Barreiro na rota do reforço fluvial: oferta vai crescer, garante Transtejo

Mais barcos elétricos no Tejo, mas prioridade agora é “estabilizar a frota” para apostar em novas carreiras 

A Transtejo restabeleceu os horários completos nas ligações fluviais do Tejo e prepara a expansão da frota elétrica, mas o reforço de carreiras para o Barreiro e Trafaria só avançará quando a operação estiver estável. A garantia foi dada, esta semana pelo novo presidente da empresa, Rui Rei, que aponta para um recorde de passageiros até ao final do ano, com a meta a superar os 25 milhões. Mas deixa um aviso: "O Barreiro necessita, dentro em breve, de mais oferta". 

Novo presidente da Transtejo quer mais barcos no Barreiro

Os barcos do Tejo voltaram a operar, este mês, com horários completos em dias úteis, após períodos de constrangimentos, sobretudo na ligação Cacilhas–Cais do Sodré. A introdução de navios elétricos permitiu somar 38 novas carreiras à operação.
"Voltam a ser completos os horários em todas as ligações, nomeadamente na ligação de Cacilhas, que era a que tinha maiores constrangimentos", afirmou Rui Rei à Antena 1, na sua primeira entrevista desde que assumiu a presidência da Transtejo, no mês passado.
A frota elétrica continua a crescer: já estão a navegar quatro navios movidos a energia elétrica - três no Seixal e um em Cacilhas, em operação desde esta segunda-feira. Em Dezembro, mais uma embarcação elétrica será integrada na ligação entre Cacilhas e o Cais do Sodré, totalizando dois barcos elétricos e um a diesel. Há ainda planos para levar esta tecnologia até ao Montijo.
 
Barreiro e Trafaria na mira, mas só após estabilização
Rui Rei assumiu cautela quanto à retirada de cacilheiros, assegurando que essa possibilidade está a ser analisada, mas sem previsão de concretização.
"Temos navios da frota tradicional que precisam de reparação, alguns encontram-se em estaleiro", explicou, revelando que, neste momento, há pelo menos seis embarcações paradas. "Por isso falo tanto na estabilização da frota e da oferta, para depois podermos reforçar a Trafaria, mas reforçar também o Barreiro", sublinhou.
O presidente da Transtejo reconhece a crescente procura na margem sul e admite que o Barreiro precisará de mais ligações a curto prazo. "O Barreiro necessita, dentro em breve, de mais oferta", disse, deixando ainda a promessa de que os barreirenses poderão experimentar um navio elétrico até ao final do ano, ainda que fora de carreiras regulares.
 
Transtejo aponta para mais de 25 milhões de passageiros em 2025
A crescente procura pelo transporte fluvial faz prever um ano histórico. Rui Rei estima que a empresa possa ultrapassar os 25 milhões de passageiros antes de 2025 chegar ao fim.
O último ano ficou, ainda assim, marcado por perturbações na operação. Em 2024, a Transtejo registou 12.474 supressões, das quais 10.258 foram classificadas como "ajustes programados" - um aumento de 50 por cento face a 2023.
Segundo a empresa, estas alterações resultaram de obras de manutenção da frota e da falta de recursos humanos, especialmente na ligação de Cacilhas.
A interpretação dos números, no entanto, gerou debate. Em Setembro, a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, afirmou no Parlamento que não se tratavam de supressões na sua maioria, mas sim de alterações pontuais de horários.

Investimentos continuam em 2026
Com a chegada concluída dos dez novos barcos elétricos e melhorias no sistema de carregamento energético, a Transtejo prepara agora o lançamento de um novo contrato de manutenção da frota, previsto para o início do próximo ano.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN

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