Pinhal Novo adia aniversário da freguesia mas reforça união após tempestade

Aniversário da Junta muda de data enquanto vila mostra força perante adversidades

Pinhal Novo prepara-se para celebrar quase um século de história administrativa, mas este ano a data simbólica de 7 de Fevereiro será marcada pela solidariedade e pelo esforço coletivo de recuperação após as depressões Kristin e Leonardo, num momento em que a comunidade escolhe reconstruir antes de festejar.
Pinhal Novo completa 98 anos de existência como freguesia no sábado  

Antes de existir como freguesia ou vila, Pinhal Novo era apenas um ponto de passagem conhecido como Lagoa da Palha, numa vasta planície entre Lisboa e Setúbal onde caminhos e rotas se cruzavam muito antes das estradas modernas ou da ferrovia.
Hoje, esse território transformou-se num polo urbano dinâmico, mas em Fevereiro de 2026 enfrenta um desafio diferente: recuperar dos estragos provocados pela depressão Kristin - e até sábado também pelo Leonardo -, que afetou pessoas, famílias, animais, infraestruturas e espaços públicos.
O presidente da Junta de Freguesia de Pinhal Novo, João Estróia Vieira, sublinha que "o momento exige união, limpeza e reconstrução de todo o território". Acrescenta ainda que "não é tempo de festejos, infelizmente, mas sim de apoiar quem mais sofreu".

Comemorações adiadas em nome da comunidade
As comemorações do aniversário da Junta, tradicionalmente assinaladas a 7 de Fevereiro, serão realizadas numa data futura ainda por anunciar
A autarquia explica que pretende garantir um contexto mais sereno e adequado, permitindo que toda a população participe com o espírito que a ocasião merece.
Segundo João Estróia Vieira, "a decisão foi tomada com sentido de responsabilidade e respeito pela comunidade". O autarca refere ainda que "todos compreendem que a prioridade é ajudar quem foi afetado".
A previsão de condições meteorológicas adversas para os dias seguintes reforçou a decisão. Além disso, o calendário democrático também pesou na escolha: o dia 8 de Fevereiro corresponde ao segundo sufrágio das Eleições Presidenciais e o dia 7 de Fevereiro é dedicado à reflexão eleitoral.
O presidente da Junta reforça que "é essencial garantir recato institucional e respeitar plenamente os princípios democráticos".
 
Da criação da freguesia ao estatuto de vila

A história administrativa de Pinhal Novo começou oficialmente a 7 de Fevereiro de 1928, quando, através do Decreto-Lei n.º 15 004, a localidade deixou de depender diretamente de Palmela e passou a ser freguesia autónoma.
Décadas antes, a chegada da ferrovia - inaugurada oficialmente a 1 de Fevereiro de 1861 - já tinha mudado o destino da localidade, tornando-se a espinha dorsal do crescimento económico e populacional.
Quase seis décadas após a criação da freguesia, Pinhal Novo voltou a subir de estatuto. A 11 de Março de 1988 recebeu oficialmente a categoria de vila, consolidando o seu peso regional.

Crescimento populacional e identidade diversa
Ao longo do século XX e início do XXI, o crescimento foi constante. Nos primeiros censos, a população não ultrapassava algumas centenas de habitantes. Nas últimas décadas, os números mostram uma evolução clara: cerca de 25 mil habitantes em 2011 e aproximadamente 27 mil habitantes em 2021, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Mas os números reais já podem estar perto dos 30 mil. 
Este aumento resulta da proximidade a Lisboa e Setúbal, da forte ligação ferroviária e da qualidade de vida oferecida pelo território.
Também a diversidade de origens marcou a identidade local. Fluxos migratórios vindos das Beiras, Alentejo, Algarve e outras regiões ajudaram a construir uma comunidade cosmopolita e resiliente.

Entre tradição e futuro
Hoje, Pinhal Novo equilibra tradição e modernidade. As festas, romarias e memórias históricas convivem com o crescimento urbano e com a afirmação da vila como polo estratégico na Península de Setúbal.
João Estróia Vieira destaca que "a força desta terra está nas pessoas e na capacidade de superar momentos difíceis". E conclui que "Pinhal Novo saberá celebrar quando for o tempo certo".

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira/ADN 

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