalmente dimensionado para servir praticamente metade da população que atualmente depende desta unidade hospitalar.
Para os autarcas, a solução passa igualmente por reforçar os cuidados de saúde primários e garantir uma estratégia de saúde integrada que responda às necessidades crescentes da região.

Distâncias e falta de profissionais preocupam autarcas
Outro dos argumentos apresentados pelos responsáveis autárquicos prende-se com as distâncias entre unidades hospitalares. Frederico Rosa recordou que a concentração de urgências tem sido comparada com o modelo existente no Porto, mas considera que a realidade territorial é completamente diferente.
"No Porto, as unidades distam entre oito e 13 quilómetros. Na Península de Setúbal estamos a falar de distâncias entre 30 e 44 quilómetros", explicou.
A região tem também registado vários partos em ambulâncias, situação que, segundo o autarca, evidencia os riscos associados ao aumento das distâncias entre serviços de urgência.
Antes do encontro, Frederico Rosa já tinha alertado para a dificuldade em garantir equipas médicas suficientes para o novo modelo. De acordo com o autarca, dos profissionais do quadro do hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, apenas três transitariam para a nova urgência regional e nenhum anestesista ou prestador de serviço.

Autarcas prometem continuar luta
Os autarcas garantem que vão continuar a contestar a decisão e a mobilizar a população da região.
Frederico Rosa assegurou que os responsáveis municipais não vão "cansar-se de fazer ouvir a sua voz", lembrando que representam quase um milhão de habitantes da Península de Setúbal, número que ultrapassa 1,3 milhões de pessoas se forem incluídas as populações de Vila Franca de Xira, também abrangidas pela reorganização das urgências.
"Vamos procurar todas as formas de luta e envolver a população para que se perceba que esta não é a solução", afirmou.
Ainda assim, o responsável garantiu disponibilidade dos autarcas para colaborar com o Governo na procura de soluções técnicas, desde que estas tenham como prioridade a qualidade do acesso aos cuidados de saúde.
"Os autarcas estão disponíveis para colaborar em diálogo, com critérios técnicos claros, sempre em prol das pessoas", sublinhou.

Nova reorganização das urgências
A reorganização dos serviços foi anunciada pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no parlamento. O plano prevê o arranque das primeiras urgências externas de âmbito regional nas áreas de obstetrícia e ginecologia.
Além da Península de Setúbal, com centralização no hospital Garcia de Orta, o modelo inclui também serviços nas unidades locais de saúde de Vila Franca de Xira e Beatriz Ângelo, em Loures.

Agência de Notícias 
Fotografia: CM Alcochete 

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