Moita, Alcochete, Barreiro e Montijo podem ficar sem partos

Autarcas querem reunir com ministro da Saúde e estão contra encerramento do Bloco de Partos do hospital do Barreiro 

Os autarcas da Moita, Alcochete, Barreiro e Montijo pediram uma audiência ao ministro da Saúde para manifestar a importância para as populações da existência da maternidade no Barreiro, cujo encerramento é apontado por um estudo. A informação foi dada pelo presidente da Câmara da Moita, Carlos Albino (PS), em declarações à agência Lusa, a propósito de uma recomendação da Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia-Obstetrícia e Bloco de Partos, que terá apontado para o fecho das urgências de obstetrícia do hospital do Barreiro.
Serviço afeta mais de 200 mil pessoas nos quatro municípios

De acordo com uma notícia avançada pelo Expresso, o grupo de peritos encarregue de propor uma solução para as urgências de obstetrícia e blocos de partos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) propôs ao Governo o fecho do atendimento SOS em dois hospitais da Grande Lisboa e dois na área geográfica da administração regional do Centro: as urgências obstétricas de Vila Franca de Xira, Barreiro, Covilhã e Castelo Branco.
Segundo Carlos Albino, face a esta informação, os autarcas da Moita, Alcochete, Barreiro e Montijo (concelhos do distrito de Setúbal cuja população é atendida pelo Centro Hospitalar Barreiro-Montijo) pediram de imediato uma audiência ao ministro da Saúde.
“Assim que verificámos que havia um estudo pedimos uma reunião ao ministro para clarificar esta questão e dar conta da importância que o equipamento tem para as populações”, disse.
O presidente da Câmara da Moita adiantou que este hospital fica muito próximo do concelho e serve esta população num trabalho de proximidade.
“Lembrar que a saúde é um direito inalienável e, para a Moita, é importante que todos os munícipes tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade”, referiu adiantando que, em termos de acessibilidades, não existe facilidade de transportes para qualquer um dos hospitais próximos, de Setúbal e Almada.
Carlos Albino acrescentou que os autarcas quiseram tomar a dianteira ao pedir uma reunião, deixando vincada a importância dos serviços para as suas populações, alertando ainda que este equipamento é também fundamental para o desenvolvimento da região e para a fixação das pessoas.
“Todos reconhecemos a importância destes serviços e tudo faremos para que permaneçam abertos e é isso que significa o pedido da reunião. Queremos estar do lado da solução, mas importa sensibilizar quem decide para a importância do equipamento porque uma análise fria dos números não permite este conhecimento”, disse em declarações à agência Lusa.
O ministro da Saúde, Miguel Pizarro, disse em Braga que as decisões sobre o eventual encerramento de maternidades serão anunciadas “daqui a alguns meses” e terão “toda a sustentação técnica”.
“Nós recebemos um relatório preliminar que exige uma visita cuidadosa a cada instituição, um diálogo com os profissionais, um diálogo com as instituições, desde logo com a Ordem dos Médicos. Estamos num trabalho preliminar e daqui a alguns meses anunciaremos as nossas decisões”, disse o ministro aos jornalistas à margem do 13.º Encontro Nacional das Unidades de Saúde Familiar.
Manuel Pizarro reiterou que o seu foco é garantir previsibilidade ao funcionamento do sistema de saúde materno-infantil.
Na quinta-feira, Manuel Pizarro já tinha referido, em Lisboa, que o Governo não irá fechar nenhum serviço de obstetrícia e blocos de partos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde até ao final do ano, decisão que só será tomada no inicio de 2023.

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