Editorial: Não há tempestade que pare um país que quer ser livre. A escolha é clara: hoje vote!
Hoje não é apenas um domingo. Hoje mede-se a força da nossa democracia. Há dias que ficam na história não pelo ruído que fazem, mas pelo silêncio das decisões individuais. Hoje é um desses dias. Sair de casa para votar é mais do que cumprir um direito - é assumir um lugar na história coletiva de Portugal. Porque a democracia constrói-se com participação. Porque votar é um direito conquistado. Porque a democracia não espera pelo bom tempo. Porque cada voto é um ato de memória histórica.![]() |
| Este domingo escolhemos o próximo Presidente da República |
Nos últimos dias, tempestades, cheias e destruição atingiram várias regiões. Surgiram vozes a sugerir adiamentos, outras a normalizar a ideia de não votar. É compreensível que existam problemas. Mas é preciso dizer com clareza institucional: eleições não se suspendem porque chove, porque faz vento ou porque existem dificuldades logísticas. A democracia não pode depender da meteorologia. Se dependesse, nunca teria nascido.
Defender o boicote eleitoral - mesmo que com boas intenções - enfraquece aquilo que diz proteger. Porque a democracia constrói-se com participação. E ficar em casa pode ser confortável, mas não é uma escolha democrática plena.
Portugal sabe, melhor do que muitos, o valor do voto. Durante décadas, votar não foi um direito universal. Foi um privilégio negado a muitos. Foi silenciado. Foi controlado. Por isso hoje, mais do que nunca, importa lembrar: votar é um direito conquistado. Não foi oferecido. Foi conquistado.
Em 1986, Portugal viveu uma das provas mais exigentes da sua maturidade democrática. Segunda volta presidencial. Um país dividido. Campanhas duras. Resultados renhidos entre Mário Soares e Freitas do Amaral. E, no entanto, venceu algo maior do que qualquer candidato: venceu o respeito institucional. Venceu a democracia. Porque cada voto é um ato de memória histórica.
E já enfrentámos momentos ainda mais difíceis. Em pandemia, votámos com medo, com hospitais sob pressão, com restrições sociais. E mesmo assim votámos. Porque a democracia não espera pelo bom tempo. Espera por cidadãos.
Hoje não se trata apenas de escolher um nome. Trata-se de defender um princípio. Votar é defender a democracia. Votar é defender a cidadania. Votar é honrar quem nunca pôde votar.
Daqui a décadas, quando olharmos para trás, não vamos lembrar-nos da tempestade. Vamos lembrar-nos se estivemos - ou não - presentes quando a democracia chamou.
Este domingo, a democracia chama pelo nome de cada cidadão.
E a história escreve-se assim: Com passos na rua, com filas nas urnas e com boletins dobrados em silêncio.
Hoje, a democracia não pede heroísmo. Pede presença.
Saia de casa. Vá votar e esteja do lado da história.
Hoje, a democracia não pede heroísmo. Pede presença.
Saia de casa. Vá votar e esteja do lado da história.
Impressões Digitais por Paulo Jorge Oliveira
Diretor:
Fotografia: Design ADN

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