Executivo corta apoios escolares em Setúbal e gera onda de críticas

Famílias sentem impacto dos novos cortes nos apoios educativos por parte da autarquia 

O novo executivo da Câmara Municipal de Setúbal decidiu cancelar as isenções de pagamento na ação social escolar, afetando refeições e atividades extracurriculares de alunos dos escalões A e B e crianças com incapacidade. A medida entrou em vigor em Janeiro e já está a provocar forte contestação política e social no concelho. CDU, PS e IL uniram-se nas criticas a Maria das Dores Meira. 

Câmara enfrenta críticas após decisão sobre apoios educativos
No início do novo ano, os encarregados de educação dos alunos das escolas de Setúbal foram informados do fim das isenções de pagamento para refeições escolares e atividades extracurriculares no âmbito da Ação Social Escolar. A informação foi transmitida pelos diretores escolares, após indicação da Divisão de Administração e Planeamento Escolar do município.
As medidas, que começaram a ser aplicadas em Janeiro, põem termo a um conjunto de apoios criados entre 2023 e 2025 pelo anterior executivo da CDU, com o objetivo de mitigar o impacto do aumento do custo de vida nas famílias do concelho. As refeições e atividades passaram a ser faturadas já este mês.

Quem passa a pagar e o que muda
Com o regresso de Maria das Dores Meira à liderança da autarquia, agora à frente de uma lista independente apoiada por PSD e CDS-PP, registam-se várias alterações nos apoios. As crianças do pré-escolar integradas nos escalões A e B deixam de beneficiar da gratuitidade das atividades de animação e apoio à família. Observa-se ainda que os alunos do escalão B, desde o pré-escolar até ao ensino secundário, voltam a suportar os custos das refeições escolares.
Além disso, as crianças com um grau de incapacidade igual ou superior a 60 por cento deixam de ter apoio no pagamento das refeições e das atividades de animação. A decisão surge num contexto em que também se verifica o aumento do custo do passe municipal, o que agrava o impacto financeiro sobre as famílias trabalhadoras.

Justificação financeira levanta polémica
Num email enviado aos encarregados de educação, a autarquia justifica os cortes com a existência de uma "situação financeira particularmente difícil" no município. Segundo a Câmara, esta realidade obriga a uma análise mais rigorosa da despesa e à definição de prioridades, tendo em conta o interesse público e o retorno para o concelho e para os munícipes.
Apesar desta justificação, a decisão tem sido alvo de críticas, sobretudo por penalizar famílias que dependem destes apoios no dia a dia, enquanto continuam a ser aprovados apoios pontuais por parte do executivo.

CDU, PS e IL criticam opções do executivo
Em comunicado, a CDU de Setúbal rejeita a leitura feita pelo atual executivo sobre a situação financeira da autarquia. A coligação refere que o valor de cerca de 98 milhões de euros de dívida, agora apresentado como "dívida encontrada", não tem rigor técnico e resulta da mistura entre passivos correntes, empréstimos de longo prazo e investimentos em curso.
Segundo a CDU, Maria das Dores Meira considerava, em 2021, no final do seu mandato, que estes valores eram "procedimentos perfeitamente geríveis". A coligação sublinha ainda que a dívida existente não impediu a maioria CDU de avançar, entre 2021 e 2025, com apoios extraordinários às crianças do concelho e outros projetos estruturantes.
Também os vereadores do Partido Socialista se manifestaram contra os cortes, defendendo que a situação financeira "não pode servir de argumento para reduzir apoios sociais". Os socialistas recordam que o executivo "conhecia o estado das finanças municipais no momento da candidatura e que os compromissos assumidos com os eleitores devem ser cumpridos". 
A Iniciativa Liberal juntou-se às críticas através da deputada municipal Susana Bicho, que alertou para o impacto do aumento do passe municipal e do fim da comparticipação das refeições escolares. Para a eleita liberal, estas decisões afetam "sobretudo famílias trabalhadoras que não têm acesso aos níveis máximos de apoio social, mas enfrentam uma pressão económica crescente". 
Segundo a Iniciativa Liberal, a política municipal deve "procurar um equilíbrio entre a gestão financeira e a proteção do rendimento das famílias, garantindo que o acesso ao transporte público e às refeições escolares não se transforma num encargo adicional para quem depende destes serviços diariamente". 

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira/ADN

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