Escola Secundária de Pinhal Novo fecha portas em protesto pela falta de auxiliares

Comunidade escolar protesta contra escassez de funcionários em escola com dois mil alunos

A Escola Secundária de Pinhal Novo encerrou esta terça-feira como forma de protesto contra a falta de assistentes operacionais, situação que a comunidade escolar diz estar a comprometer o acompanhamento dos cerca de dois mil alunos. Presente na concentração, a presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, garantiu que o município irá contratar mais funcionários para atenuar o problema, embora sublinhe que "a verdadeira solução passa pela revisão dos rácios pelo Ministério da Educação".
Comunidade escolar protesta à porta da Escola Secundária

A porta da escola transformou-se, durante a manhã de terça-feira, num ponto de protesto. Alunos, professores e funcionários concentraram-se no local com cartazes onde se podiam ler frases como "Respeito pelas funcionárias" e "ordenados nos mínimos".
A ação teve como objetivo alertar para a falta de assistentes operacionais e para o impacto que essa escassez está a ter no funcionamento da escola.
Segundo Francisco Pinto, do Sindicato Nacional dos Profissionais de Educação, o número de trabalhadores diminuiu significativamente.
"Esta escola tinha 38 funcionários, mas este ano esse número foi reduzido para 32. E é uma escola com dois mil alunos", explicou. 
Entre os estudantes, a preocupação é evidente. Margarida Serpa, aluna da escola, descreveu a dimensão das instalações e a insuficiência de pessoal para garantir o apoio necessário.
"Uma escola é composta por professores, alunos e funcionários, porque sem eles a escola não funciona, nós não funcionamos, nós não sabemos por onde ir. Nesta escola, temos três blocos enormes, com cerca de 22 salas por cada lado do bloco, e existe apenas uma funcionária por cada piso", afirmou.

Falta de apoio afeta alunos com necessidades especiais
Uma das situações mais críticas ocorre na unidade de ensino estruturado da escola, que acompanha alunos com necessidades educativas especiais.
De acordo com o professor de Educação Especial Paulo Morgado, a falta de assistentes operacionais está a obrigar os docentes a assumir tarefas que deveriam ser desempenhadas por funcionários.
"Temos alunos que necessitam permanentemente de um assistente operacional ao seu lado. Nós temos professores de Educação Especial que ajudam a mudar fraldas e ninguém morre por isso. Enquanto estamos a mudar fraldas, não estamos a trabalhar pedagogicamente com os alunos", afirmou.
O sindicalista Francisco Pinto acrescentou que existe um grupo de 13 alunos que necessita de acompanhamento permanente, mas que conta apenas com três funcionárias, quando o rácio mínimo recomendado seria de seis.
Com três turnos de trabalho, a situação torna-se ainda mais difícil. "Isto significa uma funcionária para 13 alunos. É a inclusão que temos", lamentou.

Câmara de Palmela promete minimizar problema
A presidente da Câmara Municipal de Palmela marcou presença na concentração e manifestou apoio às reivindicações da comunidade educativa.
Ana Teresa Vicente anunciou que o município irá avançar com a contratação de mais funcionários para ajudar a aliviar a situação nas escolas do concelho.
"Felizmente vamos conseguir rapidamente minimizar a situação. Mas repito, é minimizar o problema. A verdadeira solução para a escassez de pessoal passará pela revisão dos rácios, que tem de ser feita pelo Ministério da Educação", afirmou.
A autarca defende ainda que os salários dos trabalhadores que venham a ser contratados pelo município devem ser assumidos pelo Ministério da Educação, através de uma alteração dos rácios de pessoal que garanta o funcionamento adequado das escolas.
Recordou também que, desde o início da transferência de competências na área da educação até ao final de 2025, o Ministério da Educação acumulou uma dívida de cerca de sete milhões de euros para com o município de Palmela.
Segundo explicou, a autarquia tem adiantado verbas para assegurar o funcionamento das escolas, mas nem sempre é compensada pelos montantes em falta - uma realidade que, sublinha, afeta vários municípios do país.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 

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