Orçamento do Montijo para 2026 aprovado com foco na execução e investimento local

Educação, saúde e espaço público no centro das prioridades da Câmara do Montijo que aprovou orçamento de 83,3 milhões

O Orçamento Municipal do Montijo para 2026, no valor global de 83,3 milhões de euros, foi aprovado na última quarta-feira, sem qualquer voto contra, numa reunião do executivo camarário presidido por Fernando Caria. A proposta seguiu em frente com os votos favoráveis dos três eleitos do movimento independente Montijo com Visão e Coração (MVC) e do vereador do PSD, enquanto os representantes do Chega e do PS optaram pela abstenção.  
Orçamento Municipal do Montijo atinge 83,3 milhões de euros

Durante a apresentação pública, Fernando Caria sublinhou que se trata de “um orçamento realista, construído com base nas condições financeiras atualmente disponíveis, que privilegia a estabilidade das contas municipais e a gestão criteriosa dos recursos públicos”.
Entre os projetos previstos, o presidente da Câmara destacou a conclusão da Loja do Cidadão e o arranque da requalificação da Biblioteca Municipal. Estão igualmente contempladas ações de manutenção e reparação de edifícios municipais, o reforço da transformação digital dos serviços, o aumento da frota e dos meios operacionais na área da higiene urbana e a implementação de uma agenda municipal dedicada ao bem-estar animal.
No domínio da educação, o orçamento prevê intervenções nas escolas D. Pedro Varela e Poeta Joaquim Serra, a construção do Centro Escolar de Pegões e a disponibilização gratuita e universal de música e desporto no pré-escolar público.
Já na área da saúde, está planeada a requalificação das unidades existentes e o desenvolvimento de novas unidades integradas no plano municipal, reforçando a resposta de proximidade à população.

Habitação, mobilidade e espaço público ganham destaque
A política de habitação social surge como uma das prioridades, com o início da reabilitação dos bairros do Esteval e da Caneira. A autarquia prevê ainda a recuperação de fogos municipais devolutos, respostas para situações de alojamento urgente e temporário e o desenvolvimento de um loteamento para habitação e serviços na antiga fábrica do Izidoro. Em paralelo, avança o processo de planeamento do território, com destaque para a revisão do Plano Diretor Municipal.
No espaço público e mobilidade, estão previstos o início da concretização do Parque Urbano da Frente Ribeirinha e do Corredor Verde, a requalificação e aquisição de equipamentos desportivos, a segunda fase da iluminação pública na ciclovia da EN252, a repavimentação da EM 533 em Canha e a requalificação da Estrada do Seixalinho. A melhoria de arruamentos, estradas e caminhos estende-se a todas as freguesias do concelho.
Segundo Fernando Caria, este orçamento traduz “uma mudança de estratégia, privilegiando a capacidade de execução, a coerência e resultados concretos no território”.

Oposição justifica abstenções
A bancada do Chega explicou a abstenção como uma forma de não votar contra a proposta. Em declaração de voto, o vereador Carlos de Almeida afirmou que “se for apresentado um orçamento diferente, responsável e verdadeiramente alternativo, cá estaremos para o apoiar”.
Do lado do PS, Carlos Anjos lembrou que o documento sofrerá ajustamentos ao longo do ano e salientou a baixa dívida municipal. “Acho que este executivo vai ter capacidade de fazer obra, porque esta é uma das 10 câmaras menos endividadas. No mandato passado a Câmara pode não ter feito obra, mas também não contraiu dívida, o que permite uma janela de oportunidade”, afirmou, numa referência à gestão socialista anterior.
O executivo municipal é composto por três eleitos do MVC, dois vereadores do Chega, um do PS e um do PSD, este último com pelouros atribuídos.
Os documentos agora aprovados incluem também o plano plurianual e as grandes opções para o período 2026-2030, definindo o enquadramento estratégico das políticas municipais para os próximos anos.
 
SMAS aprovados com orçamento de 8,2 milhões
Na mesma reunião foi igualmente aprovado o orçamento dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS), que ascende a 8,2 milhões de euros, embora com um sentido de voto diferente. A proposta contou com os votos favoráveis do MVC e do PSD, a abstenção do PS e os votos contra dos dois vereadores do Chega.
Fernando Caria adiantou que a receita deverá aumentar devido à atualização das tarifas de água e saneamento, em linha com as recomendações da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e o enquadramento legal em vigor.
Do lado da despesa, o autarca alertou para a rubrica de trabalhos especializados, onde estão previstos sete meses de faturas da Simarsul, cada uma no valor de 290 mil euros. “Um valor extremamente alto que estamos a tentar renegociar”, disse. 
O orçamento dos SMAS representa um acréscimo de cerca de 444 mil euros face ao ano anterior.

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira/ADN 

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