Seixal sem solução à vista para a sobrelotação nos comboios da ponte

Comboios cheios, atrasos a subir e utentes sob pressão no eixo Setúbal-Lisboa mas a Fertagus diz que não tem soluções

A sobrelotação nos comboios que ligam Setúbal a Lisboa está longe de ter um desfecho próximo. A Fertagus garantiu à Câmara Municipal do Seixal que não existe qualquer solução a curto prazo para aliviar as carruagens cheias, apontando a falta de material circulante e as limitações da infraestrutura ferroviária como os principais entraves à melhoria do serviço.
Utentes enfrentam viagens cheias e atrasos constantes

Sem respostas imediatas no transporte ferroviário, a Câmara do Seixal procura outras soluções para mitigar o impacto nos utentes. A ligação fluvial ao Terreiro do Paço, a partir do Seixal e de Cacilhas, apresenta margem para crescer. Segundo o presidente da autarquia, “os barcos têm uma taxa de ocupação de 50 por cento e as queixas dos utentes têm diminuído”.
A autarquia assumiu ainda a gestão do parque de estacionamento junto ao terminal fluvial, tornando-o gratuito, numa tentativa de incentivar esta alternativa ao comboio.
No panorama mais alargado da mobilidade, mantém-se a reivindicação da extensão do Metro Sul do Tejo até à estação de Foros da Amora. Trata-se de “uma obra prevista no contrato de concessão”, mas que continua fora das prioridades governamentais, uma vez que o Executivo apenas fala da ligação à Costa de Caparica, em Almada. 

Reunião no Seixal confirma cenário difícil
A garantia de que a situação não vai melhorar nos próximos tempos foi transmitida numa reunião realizada na manhã de quarta-feira, 28 de Janeiro, entre a administração da Fertagus e o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva. Nesse encontro, a empresa explicou que o aumento da procura tem sido significativo e que atualmente transporta cerca de 100 mil passageiros por dia.
Ao autarca foi ainda assegurado que o Governo “foi avisado do aumento da procura e da necessidade de comprar material circulante”, revelou Paulo Silva, em declarações aos jornalistas. 

Falta de carruagens e limitações da via agravam problema

A Fertagus identificou duas causas principais para a persistência da sobrelotação: a escassez de carruagens disponíveis e as restrições impostas pela Infraestruturas de Portugal. Existem troços onde “os comboios faziam a 90 k/h e agora têm de ser feitos a 10 k/h”, explicou Paulo Silva, sublinhando que esta redução provoca atrasos e maior acumulação de passageiros nas estações.
Segundo a empresa, “a única solução a curto prazo passa pela IP fazer obras na infraestrutura” para permitir o regresso às velocidades anteriores.

Novas carruagens só depois de 2027
Mesmo a médio prazo, o reforço da oferta enfrenta obstáculos. O intervalo entre a encomenda e a entrega de novo material circulante ronda “sete anos, já que há muita procura na Europa”. A possibilidade de aquisição de comboios à China foi afastada devido a “problemas de certificação”.
Já estão compradas duas carruagens à operadora espanhola Renfe, mas estas apenas deverão entrar em funcionamento no segundo semestre de 2027. “Estão em fase de adaptação e depois há a necessidade de certificação”, adiantou o presidente da Câmara do Seixal. Cada carruagem transporta cerca de 380 passageiros, um número considerado reduzido face às necessidades de uma ligação que concentra cerca de 50 mil utentes no período da manhã.
 
Atrasos disparam e autarquia promete continuar pressão
Os constrangimentos refletem-se também na pontualidade. De acordo com dados fornecidos pela administração da Fertagus, em 2022 registaram-se cerca de seis mil minutos de atraso acumulado, número que subiu para 55 mil minutos em 2025. “Tudo por causa da IP”, segundo a empresa concessionária.
Perante este cenário, a Câmara do Seixal garante que não vai desistir. “Não vamos cruzar os braços. Vamos manter a pressão e continuar a dar apoio aos utentes”, afirmou Paulo Silva, referindo-se também à petição promovida pela comissão de utentes pela melhoria do serviço que já conta com mais de oito mil assinaturas. 

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira/ADN 

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