Derrocada na Costa de Caparica obriga a evacuações e mantém Almada em alerta

Depressão Leonardo provoca deslizamentos na arriba fóssil, corta acessos e deixa casas em risco 

Pelo menos 35 pessoas foram retiradas das suas casas no concelho de Almada devido ao mau tempo provocado pela depressão Leonardo, fenómeno que já originou deslizamentos de terras, derrocadas e cortes de acessos na Costa de Caparica, mantendo moradores e autoridades em estado de vigilância permanente. Durante a noite de quinta-feira, grandes blocos de terra continuaram a cair na arriba fóssil em São João da Caparica, deixando a arriba ainda mais instável e vulnerável, com risco de atingir habitações.
Autarcas e proteção civil visitaram zona dos deslizamentos 

A instabilidade provocada pela depressão Leonardo continua a fazer sentir-se com intensidade no litoral do concelho de Almada. Entre deslizamentos de terras e galgamento costeiro, várias zonas registaram ocorrências que obrigaram à retirada de moradores e ao reforço das medidas de segurança.
Entre as situações mais críticas está a retirada de 22 idosos de um lar na Charneca de Caparica, depois de um muro de um lote vizinho ter desabado sobre o edifício. Os utentes foram transferidos para outro lar localizado em Setúbal.
Além deste caso, na Azinhaga dos Formozinhos foram retiradas quatro famílias, sendo que duas tiveram de ser realojadas pela autarquia. Já no Segundo Torrão, o avanço do mar obrigou à retirada de duas famílias, num total de cerca de dez pessoas. Na Cova do Vapor, os acessos foram cortados e equipas mantêm vigilância permanente no terreno.

Derrocada na arriba aumenta medo entre moradores
O episódio mais recente aconteceu na tarde de quarta-feira, dia 4, quando parte de uma encosta em São João da Caparica desabou devido ao mau tempo. A derrocada colocou em risco várias habitações e um infantário.
A arriba fóssil já apresentava sinais de instabilidade desde a noite de terça-feira, dia 3, altura em que começaram a registar-se deslizamentos ao longo da falésia.
Um morador acordou com o forte ruído provocado pelo desabamento, situação que levou pelo menos uma família a abandonar a zona. No local, as autoridades criaram um perímetro de segurança e militares da Guarda Nacional Republicana estão a contactar residentes para alertar para os riscos.
Elementos da Proteção Civil permanecem no terreno e alertam que, com a continuação do mau tempo, a situação é "imprevisível, assustadora e perigosa", afirmou uma moradora.
Durante a noite de quinta-feira, grandes blocos de terra continuaram a cair, deixando a arriba ainda mais instável e vulnerável, com risco de atingir habitações. Algumas pessoas já abandonaram as casas, enquanto outras permanecem, mas sempre "em alerta máximo".

Autarquia aponta solos encharcados como principal risco
Em conferência de imprensa, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, destacou que os deslizamentos de terras nas arribas são uma das maiores preocupações atuais.
"Estamos com problemas, como viram, de deslizamento de terras, que é a nossa grande preocupação, porque está tudo muito encharcado", afirmou.
Segundo explicou, as zonas de São João e Santo António da Caparica são aquelas onde se registaram mais deslizamentos, embora sem danos considerados graves, tendo os moradores sido convidados a sair por precaução.
A autarca salientou ainda que muitas destas habitações são segundas residências, o que fez com que parte das casas estivesse desocupada. Ainda assim, confirmou que houve pessoas retiradas, embora sem necessidade de realojamento municipal em vários casos.

Outros danos registados no concelho
Entre os estragos provocados pelo mau tempo, registou-se também a queda de parte do muro do Seminário de Almada, na noite de terça-feira, que acabou por danificar viaturas.
Foi ainda registado o abatimento de parte da zona do cais do Ginjal que não tinha sido alvo de requalificação. Para a presidente da autarquia, este episódio demonstra a necessidade urgente das intervenções realizadas naquela zona.
"Ainda bem que o fizemos, porque senão a situação poderia ser muito mais complicada", afirmou.

Depressão Leonardo mantém país sob influência de mau tempo
Portugal continental está a ser afetado pela depressão Leonardo, prevendo-se até sábado períodos de chuva persistente e por vezes forte, queda de neve, vento intenso e forte agitação marítima, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Agência de Notícias 
Fotografia: Luís Filipe Catarino/CM Almada 

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