Nove municípios exigem recuo do Governo e acusam ministra de faltar à verdade e exigem suspensão imediata
Num território que se prepara para crescer como nunca, a decisão de encerrar serviços de saúde caiu como uma bomba. Pela primeira vez, sem cores partidárias e em frente comum, os nove autarcas da Península de Setúbal avançaram até ao Ministério da Saúde para exigir explicações e contestar o fecho da maternidade do Hospital do Barreiro. Não falaram com a Ministra mas conseguiram reunião para dia 10 de Março.![]() |
| Autarcas foram esta manhã bater à porta da ministra da Saúde |
A contestação já saiu à rua. No domingo, a população concentrou-se junto à unidade hospitalar, revoltada com a decisão de concentrar a resposta obstétrica no Hospital Garcia de Orta, em Almada e do fecho da urgência obstetra do hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro.
Os autarcas acusam a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, de ter faltado à verdade em pleno Parlamento ao afirmar que teria dialogado previamente com os presidentes de câmara.
"Fomos surpreendidos pelo anúncio, fomos surpreendidos quando a Ministra disse que já tinha falado com os autarcas sobre esta matéria. É falso e não podemos deixar de sublinhar isto", afirmou Frederico Rosa, presidente da Câmara do Barreiro e também presidente da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal.
"Todos nós soubemos pela comunicação social, de resto", acrescentou Frederico Rosa que tinha a seu lado os presidentes da câmaras de Almada, Seixal, Moita, Sesimbra, Palmela, Montijo e Alcochete. Setúbal fez-se representar por vereadores.
O autarca foi ainda mais incisivo: "O Governo não podia ter avançado com um decreto destes sem ouvir os autarcas e, por isso, vai ter de recuar. Impossível é não ouvir as populações e manter a cabeça enterrada na areia".
Perguntas sem resposta e apelo ao diálogo
Perante este cenário, os autarcas insistem na suspensão imediata da medida e exigem diálogo. O encontro com o Ministério da Saúde ficou marcado para dia 10, após sucessivos adiamentos.
"O que nós queremos é que a Ministra baixe do seu gabinete e venha falar com as pessoas, com os autarcas. Representamos quase 900 mil pessoas nesta Península", sublinhou Frederico Rosa.
A Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal deixa várias questões no ar: qual é a estratégia do Governo para garantir que a capacidade hospitalar acompanha o previsível aumento populacional. Que calendário existe para a construção do hospital do Seixal. Como serão reforçados os cuidados de saúde primários. Que medidas estão previstas para responder às novas exigências em emergências e saúde pública.
Para já, a posição é inequívoca: a saúde não pode ser o elo mais fraco de uma região chamada a crescer.
Os autarcas acusam a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, de ter faltado à verdade em pleno Parlamento ao afirmar que teria dialogado previamente com os presidentes de câmara.
"Fomos surpreendidos pelo anúncio, fomos surpreendidos quando a Ministra disse que já tinha falado com os autarcas sobre esta matéria. É falso e não podemos deixar de sublinhar isto", afirmou Frederico Rosa, presidente da Câmara do Barreiro e também presidente da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal.
"Todos nós soubemos pela comunicação social, de resto", acrescentou Frederico Rosa que tinha a seu lado os presidentes da câmaras de Almada, Seixal, Moita, Sesimbra, Palmela, Montijo e Alcochete. Setúbal fez-se representar por vereadores.
O autarca foi ainda mais incisivo: "O Governo não podia ter avançado com um decreto destes sem ouvir os autarcas e, por isso, vai ter de recuar. Impossível é não ouvir as populações e manter a cabeça enterrada na areia".
Uma região em transformação, um SNS sob pressão
A polémica surge num momento de transformação estrutural do território. A Península de Setúbal prepara-se para acolher projetos como a Terceira Travessia do Tejo, o TGV, o novo aeroporto e o projeto Parques Cidades do Tejo, com procedimentos administrativos já em curso e impulsionados pelo atual Governo.
Estes investimentos são vistos como uma oportunidade estratégica para reforçar a competitividade regional e nacional. Porém, trazem desafios acrescidos à saúde pública num território com o PIB per capita mais baixo do país, marcado por fragilidades socioeconómicas e por um crescimento populacional consistente.
A Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal é clara: "A Saúde é um direito fundamental de todos e não pode ficar para trás num território que está a ser chamado a crescer e a transformar-se".
A entidade intermunicipal alerta ainda que "a falta de resposta adequada agrava desigualdades e compromete a confiança da população no Serviço Nacional de Saúde".
A polémica surge num momento de transformação estrutural do território. A Península de Setúbal prepara-se para acolher projetos como a Terceira Travessia do Tejo, o TGV, o novo aeroporto e o projeto Parques Cidades do Tejo, com procedimentos administrativos já em curso e impulsionados pelo atual Governo.
Estes investimentos são vistos como uma oportunidade estratégica para reforçar a competitividade regional e nacional. Porém, trazem desafios acrescidos à saúde pública num território com o PIB per capita mais baixo do país, marcado por fragilidades socioeconómicas e por um crescimento populacional consistente.
A Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal é clara: "A Saúde é um direito fundamental de todos e não pode ficar para trás num território que está a ser chamado a crescer e a transformar-se".
A entidade intermunicipal alerta ainda que "a falta de resposta adequada agrava desigualdades e compromete a confiança da população no Serviço Nacional de Saúde".
Indicadores preocupantes na Península de Setúbal
Os dados reforçam o alarme. A mortalidade infantil na Península de Setúbal é superior à média nacional. Cerca de 40 por cento dos utentes não têm médico de família atribuído.
Nos últimos anos, tornaram-se recorrentes os relatos de partos realizados em ambulâncias, após o reencaminhamento de grávidas para o Hospital Garcia de Orta e para hospitais da Grande Lisboa.
Segundo a CIM, estes episódios geram desconforto nas gestantes e potenciam riscos para mães e bebés. Soma-se o perigo associado à demora dos meios de socorro, que poderão ficar ainda mais sobrecarregados com o aumento dos tempos de deslocação em emergências obstétricas e ginecológicas.
"Acho que vai-se instalar o caos e a probabilidade de haver mais profissionais a querer sair vai aumentar", avisou Frederico Rosa.
Os dados reforçam o alarme. A mortalidade infantil na Península de Setúbal é superior à média nacional. Cerca de 40 por cento dos utentes não têm médico de família atribuído.
Nos últimos anos, tornaram-se recorrentes os relatos de partos realizados em ambulâncias, após o reencaminhamento de grávidas para o Hospital Garcia de Orta e para hospitais da Grande Lisboa.
Segundo a CIM, estes episódios geram desconforto nas gestantes e potenciam riscos para mães e bebés. Soma-se o perigo associado à demora dos meios de socorro, que poderão ficar ainda mais sobrecarregados com o aumento dos tempos de deslocação em emergências obstétricas e ginecológicas.
"Acho que vai-se instalar o caos e a probabilidade de haver mais profissionais a querer sair vai aumentar", avisou Frederico Rosa.
Um serviço com história e números que pesam
Entre 2014 e 2024 realizaram-se mais de 16 mil partos no Hospital do Barreiro. Durante períodos de encerramentos rotativos, foi, segundo os dados disponíveis, a unidade com menos falhas.
O serviço de ginecologia e obstetrícia do Hospital Nossa Senhora do Rosário tem sido um pilar essencial no acompanhamento das mulheres da região. O encerramento das urgências levanta receios quanto à segurança da resposta materno-infantil numa área marcada pela imprevisibilidade clínica.
A concentração de recursos no Hospital Garcia de Orta, centro de referência para emergências obstétricas complexas no sul do país, poderá sobrecarregar um serviço já exigido ao limite.
Para a CIM, é essencial "preservar a capacidade de resposta do Hospital Garcia de Orta para situações de risco, garantindo uma reorganização baseada na proximidade, na segurança e num planeamento estratégico".
Existe ainda o risco de o Hospital Nossa Senhora do Rosário perder a acreditação de idoneidade formativa, o que poderá reduzir a sua atratividade e dificultar a fixação de profissionais de saúde na região.
Entre 2014 e 2024 realizaram-se mais de 16 mil partos no Hospital do Barreiro. Durante períodos de encerramentos rotativos, foi, segundo os dados disponíveis, a unidade com menos falhas.
O serviço de ginecologia e obstetrícia do Hospital Nossa Senhora do Rosário tem sido um pilar essencial no acompanhamento das mulheres da região. O encerramento das urgências levanta receios quanto à segurança da resposta materno-infantil numa área marcada pela imprevisibilidade clínica.
A concentração de recursos no Hospital Garcia de Orta, centro de referência para emergências obstétricas complexas no sul do país, poderá sobrecarregar um serviço já exigido ao limite.
Para a CIM, é essencial "preservar a capacidade de resposta do Hospital Garcia de Orta para situações de risco, garantindo uma reorganização baseada na proximidade, na segurança e num planeamento estratégico".
Existe ainda o risco de o Hospital Nossa Senhora do Rosário perder a acreditação de idoneidade formativa, o que poderá reduzir a sua atratividade e dificultar a fixação de profissionais de saúde na região.
Perguntas sem resposta e apelo ao diálogo
Perante este cenário, os autarcas insistem na suspensão imediata da medida e exigem diálogo. O encontro com o Ministério da Saúde ficou marcado para dia 10, após sucessivos adiamentos.
"O que nós queremos é que a Ministra baixe do seu gabinete e venha falar com as pessoas, com os autarcas. Representamos quase 900 mil pessoas nesta Península", sublinhou Frederico Rosa.
A Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal deixa várias questões no ar: qual é a estratégia do Governo para garantir que a capacidade hospitalar acompanha o previsível aumento populacional. Que calendário existe para a construção do hospital do Seixal. Como serão reforçados os cuidados de saúde primários. Que medidas estão previstas para responder às novas exigências em emergências e saúde pública.
Para já, a posição é inequívoca: a saúde não pode ser o elo mais fraco de uma região chamada a crescer.
Agência de Notícias
Fotografia: CM Moita

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