Urgências fechadas fazem voluntários bater recorde de partos e até Espanha já fala do caso
Os Bombeiros Voluntários do Concelho da Moita tornaram-se protagonistas de uma história improvável: desde Janeiro já ajudaram a trazer ao mundo 15 bebés, todos nascidos em ambulâncias a caminho do hospital. O feito, que o comandante da corporação garante não querer repetir, já atravessou fronteiras e chegou às páginas do jornal espanhol El País.![]() |
| Beatriz, uma das 15 bebés que nasceram nas ambulâncias da Moita |
A corporação da Moita está a ganhar fama, não pelas operações de combate a incêndios, mas pelos partos em andamento. Desde o início do ano já realizaram 15 partos em ambulâncias, um número inédito no país e que o comandante Pedro Ferreira considera um "recorde que não quero".
O jornal espanhol El País dedicou uma reportagem ao caso e titulou: "Os bombeiros da cidade portuguesa da Moita tornam-se 'matrones': 15 partos num ano". O diário ouviu os bombeiros Paulo Medina e Hugo Rodrigues, que recordam a razão pela qual escolheram esta profissão: "Tornámo-nos bombeiros para apagar fogos". A realidade, porém, tem sido diferente. "O que fazemos cada vez com mais frequência são partos".
O comandante reforça: "A vida não espera". Apesar das fotografias partilhadas com orgulho nas redes sociais, surge sempre a preocupação com um cenário mais trágico. "No dia em que acontecer alguma coisa má e um bebé morrer, vão cair-nos em cima. Nesse dia, não quero que os meus homens estejam nas televisões, estarei eu para dar a cara".
Pedro Ferreira deixa ainda claro: "O sítio para um bebé nascer é na maternidade".
O jornal espanhol El País dedicou uma reportagem ao caso e titulou: "Os bombeiros da cidade portuguesa da Moita tornam-se 'matrones': 15 partos num ano". O diário ouviu os bombeiros Paulo Medina e Hugo Rodrigues, que recordam a razão pela qual escolheram esta profissão: "Tornámo-nos bombeiros para apagar fogos". A realidade, porém, tem sido diferente. "O que fazemos cada vez com mais frequência são partos".
O comandante reforça: "A vida não espera". Apesar das fotografias partilhadas com orgulho nas redes sociais, surge sempre a preocupação com um cenário mais trágico. "No dia em que acontecer alguma coisa má e um bebé morrer, vão cair-nos em cima. Nesse dia, não quero que os meus homens estejam nas televisões, estarei eu para dar a cara".
Pedro Ferreira deixa ainda claro: "O sítio para um bebé nascer é na maternidade".
Urgências fechadas tornam partos em ambulâncias mais frequentes
O El País contextualiza: a proliferação de partos em ambulâncias está diretamente ligada ao fecho das urgências de ginecologia e obstetrícia.
Na Moita, apesar de existir um hospital a apenas 10 minutos, no Barreiro, a maternidade fecha "quase todos os fins de semana, às vezes vários dias", explicou o comandante. Chegou mesmo a receber um aviso do hospital de Almada às 03h05, a informar que o bloco de partos fecharia às 08h30. "Isto é arcaico", afirma.
O cenário agrava-se a nível nacional: só este ano já foram registados 35 partos fora das maternidades, explica o diário espanhol, indicando que o problema se arrasta desde o governo de António Costa e continua com o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Segundo o jornal, os bombeiros recebem "mais formação do que salário". Apesar de terem materiais de emergência adequados para um parto, falta-lhes o subsídio de risco associado ao combate a incêndios.
O El País contextualiza: a proliferação de partos em ambulâncias está diretamente ligada ao fecho das urgências de ginecologia e obstetrícia.
Na Moita, apesar de existir um hospital a apenas 10 minutos, no Barreiro, a maternidade fecha "quase todos os fins de semana, às vezes vários dias", explicou o comandante. Chegou mesmo a receber um aviso do hospital de Almada às 03h05, a informar que o bloco de partos fecharia às 08h30. "Isto é arcaico", afirma.
O cenário agrava-se a nível nacional: só este ano já foram registados 35 partos fora das maternidades, explica o diário espanhol, indicando que o problema se arrasta desde o governo de António Costa e continua com o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Segundo o jornal, os bombeiros recebem "mais formação do que salário". Apesar de terem materiais de emergência adequados para um parto, falta-lhes o subsídio de risco associado ao combate a incêndios.
Histórias que marcam: “Foi o mais complicado que já fiz”
Há episódios que nenhum bombeiro esquece. Hugo Rodrigues descreve um dos partos mais difíceis deste ano:
"Chegámos e encontrámos a mulher no chão, com o marido desmaiado ao lado. Estavam à porta de casa e chovia. Saiu um bebé e, de repente, havia outro e ninguém sabia. Estava em paragem cardiorrespiratória e, felizmente, conseguimos reverter. Foi o mais complicado dos sete ou oito partos que fiz este ano".
O comandante recorda ainda um caso insólito:
"Uma mulher natural da Guiné pediu ajuda por causa de uma dor abdominal. Quando chegámos, percebemos que era uma gravidez que ela desconhecia. Não havia nenhuma ecografia para perceber a posição do bebé".
Há episódios que nenhum bombeiro esquece. Hugo Rodrigues descreve um dos partos mais difíceis deste ano:
"Chegámos e encontrámos a mulher no chão, com o marido desmaiado ao lado. Estavam à porta de casa e chovia. Saiu um bebé e, de repente, havia outro e ninguém sabia. Estava em paragem cardiorrespiratória e, felizmente, conseguimos reverter. Foi o mais complicado dos sete ou oito partos que fiz este ano".
O comandante recorda ainda um caso insólito:
"Uma mulher natural da Guiné pediu ajuda por causa de uma dor abdominal. Quando chegámos, percebemos que era uma gravidez que ela desconhecia. Não havia nenhuma ecografia para perceber a posição do bebé".
Último caso: bebé nasceu numa área de serviço
O mais recente parto aconteceu a 6 de Outubro, numa área de serviço da A33, quando a ambulância seguia para o hospital de Setúbal. A bebé Nariel e a mãe, Maria, ficaram bem.
"Há uma mistura de emoções, é muito especial ajudar alguém a vir ao mundo", contou Hugo Rodrigues.
O mais recente parto aconteceu a 6 de Outubro, numa área de serviço da A33, quando a ambulância seguia para o hospital de Setúbal. A bebé Nariel e a mãe, Maria, ficaram bem.
"Há uma mistura de emoções, é muito especial ajudar alguém a vir ao mundo", contou Hugo Rodrigues.
Governo reage: “Claro que me incomoda”
A polémica chegou ao Governo. Na sexta-feira, o primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu estar incomodado com partos em ambulâncias ou em plena via pública.
"Claro que me incomoda muito que haja partos em ambulâncias ou mesmo na via pública", afirmou.
A polémica chegou ao Governo. Na sexta-feira, o primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu estar incomodado com partos em ambulâncias ou em plena via pública.
"Claro que me incomoda muito que haja partos em ambulâncias ou mesmo na via pública", afirmou.
Agência de Notícias
Fotografia: Design ADN

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