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terça-feira, 14 de julho de 2020

Utentes não querem fecho de maternidade em Almada

Comissões de utentes escrevem ao Governo e dizem que "nunca este hospital conheceu dias tão negros"

Depois do encerramento nocturno da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, em Almada, é a vez do serviço de Ginecologia e Obstetrícia. Utentes reivindicam intervenção urgente por parte do Governo. Num ofício enviado à ministra da Saúde, Marta Temido, as Comissões de Utentes da Saúde dos concelhos de Almada e do Seixal alertam para "notícias preocupantes sobre a inoperacionalidade e incapacidade de alguns serviços", bem como para "um crescendo de conflitualidade entre os serviços e o Conselho de Administração, em particular com a direcção clínica, com acusações graves quanto à qualidade e competência das orientações desta emanadas". Tendo em conta que "algo de profundamente anormal se passa no hospital Garcia de Orta", os utentes defendem que a tutela tem de intervir "com urgência", tomando as medidas necessárias à "reposição da normalidade dos (e nos) serviços", diz a comissão. A concelhia do CDS-PP, através de Sara Machado Gomes, já veio dizer que seria “trágico para Almada ter mais um serviço dedicado à maternidade fechado à noite". Para a Iniciativa Liberal "o distrito de Setúbal precisa de um plano sério de apoio à natalidade". 
Hospital serve cerca de meio milhão de pessoas 

“Nunca este hospital conheceu dias tão negros, que preocupam e intranquilizam todos quantos a ele recorrem”, alertam as Comissões de Utentes da Saúde dos Concelhos do Seixal e de Almada numa mensagem  enviada a Marta Temido, ministra da Saúde, solicitando uma intervenção urgente para “a reposição da normalidade” em algumas valências da unidade hospitalar.
O serviço de Ginecologia e Obstetrícia é um dos casos apontados. “Sendo este um serviço emblemático e de referência no historial do Hospital Garcia de Orta, atingiu em pouco tempo um ponto de ruptura que opõe a chefia do serviço à direcção clínica e agora, solidariamente, a toda a equipa. Tal facto levou à implementação de um plano de contingência, com o encerramento nocturno deste serviço”, revelam as comissões de utentes, na comunicação feita à ministra. 
Ao mesmo tempo, os utentes manifestam preocupação sobre uma alegada “inoperacionalidade e incapacidade de alguns serviços” e “um crescendo de conflitualidade entre os serviços e o conselho de administração”.
Os representantes dos utentes dão como exemplo um caso que terá ocorrido na passada quinta-feira. “Na madrugada de 8 de Julho, uma utente em trabalho de parto encontrou o serviço encerrado, sendo transferida para o Centro Hospitalar do Barreiro, já que a Maternidade Alfredo da Costa se encontrava lotada”, relatam as comissões que reforçam a ideia central de que “nunca o Hospital Garcia de Orta conheceu dias tão negros”.
As comissões de utentes terminam a carta à ministra considerando que “algo de profundamente anormal se passa no Garcia de Orta”, solicitando a intervenção da administração central. “Entendemos que a tutela não pode ficar indiferente a estas situações e tem de intervir com urgência, tomando as medidas que se imponham à reposição da normalidade dos (e nos) serviços. Não silenciaremos a degradação que ocorre em alguns dos serviços do hospital, pelo que entendemos necessária, e solicitamos, a urgência da intervenção da senhora ministra”, conclui a missiva das duas comissões de utentes.

CDS-PP e Iniciativa Liberal querem mais investimento 
A situação de "confusão" no maior hospital do distrito de Setúbal já chegou às forças políticas da região. A presidente da concelhia de Almada do CDS-PP, Sara Machado Gomes, já disse que seria “trágico para o Hospital Garcia de Orta ter mais um serviço dedicado à maternidade com problemas no acesso às populações”. A líder centrista espera que "não se concretize o encerramento da urgência de Obstetrícia", depois da "falta de solução para o fecho nocturno e aos fins-de-semana da urgência pediátrica". 
A Iniciativa Liberal também manifesta preocupação não só com os serviços de obstetrícia do hospital de Almada, mas também com as urgências do Hospital de São Bernardo, em Setúbal. “A juntar aos problemas já existentes na urgência Ginecológica e Obstetrícia no Hospital de Setúbal, as grávidas no concelho de Almada correm agora o risco de não terem urgência de Obstetrícia à noite e aos fins-de-semana no Hospital Garcia de Orta”, sublinham o liberais. 
Para a Iniciativa Liberal, “o distrito de Setúbal precisa de um plano sério de apoio à natalidade, que passa necessariamente por apoio médico de qualidade e em tempo útil às grávidas”.

Agência de Notícias 

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