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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Semana do Mar reflete sobre lixo marinho em Setúbal

Até 2030, assegurar que todas as embalagens de plástico colocadas no mercado sejam reutilizáveis 

A necessidade de promover o debate sobre as potenciais soluções para reduzir o lixo marinho foi destacada, nesta quinta-feira, numa conferência nacional, na Casa Baía, que marcou o arranque da Semana do Mar Setúbal 2019. A 2.ª Conferência Portuguesa sobre Lixo Marinho e Microplásticos, a decorrer até dia 21, é a primeira de um conjunto de iniciativas da Semana do Mar que visam “dar a conhecer as atividades relacionadas com a Economia Azul, nomeadamente o turismo e as atividades portuárias que contribuem para o desenvolvimento sustentado da região de Setúbal e do país”, sublinhou o vereador Pedro Pina, na sessão de abertura, na manhã de dia 19, na Casa da Baía.
Lixo marinho em destaque na semana do Mar 

O autarca recordou que o aprofundamento da relação da cidade com o rio e o mar tem sido uma das principais orientações do trabalho que a Câmara Municipal tem desenvolvido com o objetivo de construir uma união cada vez mais forte e harmoniosa entre a cidade e o rio.
“Temos trabalhado para que deixem de existir barreiras entre a cidade e o mar, obstáculos que, em tempos não muito distantes, e como muitos de nós bem lembramos, eram muito difíceis de ultrapassar.”
Além da Semana do Mar, organizada em parceria com a APSS – Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, a Marinha e a Aporvela, Pedro Pina destacou que, para o êxito desta estratégia, têm contribuído vários investimentos municipais, como o Passeio Ribeirinho da Saúde e, mais recentemente, “depois de anos de insistências camarárias, a conquista de novas responsabilidades municipais na gestão das praias”.
O autarca sublinhou, igualmente, o aprofundamento da cooperação entre a Câmara Municipal e a APSS, entidades que “hoje partilham da visão sobre o que pode ser a convivência das funções económicas que habitam as margens ribeirinhas com as necessidades dos que procuram o rio para o lazer e outras atividades”.
Pedro Pina garante que a autarquia vai continuar a trabalhar para melhorar esta relação, mantendo-se sempre atenta à “imperiosa necessidade de preservar e proteger o rio, conjugando de forma harmoniosa esta necessidade com as funções económicas que este espaço natural desempenha”.
O mesmo compromisso é assumido pelo vogal do conselho de administração da APSS, Ricardo Medeiros, que sublinhou que a celebração dos protocolos de gestão partilhada com a Câmara de Setúbal, nos últimos anos, constituem “passos determinantes com vista ao desenvolvimento do concelho e das atividades portuárias”.
A Semana do Mar é, segundo Ricardo Medeiros, outra ação importante que tem contribuído para o aprofundamento da relação entre as duas entidades, mas também para estabelecer outras parcerias, como por exemplo, com a Aporvela, que, desde a primeira edição é coorganizadora do evento.
“Começámos como um pequeno evento e continuamos a caminhar a passos largos para novas edições. Isto significa que estamos no rumo certo”, afirmou o gestor de operações da Aporvela, Filipe Costa.
A última intervenção da sessão de abertura da Semana do Mar coube à presidente da APLM – Associação Portuguesa de Lixo Marinho, Paula Sobral, que deu o mote para a primeira atividade do evento, uma conferência destinada a captar atenções para “um problema global, que atinge todas as pessoas e pelo qual todos são responsáveis”.
Por isso, sublinhou, “só com o esforço de todos é possível potenciar soluções para combater este problema”, algumas das quais em análise, até sábado, na Casa da Baía, no decurso da 2.ª Conferência Portuguesa sobre Lixo Marinho e Microplásticos, organizada pela APLM, em parceria com a Associação Baía de Setúbal, principal patrocinador da conferência, e o apoio da Câmara Municipal de Setúbal.

Perigo do uso do plástico no Mar 
No primeiro painel do encontro, a reflexão incidiu sobre “Soluções Políticas e Sensibilização”, com a diretora do Departamento de Resíduos da APA – Agência Portuguesa do Ambiente, Ana Cristina Carrola, a salientar a importância das medidas legislativas nacionais e comunitárias, tomadas nos últimos anos, para a redução de plástico no ambiente.
A responsável sublinhou que a Estratégia Europeia para os Plásticos na Economia Circular contempla medidas como a Diretiva Plásticos de Uso Único, com o objetivo de, “até 2030, assegurar que todas as embalagens de plástico colocadas no mercado sejam reutilizáveis ou facilmente recicláveis”.
A nível nacional, foi criado um grupo de trabalho que, no final de 2018, apresentou um conjunto de propostas para a redução do uso dos plásticos, como a criação de incentivos no âmbito do apoio à inovação, a realização de campanhas de sensibilização e a manutenção da contribuição paga ao Estado sobre os sacos de plástico leves.
Para Ana Cristina Carrola, um dos grandes desafios consiste em “manter alinhadas as estratégias nacional e comunitária” para que possam conduzir a uma efetiva mudança de comportamentos e hábitos de consumo para tornar ambientalmente sustentável o uso do plástico.
Já a diretora de serviços estratégicos da Direção-Geral de Política do Mar, Conceição Santos, destacou a Agenda 2030, constituída por 17 objetivos de desenvolvimento sustentável a nível internacional, que contempla um objetivo direcionado especificamente para a Vida na Água, com o qual Portugal também se compromete.
“Uma das principais metas consiste em prevenir e reduzir significativamente a poluição marinha, tendo em conta que, 80 por cento do lixo marinho tem origem em atividades em terra e que 60 a 80 por cento são resíduos de plástico”.
No âmbito desta estratégia, foi criado o Programa de Monitorização Nacional do Lixo Marinho que incide em quinze praias, de norte a sul do país, coordenado por Isabel Moura, da APA.
“Tendo em conta os resultados de três campanhas de recolha realizadas, este ano, no inverno, primavera e verão, é possível concluir que 89 por cento dos resíduos recolhidos são plásticos, com destaque para as beatas de cigarros e cotonetes.”
A APA tem, igualmente, como objetivo desenvolver um programa de monitorização de lixo em rios, estando já em curso um projeto piloto na Ribeira de Anha, em Viana do Castelo.

Sensibilização junto dos pescadores  
A apresentação do projeto “A Pesca por um Mar sem Lixo”, da DocaPesca, culminou as intervenções no primeiro painel da 2.ª Conferência Portuguesa sobre Lixo Marinho e Microplásticos.
Implementado, até ao momento, em 15 portos de pesca de Portugal Continental, entre os quais o de Setúbal, o projeto “tem registado uma boa adesão por parte dos pescadores, que estão cada vez mais sensibilizados para a importância de não deixar lixo no mar”, sublinha Sérgio Faias, da DocaPesca.
No porto de Setúbal há 129 pescadores e 61 embarcações abrangidos por este projeto que, a nível nacional, chega a 2519 profissionais do setor e a 577 embarcações, tendo permitido recolher, desde 2017, 449 metros cúbicos de embalagens e 1023 metros cúbicos de resíduos indiferenciados.
A manhã de trabalhos continuou com o painel “Sensibilização: O Papel da Sociedade Civil”, focado na reflexão de questões relacionadas, entre outros, com os projetos Coastwatch e Educação para o Desenvolvimento Sustentável e a Cidadania Global.
Na parte da tarde, a conferência prosseguiu com o painel “Economia e Sociedade: Aplicação de Soluções”, que incluiu várias sessões, como a dedicada ao tema “Do design ao uso”, com intervenções centradas em temáticas relacionadas, entre outras, com o ecodesign de produtos alternativos e estratégias para o plástico no setor do retalho alimentar.
Já na sessão “A vida do fim de vida”, com reflexões sobre a reciclagem de plástico na economia circular, a reutilização para evitar os descartáveis e os ecopontos foram assuntos em destaque.
O encontro, destinado a encontrar soluções positivas para os plásticos e para a redução do lixo marinho, incluiu, no encerramento dos trabalhos do primeiro dia, uma degustação de petiscos com algas, do projeto Alga4Food, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
No dia 20, a conferência começa com o workshop de investigação “Microplásticos”, a decorrer das nove às 13 horas, igualmente na Casa da Baía.
Na parte da tarde, com início às 14h30, o encontro leva os participantes para a “Investigação e Desenvolvimento de Soluções Inovadoras”, com a apresentação de soluções que apontam caminhos alternativos ao uso do plástico, casos dos projetos YPack, SpraySafe e Spawnfoam.
A conferência reserva ainda a sessão “Soluções para Deteção e Prevenção”, com os intervenientes a partilharem conhecimentos sobre os projetos Ocean Clean Sweep e de mapeamento de lixo marinho com recurso a drones low cost.

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Agência de Notícias com Câmara de Setúbal
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