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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

TST diminui carreiras em toda a península de Setúbal

Empresa repõe horário em Almada, Vale da Amoreira e Samouco. Autarquias do distrito exigem mais

A TST – Transportes Sul do Tejo vai repor os horários que tinham sido reduzidos em três carreiras. A decisão foi tomada ao final da tarde, desta segunda-feira, após uma reunião de urgência entre a autoridade de transportes da Área Metropolitana de Lisboa e a administração da TST, detida pela Arriva. No imediato, serão repostos os horários que tinham sido cortados esta segunda-feira. As carreiras 333, 435 e 160 dos Transportes Sul do Tejo, que tinham sido suprimidas pela empresa, irão ser repostas “desde já”, anunciou a Área Metropolitana de Lisboa. A carreira 333 faz o percurso Lisboa (Gare do Oriente) - Vale da Amoreira, a carreira 435 circula entre Lisboa e Samouco (via Montijo) e a carreira 160 liga Almada a Lisboa (Praça do Areeiro, via Alcântara). Por resolver ficam as ligações entre Palmela a Lisboa [que foram suprimidas ao fim de semana], e as ligações ao concelho do Seixal, Almada e Sesimbra à capital. As câmaras da Moita, Palmela, Sesimbra e Seixal exigem a reposição de carreiras e horários nos TST, apontando que as alterações não tiveram a “autorização” da Área Metropolitana de Lisboa. No final do ano passado a empresa deixou claro "que espera uma remuneração mais elevada da parte do Estado" devido ao "menor valor" do passe social.
Passageiros com menos carreiras no distrito 

Ligação do distrito de Setúbal a Lisboa sofre cortes, mas na região também há eliminações e menos autocarros a circular. Alternativas demoram mais ou obrigam a transbordos. Mudança, marcada para esta segunda-feira, ocorre oito meses depois de aumento da procura por conta dos passes mais baratos.
Segundo o primeiro secretário metropolitano, Carlos Humberto de Carvalho, citado no comunicado, serão agendadas nos próximos dias reuniões na Área Metropolitana de Lisboa com a TST e os municípios abrangidos por estas alterações, para que, durante o mês de Janeiro, paulatinamente, se reavalie o conjunto de serviços que garantam a efectivação de uma rede de transportes articulada, multimodal, que promova uma mobilidade verdadeiramente sustentável”.
Na nota lê-se ainda que a Área Metropolitana de Lisboa, “enquanto autoridade de transportes”, foi confrontada esta segunda-feira com “supressões de carreiras e alterações de horários, pela empresa TST, decididas de uma forma unilateral”.
As câmaras da Moita, Palmela, Sesimbra e Seixal exigem a reposição de carreiras e horários nos Transportes Sul do Tejo, apontando que as alterações não tiveram a "autorização" da Área Metropolitana de Lisboa.
"Na nova situação de tutela da Área Metropolitana de Lisboa e dos municípios sobre os transportes rodoviários não é admissível que as operadoras de transportes continuem a decidir unilateralmente sobre horários e carreiras, com indiferença pelas necessidades e interesses dos utentes e da mobilidade na região", frisou o município da Moita (CDU), em comunicado.
A Transportes Sul do Tejo decidiu eliminar quatro carreiras, duas delas com ligação a Lisboa. No comunicado em que dá esta informação, sem justificar a decisão, a transportadora defende que há alternativas – mas que obrigam a transbordos ou a maior demora. Também há mudanças nos horários de 28 outras linhas. Em quase todas elas, a frequência baixa, em alguns casos drasticamente. 
Entre as supressões, encontra-se a carreira 101A, que fazia a ligação entre Cacilhas e o Cristo Rei, em Almada, a 583, que fazia um percurso rápido entre Cacilhas e Setúbal, a 168, que ligava a Praça de Espanha, em Lisboa, à Torre da Marinha, no Seixal, e a 260, entre a Praça de Espanha e Sesimbra. Além de deixar Palmela e Pinhal Novo sem qualquer ligação a Lisboa aos sábados, domingos e feriados. 
"Estas alterações foram implementadas pelos TST sem a necessária autorização da AML, o que é inaceitável", considera a autarquia.
Além disso, a Câmara da Moita tem uma especial preocupação com a redução de horários na carreira que abrange o concelho, a 333, pelo que já entrou em contacto com a AML para acompanhar as diligências e exigir "a reposição imediata dos horários".

Seixal quer respostas rápidas da AML
A mesma posição teve a Câmara do Seixal (CDU), sublinhando que o serviço dos TST é de "extrema importância para os 170 mil habitantes do concelho".
"A degradação dos serviços dos TST tem-se vindo a verificar no concelho do Seixal nos últimos anos, com uma constante supressão de carreiras e atrasos nos horários, dificultando a vida dos munícipes, pelo que entende a autarquia que é urgente que se reforce as carreiras, em vez de diminuírem", defendeu.
Para que sejam tomadas "medidas para reverter a situação", o município solicitou a intervenção da Área Metropolitana de Lisboa, da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, equacionando o envio de um ofício ao Ministério do Ambiente.
Em Almada e Seixal, os passageiros são direcionados para os barcos ou para os comboios.

TST "quase desaparece" de Sesimbra 
Sesimbra é um dos concelhos mais afetados 
Foi com surpresa que a Câmara de Sesimbra teve conhecimento, pela comunicação social, no primeiro fim de semana do ano, da decisão da empresa Transportes Sul do Tejo, de suprimir e alterar vários horários de carreiras na Área Metropolitana de Lisboa. "Após consulta do comunicado divulgado pelos TST a este propósito constatou-se que existe um conjunto de alterações em carreiras que servem a população de Sesimbra, designadamente: 203, 207, 211, 222, 223, 228, 229, 240, 243 e 260". Ou seja, é um dos concelhos mais "atingidos" com esta mudança de horários. 
Já na 260, que liga Lisboa a Sesimbra, a TST elenca uma alternativa, que faz o mesmo caminho mas por um trajeto distinto, a 207 - só que nesta carreira haverá retirada de viagens à hora de ponta. A outra alternativa é Cacilhas-Sesimbra, a 203, que até terá um aumento de frequência, mas que não assegura todo o percurso eliminado.
"Independentemente da análise que se possa fazer quanto ao impacto das medidas na população do município e no seu direito à mobilidade, a autarquia considera incompreensível e inaceitável a decisão dos TST, tanto que a empresa não obteve a necessária autorização por parte da Área Metropolitana de Lisboa, nem os pareceres vinculativos da Câmara Municipal, conforme determina o contrato interadministrativo de delegação de competências celebrado entre a AML e o município de Sesimbra", disse a autarquia em nota de imprensa.
Neste sentido, o presidente da Câmara de Sesimbra, Francisco Jesus, fez já um pedido de esclarecimento ao presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa, Fernando Medina, no que concerne às diligências tomadas pela Área Metropolitana de Lisboa "para resolver esta decisão unilateral da empresa Transportes do Sul do Tejo" e pediu "uma reunião com caráter de urgência ao presidente do Conselho de Administração dos TST, José Pires Fonseca".

Palmela e Pinhal Novo sem carreiras para Lisboa ao fim de semana 
O município de Palmela foi confrontado, através das redes sociais, com a alteração de várias carreiras e horários operados pela empresa Transportes Sul do Tejo, na Península de Setúbal, entre os quais os referentes à carreira 565, que abrange o Concelho de Palmela.
"Esta alteração, confirmada em consulta ao site da empresa, entrou segunda-feira, em vigor e representa o desaparecimento de todas as ligações rodoviárias, durante o fim de semana, entre Palmela e Lisboa (via ponte Vasco da Gama)", sublinha a Câmara de Palmela.
A autarquia lembra que o "contrato de concessão e o contrato interadministrativo celebrado com a Área Metropolitana de Lisboa estipulam que estas alterações devem ser alvo de parecer prévio por parte dos municípios, mas o município de Palmela não foi consultado nem informado sobre esta alteração, que causa grande transtorno aos utentes de Palmela e do Pinhal Novo", conta a autarquia liderada por Álvaro Amaro.
Neste contexto, o município solicitou já esclarecimentos à AML e aos TST e demonstrou a sua "total discordância face à medida, que põe em causa o serviço público prestado à população e constitui um retrocesso no caminho trilhado em 2019, com o novo passe intermodal". 
Os objetivos, diz ainda a autarquia de Palmela, "continuam a ser o aumento e qualificação da oferta de transporte público rodoviário, pelo que se exige que sejam imediatamente repostas as carreiras e os horários agora alterados unilateralmente pela empresa". 

TST quer mais compensação do Estado 
A TST implementou esta segunda-feira novos horários para dezenas de carreiras na margem Sul do Tejo. Muitos utentes foram surpreendidos por esta decisão porque a transportadora apenas divulgou estas alterações no portal oficial e em algumas paragens. 
Esta mexida, noticiada inicialmente pelo Correio da Manhã, ocorre no início de 2020 e oito meses depois da introdução da redução de preços dos passes, que conduziu a uma procura mais elevada.
Ao Jornal Económico, o gestor Pires da Fonseca, da Arriva (dona da TST), deixou claro que espera uma remuneração mais elevada da parte do Estado por estar a transportar mais pessoas - e espera recebê-la este ano. “Claro que o Estado não me está pagar mais por ter mais passageiros, mas estou convencido de que essa foi uma aposta para 2019, que vai ser corrigida em 2020. Até porque se a empresa não for viável economicamente, vamos à falência, o Estado não tem quem faça o serviço, e a mobilidade, como está a ser desenhada pelo Governo, deixa de existir", disse Pires da Fonseca, em Dezembro.
Esta foi uma das primeiras decisões tomada pela Área Metropolitana de Lisboa enquanto autoridade de transportes de 18 concelhos da região de Lisboa e Setúbal. Esta competência foi assumida no dia 4 de Dezembro por causa do novo regime jurídico de transportes, que descentralizou as competências do Estado nesta matéria para as áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais.
A agência Lusa tentou contactar a rodoviária para um esclarecimento sobre a alteração de horários e supressões de carreiras, mas até ao momento não foi possível obter declarações.
A TST, detida pelo grupo Arriva, desenvolve a sua atividade na península de Setúbal, com 190 carreiras e oficinas em quatro concelhos: Almada, Moita, Sesimbra e Setúbal.

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