Barreiro contesta fecho das urgências de obstetrícia anunciado pela ministra

Fecho no Hospital Nossa Senhora do Rosário coloca grávidas da região sob pressão

A partir de março, a nova urgência regional de obstetrícia e ginecologia da Península de Setúbal deverá concentrar-se no Hospital Garcia de Orta, em Almada, mas a decisão de encerrar a urgência do Hospital Nossa Senhora do Rosário está a incendiar o debate político e a mobilizar autarcas do distrito de Setúbal. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, confirma o fecho, enquanto o presidente da Câmara do Barreiro, Frederico Rosa, acusa o Governo de falta de diálogo e exige soluções estruturais.
Urgência de obstetrícia encerra em Março. Autarquia contesta decisão

Apesar do fecho da urgência, a governante garante que o hospital continuará a assegurar partos programados e cuidados diferenciados na área da obstetrícia e ginecologia. "Vão continuar a nascer bebés no Barreiro, obviamente. Nem todos os partos são em urgência", assegurou a ministra nesta terça-feira. 
Na comissão parlamentar de saúde, Ana Paula Martins foi clara quanto ao destino da urgência do Barreiro. "A urgência do Barreiro vai fechar porque não tem condições para se manter aberta", afirmou.
A ministra justificou a decisão com a escassez de médicos especialistas, lembrando que, nos últimos meses, as três urgências de obstetrícia da Península de Setúbal funcionaram em regime de rotatividade. Um modelo que, segundo disse, sujeitou os profissionais do hospital a um "esforço desumano" para garantir resposta às grávidas da região.
A responsável reconheceu ainda a sua quota-parte no atraso da publicação do Quadro Global de Referência do Serviço Nacional de Saúde para os próximos anos. Ainda assim, adiantou que, neste primeiro trimestre, as unidades locais de saúde já dispõem de uma base de indicadores assistenciais, construída a partir do histórico da procura. O processo de contratualização com os hospitais deverá estar concluído até ao final de Março.

Autarcas denunciam falta de diálogo e alertam para impacto regional
No Barreiro, a reação foi imediata. O presidente da Câmara, Frederico Rosa, critica o que considera ser uma decisão tomada sem ouvir os autarcas da região.
"Sabemos, pela comunicação social, que a senhora ministra vai fechar as urgências obstétricas no Hospital Nossa Senhora do Rosário. Apesar de há mais de sete meses estarmos a pedir reuniões", afirmou numa publicação nas redes sociais, referindo que o pedido de audiência foi subscrito também pelos presidentes das câmaras da Moita, Montijo e Alcochete.
Para o autarca, o problema ultrapassa fronteiras municipais. "Isto não é só um problema destes quatro concelhos, é um problema de região. Uma região que cada vez tem mais gente a morar, mais gente jovem, e onde cresce o número de partos", alertou.
Frederico Rosa recordou ainda que, em 2013, a Península de Setúbal foi integrada estatisticamente com a Margem Norte, passando a ser considerada a região mais rica do país. "Quando nós sabíamos que não era assim. E, felizmente, agora conseguimos ter a unidade estatística separada e olharmos a nossa realidade. E sabe o que é que diz? Exatamente que somos, no per capita, a região mais pobre do país", afirmou.

Crescimento da região aumenta pressão sobre o SNS
Num território onde estão previstos grandes projetos estruturantes, como a terceira travessia do Tejo, o novo aeroporto e a alta velocidade ferroviária, Frederico Rosa defende que o reforço dos serviços públicos é indispensável.
"Não podemos alinhar o crescimento da região com o fecho de serviços. Não podemos transformar um fecho numa medida estrutural", frisou.
O presidente da autarquia sustenta que qualquer reorganização hospitalar deve ser acompanhada por um reforço efetivo dos cuidados de saúde primários, designadamente médicos de família, para evitar que milhares de utentes sem acompanhamento recorram às urgências sem diagnóstico adequado.
"Isto nada tem a ver com a criação de uma grande unidade no Garcia da Orta. Tem a ver com as populações destes territórios. Este é um problema do distrito, desde o Litoral Alentejano até ao Arco Ribeirinho Sul", sublinhou.
Convicto de que a decisão pode ser revertida, o autarca deixou uma mensagem final. "É possível reverter. É possível juntarmo-nos para encontrar soluções estruturais. E se há alguém que merece uma solução estrutural é o nosso Serviço Nacional de Saúde", afirmou.
E concluiu com um apelo à mobilização coletiva. "Pelo Barreiro, pela região e pela península, temos que encontrar respostas e estamos cá para isso. Vamos todos juntos mostrar o caminho que deve ser seguido", concluiu.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 

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