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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Todos contra as dragagens no rio Sado em Setúbal

PAN pede suspensão de dragagens no Porto de Setúbal mas Costa recusa

O deputado do PAN, André Silva, pediu nesta quarta-feira a imediata suspensão do projecto de dragagens no Porto de Setúbal, mas o primeiro-ministro recusou e defendeu que se impõe respeitar o parecer da Agência Portuguesa do Ambiente. Estas posições foram trocadas na parte final do debate quinzenal, na Assembleia da República, depois de André Silva ter alertado para os riscos que a concretização deste projecto terá para os golfinhos. "É sempre o dinheiro. Estas dragagens não estão sustentadas do ponto de vista científico. Estamos perante um problema político", advogou o deputado do PAN, numa curta intervenção em que criticou as lógicas "tecnocráticas" de desenvolvimento. O Clube da Arrábida, grupos de cidadãos `Sado de Luto´ e `SOS Sado´, associações ambientalistas e a cooperativa de pesca Sesibal, vão manifestar-se sábado contra as dragagens no rio Sado, em Setúbal.
Dragagens no Sado contestadas 

A manifestação, que terá lugar a partir das 16 horas no jardim Luís da Fonseca (frente ao Inatel), é uma forma de protesto contra o início das obras de alargamento e aprofundamento do canal marítimo de acesso ao porto de Setúbal, que os promotores da manifestação consideram "o maior atentado ambiental alguma vez cometido no rio Sado".
Em comunicado, as associações que organizam a manifestação, em que se incluem as associações ambientalistas Zero, Quercus e Liga para a Proteção da Natureza, acusam a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra) de querer "transformar Setúbal num porto de águas profundas como o porto de Sines, retirando ao rio Sado 6,5 milhões de metros cúbicos de areia".
"Esta empreitada, que conta com o apoio do Ministério do Mar e a aprovação da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), colocará em risco a sobrevivência da já reduzida e protegida colónia de golfinhos roazes do Sado", adverte o comunicado, salientando que as dragagens também colocam em causa as pradarias marinhas que constituem um "berçário para centenas de espécies de peixes, bivalves e cefalópodes (polvos, chocos e lulas)".
Por outro lado, os organizadores da manifestação alertam para a possibilidade de as obras em causa poderem ter como consequência o fim do modo de vida dos pescadores artesanais do estuário do Sado e de levarem ao desaparecimento das praias da Arrábida, uma vez que as areias poderão ser progressivamente arrastadas para o canal de navegação.
"Apesar deste cenário, a APA aprovou a obra por considerar que o Estudo de Impacto Ambiental demonstra que os benefícios económicos que advêm da obra no Porto de Setúbal são superiores aos impactos ambientais que assume virem a existir", lamentam os promotores da manifestação que não só criticam a posição daquele organismo do Estado, como também alertam para o risco de se colocar em causa a "florescente indústria de turismo da natureza, pilar fundamental para o desenvolvimento de Setúbal".

Zero e Quercus criticam obra no porto de Setúbal
Obras podem afastar golfinhos do Sado 
A par das críticas de diversas associações de Setúbal, o comunicado destaca também a posição do presidente da Zero, Francisco Ferreira, que considera as dragagens para aprofundamento do canal de navegação "um risco demasiado elevado e inaceitável para a sustentabilidade de um dos mais importantes estuários do país, o Estuário do Sado classificado como Reserva Natural, bem como para o Parque Natural da Arrábida".
"A economia do mar não é apenas a economia portuária, os custos ambientais, sociais e também económicos poderão ser enormes já num futuro próximo", acrescenta o presidente da Zero.
Para o presidente do Núcleo Regional de Setúbal da Quercus, Paulo do Carmo, "os impactes ambientais deste projeto (dragagens para aprofundar o canal de navegação) serão muito relevantes, sobretudo ao nível da biodiversidade e em habitats e espécies que são extremamente importantes, a nível regional e nacional".
"Por outro lado, os riscos que o projeto comporta para as praias da região, são preocupantes, e a falta de estudos aprofundados não nos dá nenhum tipo de garantia quanto ao seu futuro", salienta o dirigente da Quercus.
A semana passada, o movimento 'SOS Sado' mobilizou cerca de 150 pessoas numa primeira ação de protesto público na Praça do Bocage, contra as dragagens no estuário do Sado.
O movimento 'SOS Sado' também já recolheu mais de 4.600 assinaturas para uma petição contra as dragagens, de forma a cumprir os requisitos para obrigar a uma discussão no plenário da Assembleia da República.

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