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segunda-feira, 23 de abril de 2018

BE questiona transporte de animais vivos no porto Setúbal

Denúncias demonstram que a lei atual é infringida

Dois deputados do BE participaram numa ação de sensibilização para a falta de condições no transporte marítimo de animais vivos, mas foram impedidos de verificar as condições dos animais e do navio atracado no porto de Setúbal. Os dois parlamentares do Bloco de Esquerda, Jorge Costa e Maria Manuel Rola, queriam entrar no navio Bahijan, que efetuou o transporte de cerca de três bovinos e 12 mil  cabeças de gado ovino, para Israel, mas não lhes foi permitido, não obstante terem invocado a condição de deputados eleitos na Assembleia da República. "O BE quer garantir que estas viagens são feitas com garantia de bem-estar animal. Temos acompanhado esta situação, tem havido várias denúncias, com imagens de vídeo, que demonstram que a lei atual é infringida. E mesmo a lei existente tem de ir mais além para garantir que os animais viajam em boas condições e chegam ao porto de destino em boas condições e não feridos", disse a deputada Maria Manuel Rola.
BE critica condições de transporte de animais vivos 

"Entrámos, dificilmente, no porto de Setúbal e tentámos também entrar no barco para aferir das condições dentro do navio, mas foi-nos negada a entrada. Não conseguimos perceber realmente em que condições os animais estão a ser transportados, o que nos levanta algumas dúvidas sobre o porquê de não nos permitirem entrar e perceber de que forma é que os animais estão acondicionados e se têm condições de saúde no momento em que partem do porto de Setúbal", disse aos jornalistas a deputada do BE, Maria Manuel Rola.
"O BE quer garantir que estas viagens são feitas com garantia de bem-estar animal. Temos acompanhado esta situação, tem havido várias denúncias, com imagens de vídeo, que demonstram que a lei atual é infringida. E mesmo a lei existente tem de ir mais além para garantir que os animais viajam em boas condições e chegam ao porto de destino em boas condições e não feridos", acrescentou.
De acordo com a deputada Maria Manuel Rola, "a União Europeia dá uma indicação de que os transportes por mais de oito horas devem ser restringidos, o que indicia logo que é muito difícil, muito caro até, transportar animais em boas condições".
Apesar da recomendação da União Europeia, o BE até admite que as exportações de animais vivos podem continuar, mas defende que devem ser observadas algumas regras, além daquelas que a legislação portuguesa já estabelece, para assegurar o bem-estar animal.

Plataforma Anti-transporte de Animais Vivos ao lado do Bloco 
A presença de médicos veterinários para tratarem dos animais que adoecerem ou que tenham ficado feridos antes de entrarem para o navio e a existência de boas condições de ventilação, de canalização e saneamento para escoamento da urina e das fezes dos animais são alguns dos requisitos que o BE quer que sejam observados no transporte marítimo de animais vivos a partir de Portugal.
"Se essas condições para um transporte desta envergadura não forem possíveis, entendemos que também não é possível fazer o transporte de animais vivos por via marítima", acrescentou a deputada, adiantando que as exportações de animais vivos de Portugal para fora da União Europeia começaram em 2015 e que têm vindo a crescer a um ritmo exponencial, tendo mesmo triplicado de 2016 para 2017.
Segundo dados disponibilizados pela Direção-Geral de Veterinária ao BE, Portugal exportou quase 50 mil cabeças de gado bovino vivo em 2016. No mesmo ano, foram exportadas mais de 33 mil cabeças de gado ovino, número que aumentou para 117 mil em 2017.
A ação de sensibilização, na sexta-feira passada, feita pelo BE contou com a presença de elementos da `Setúbal Animal Save´, uma organização que se preocupa com o bem-estar dos animais, que já acompanhou seis embarques de animais vivos no porto de Setúbal, e da PATAV (Plataforma Anti-transporte de Animais Vivos).
Segundo Noel Santos, da PATAV, grande parte das exportações portuguesas neste setor vão para Israel, através de um único importador, que terá o monopólio dos matadouros e uma rede de espaços comerciais, o que lhe permite fazer mais-valias significativas com a importação de animais vivos.

Agência de Notícias com Lusa 
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