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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Crise nos barcos do Barreiro sem fim à vista

Autarca do Barreiro disposto a ser mediador entre Soflusa e mestres

O presidente da Câmara do Barreiro afirmou que “não se pode adiar mais” a resolução do conflito entre a Soflusa e os mestres da empresa de transporte fluvial, disponibilizando-se para servir de mediadora entre as partes. “Toda a gente já percebeu que o problema que existe não é novo, mas está-se a agudizar. E esta é a janela de oportunidade de se resolver já: a câmara municipal está completamente à disposição para servir de mediadora entre os sindicatos, empresa e o Ministério do Ambiente”, disse Frederico Rosa. O secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade já afirmou que os mestres da Soflusa, "querem uma vantagem salarial apenas para a sua categoria e não estão a cumprir o acordado". Os utentes da Soflusa mostraram-se esta semana "cansados" das constantes supressões das ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa, que estão a acontecer durante toda a semana devido à falta de mestres. O cenário vai piorar na próxima semana devido à nova greve parcial, de três horas por turno dos mestres.
Perturbações nas ligações vão continuar  

Desde o dia 10 de Maio que as ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa têm registado várias perturbações devido à falta de mestres, situação que se mantém dia a dia.
Na visão do autarca socialista, a resolução do problema “não é uma prioridade, mas sim uma urgência”, até porque os maiores prejudicados são os utentes, com as constantes supressões nas horas de ponta.
O cenário piorou com a paralisação parcial de dois dias, que ocorreu no final da semana passada, e com a greve às horas extraordinárias, que se iniciou no dia 23 de Maio e se deve prolongar até ao final do ano.
“Não se pode adiar mais o acordo entre empresa e sindicatos. No fim da linha tem que se servir o que de mais importante temos, que são os nossos cidadãos, são eles que estão a sentir na pele os problemas negociais”, advertiu.
Na segunda-feira, dia em que existiram dezenas de supressões, a agência Lusa esteve no terminal do Barreiro, e falou com vários utentes que se mostraram “cansados” de toda esta situação.
Apesar de os mestres e sindicatos responsabilizarem a empresa pela falta de contratação de novos profissionais, em que 17 pessoas “estão a fazer o trabalho de 24”, o presidente do Barreiro considerou que “não é a hora de encontrar culpados, mas sim de resolver”.
“Ninguém está isento de responsabilidade e, se a responsabilidade é de todos, a resolução também tem que partir de todos. Toda a gente tem que pôr os pés no chão e encarar o problema”, frisou.
Através de uma conversa entre todas as partes, com a mediação da autarquia, Frederico Rosa espera que seja possível impedir a nova greve parcial, de três horas por turno, convocada para a semana de 3  a 7 de Junho.

Governo acusa mestres da Soflusa de querem vantagem salarial 
Na terça-feira, o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, disse à Lusa que os mestres da Soflusa querem uma vantagem salarial apenas para a sua categoria e não estão a cumprir o acordado.
O governante referiu que a greve está a causar problemas a milhares de pessoas, pelo que “devia prevalecer o interesse coletivo” e os mestres “deviam suspender esta greve e voltar à conversa”.
O governante lembrou que têm sido tomadas medidas para resolver a falta de profissionais na empresa, acrescentando que sente por parte das diferentes estruturas sindicais da Soflusa “alguma incompreensão relativamente a este movimento”.
“Não existem problemas de navios na Soflusa e em termos de pessoal existem quatro mestres em baixa prolongada. Foi aberto um concurso com vários candidatos para mestres e vão ser contratados mais seis trabalhadores marítimos. Se os mestres voltarem ao trabalho suplementar, como o faziam até aqui, tudo será regularizado e serão aliviados num futuro próximo”, garantiu.
Sobre a reivindicação salarial, José Mendes defendeu que os mestres já têm um prémio de chefia e que querem esse prémio “fortemente valorizado”.
“Não temos aberta qualquer negociação salarial, porque assinamos todos um acordo válido até ao final deste ano. Quando falamos em aumento dos prémios de chefia, isso afeta o equilíbrio do quadro remuneratório de todas as categorias”, defendeu.
Segundo José Mendes, esta greve dos mestres está a causar problemas a milhares de pessoas e não deixam boa imagem do transporte fluvial.
“Devia prevalecer o interesse coletivo, os mestres deviam suspender esta greve e voltar à conversa connosco. Não contribui para a saúde da empresa e credibilidade do transporte fluvial”, defendeu, apelando a que participem na negociação salarial em relação ao ano que vem.

Mestres querem mais prémios... de chefia 
Os mestres da Soflusa, num comunicado divulgado na sexta-feira, responsabilizaram a empresa pelo conflito laboral e lamentam as críticas de que estão a ser alvo.
Os profissionais referem ainda que ganham “pouco mais de mil euros” e querem aumento do prémio de chefia.
“Sabemos e temos consciência que muitos de vós não ganham este valor, mas como referimos, pelas funções e responsabilidades que temos a bordo e pelo que outras empresas do mesmo setor abonam aos seus funcionários, garantimos que é pouco”, acrescentam.
Os mestres consideram que o prémio de chefia que auferem, 49,44 euros mensais, é baixo, pelo que deve ser aumentado.

Utentes prejudicados e com poucas alternativas 
Na terça-feira, a Soflusa anunciou que vai entrar em vigor um novo horário a partir de 8 de Junho, o qual será praticado “até ser retomada a normalidade de serviço” na ligação fluvial.
Os utentes da Soflusa mostraram-se esta semana "cansados" das constantes supressões das ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa, que estão  a acontecer durante todo o dia devido à falta de mestres.
"Já estou a ser prejudicado há anos", disse à Lusa o passageiro Alexandre Custódio, de 34 anos, que chegou ao terminal do Barreiro, perto das 8h30 e deu de caras com uma ligação suprimida, mesmo sem a ocorrência de uma greve, o que o obrigou a aguardar junto de outras centenas de pessoas fora da zona de validação do bilhete.
"Estou neste momento a considerar tirar o dia de férias pelo atraso que já está verificado na minha previsível chegada, porque depois disto ainda temos Carris com problemas, metro com problemas, CP com problemas. É aleatório, tanto posso demorar uma hora como duas a chegar ao trabalho, bem como a voltar", explicou.
Na mesma situação estava Fátima Marques, de 54 anos, que frisou que esta é uma situação que "já se arrasta há imenso tempo", afetando bastante a vida pessoal dos utentes.
Os passageiros têm de chegar mais cedo ao terminal porque a hora de partida dos barcos nunca é certa, indicou.
"Eu entro às 9h30 em Lisboa e costumo apanhar o barco das 8h40, no horário normal, sem supressões e sem greves, mas repare, estou aqui [08h20] e à noite é a mesma confusão, sempre. [...] afeta muito a vida pessoal. Não tenho chegado atrasada, mas para não o fazer tenho de prescindir do meu tempo pessoal", sublinhou. Está já prevista uma nova paralisação parcial, de três horas por turno, entre 3 e 7 de Junho.
"Na semana passada praticamente não utilizei porque tive boleia de alguém e não foi necessário, mas desde que começaram as greves tem sido terrível. Mesmo que consigamos, o barco enche ou então, mesmo que ainda não seja o horário dele, acaba por partir e ficam aqui centenas e centenas de pessoas à espera", adiantou Carla, de 51 anos.
Foi exatamente isso que se verificou no período em que a Lusa esteve no terminal do Barreiro, entre as oito e as 9h40, em que se realizaram cinco carreiras e três foram suprimidas, fazendo com que a lotação dos navios de esgotasse antes da hora prevista de partida.
Apesar de os utentes considerarem que as constantes supressões da Soflusa são já um problema "crónico", nas últimas semanas o terminal tem registado uma maior concentração porque os barcos não são suficientes para escoar e os meios de transporte alternativos, como a Fertagus (comboio), "não são válidos" por se situarem longe do concelho.
Perante estes constrangimentos, os passageiros consideram que a situação "é absolutamente inadmissível do lado da administração".
"Pelo que me tenho apercebido, nem é a questão da greve às horas extraordinárias, falta efetivamente gente para fazer as carreiras", considerou Alexandre Custódio.
Também Carla realçou que "os mestres têm razão" e que existe "pouca diferença entre o ordenado dos mestres e dos marinheiros", o que faz com que os segundos profissionais não concorram aos concursos para ascender na carreira, uma vez que o salário não aumenta muito, mas "a responsabilidade é maior".
Segundo a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans), na Soflusa trabalham 21 mestres, dos quais três se encontram de baixa médica, mas são necessários pelo menos 24 para o serviço funcionar com qualidade.

Agência de Notícias com Lusa 

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