Militares da GNR salvam vida no Montijo após 40 minutos de espera por ambulância

Heróis fora de serviço impedem tragédia num restaurante

Um almoço de domingo no Montijo transformou-se num cenário de grande tensão e emoção, quando dois militares da GNR de Palmela, fora de serviço, protagonizaram uma intervenção decisiva que salvou a vida a um homem de 70 anos que entrou em paragem cardiorrespiratória. A rápida ação contrastou com a demora de cerca de 40 minutos na chegada do socorro médico. 

Militares da GNR salvam vida no Montijo

O episódio ocorreu cerca das 14h30 de domingo, num restaurante da zona do Montijo, junto à EN5. Os dois militares da GNR de Palmela encontravam-se a almoçar com as respetivas famílias no restaurante Sushi Zen quando, numa mesa próxima, um homem de 70 anos começou a sentir-se mal, apresentando sinais evidentes de palidez e desconforto.
Pouco depois, a vítima perdeu os sentidos e entrou em paragem cardiorrespiratória. Enquanto era feito o alerta para o 112, os militares não hesitaram. Colocaram o homem em posição lateral de segurança e, perante o desespero dos familiares e a ausência de meios de socorro no local, iniciaram de imediato manobras de suporte básico de vida e reanimação.

40 minutos de reanimação até chegar ajuda especializada
Segundo fonte oficial da GNR, os militares mantiveram as manobras de reanimação durante cerca de 40 minutos, período correspondente ao tempo que demorou a chegada de uma ambulância acionada pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM.
Apesar de o quartel dos bombeiros do Montijo se situar a menos de oito minutos do restaurante, todas as ambulâncias estavam retidas no hospital do Barreiro por falta de macas, depois de terem transportado outros doentes. A mesma limitação afetou os bombeiros do Pinhal Novo, a cerca de 10 minutos, e da Moita, a aproximadamente 12 minutos.
Acabou por ser uma ambulância dos bombeiros do Sul e Sueste, proveniente do Barreiro, a prestar socorro no local. À chegada da equipa médica, a vítima já tinha recuperado os sentidos, fruto da intervenção contínua dos militares da GNR, sendo posteriormente transportada para o hospital do Barreiro.
 
Declarações políticas reacendem debate sobre o SNS
Este caso surge num contexto de crescente debate público sobre o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde. Na segunda-feira, o primeiro-ministro afirmou existir uma “perceção de caos” no SNS, sublinhando que essa perceção “não corresponde à realidade”, defendendo que os tempos de espera nos hospitais “são os melhores dos últimos cinco anos”. O chefe do Governo elogiou ainda a ministra da Saúde, referindo que tem demonstrado “um nível de competência e de resistência notáveis”.
No entanto os factos são claros: Na semana passada morreram três pessoas, à espera de socorro no Seixal, Quinta do Conde e Tavira, no distrito de Faro. 

Profissionais e partidos apontam falhas estruturais
Em sentido oposto, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses alertou para aquilo que considera ser uma “maior degradação” do SNS, denunciando que o limite de 2,4 por cento imposto às Unidades Locais de Saúde na contratação de profissionais funciona como “um garrote” ao sistema.
Também o Partido Socialista pediu esclarecimentos adicionais sobre o processo de aquisição de ambulâncias para o INEM, solicitando acesso a toda a documentação existente, face ao que descreve como “opacidade da informação partilhada”.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN

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