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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Polícia Judiciária de Setúbal faz buscas na IPSS ‘O Sonho’

Presidente suspeito de apropriação de centenas de milhares de euros

A Polícia Judiciária de Setúbal realizou nesta sexta-feira buscas em três Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e casas particulares. Uma das entidades alvo de buscas é a IPSS O Sonho, adiantou a Polícia Judiciária. Em causa estão crimes como o de fraude na obtenção de subsídios, participação económica em negócio e peculato. Também o Instituto da Segurança Social confirmou em comunicado que elementos seus integram "a equipa conjunta com a Polícia Judiciária que hoje realizaram buscas n' O Sonho. "Encontrando-se o caso em segredo de justiça, o instituto não poderá pronunciar-se sobre o processo", sublinhou. Entretanto, o presidente da IPSS negou que tenha cometido qualquer irregularidade na gestão da associação, manifestando vontade em se demitir do cargo que ocupa há mais de três décadas. O presidente da instituição "nega tudo" mas foi levado para as instalações da Polícia Judiciária, em Setúbal, onde está a ser ouvido. 
PJ de Setúbal investiga eventuais ilegalidades n' O Sonho 

Em declarações à agência Lusa, Florival Cardoso afirmou "estar de consciência tranquila", mas "desiludido com a perseguição" que diz estar a ser feita às IPSS. O presidente esperava vir a ser constituído arguido no decurso do inquérito e assim poder conhecer o processo e "defender-se" das "acusações infundadas", o que se veio a verificar como confirmou à Lusa Vítor Paiva, director da PJ de Setúbal.
Florival Cardoso declarou estar a colaborar com as autoridades no apuramento da verdade, acrescentando que vai reunir, assim que possível, com os restantes elementos da direção da IPSS, mas que a sua vontade, neste momento, é a de pedir a demissão do cargo.
"Sinto-me desiludido com tudo isto. Dei muito mais do que aquilo que recebi ao longo dos anos a esta instituição para agora haver isto", lamentou o presidente. Florival Cardoso disse desconhecer a queixa que deu origem ao inquérito, mas que espera que a mesma não seja anónima para que possa pedir responsabilidades ao autor ou autores, na defesa da sua honra e bom nome.

As suspeitas 
As suspeitas de peculato de uso, fraude na obtenção de subsídios e falsificação de documentos estão muito centradas na figura de Florival Santos Cardoso, presidente da IPSS "O Sonho" e de outras duas IPSS, que vai ser constituído arguido. As três instituições estão a ser investigadas pela PJ de Setúbal, que desde manhã enviou vários inspetores para buscas a duas casas relacionadas com Florival dos Santos Cardoso e também às instituições.
O alegado esquema é muito parecido com o que foi denunciado relativamente à Raríssimas, na Moita, sendo que também Florival Santos Cardoso tinha familiares ao serviço da instituição - a mulher trabalha como secretária.
De acordo com o Diário de Notícias, em causa estará a apropriação indevida de várias centenas de milhares de euros, bem como da venda de bens que foram doados às instituições. Os inspetores vão tentar saber agora por quanto venderam as doações e para onde foi o dinheiro.
Quanto à fraude na obtenção de subsídio e falsificação de documentos, essas suspeitas estão relacionadas com a declaração do número de utentes: declaravam ter mais do que os reais para também receber mais apoio do Estado, diz o mesmo jornal. O presidente da instituição também é suspeito de usar a bel-prazer um carro de serviço que era de uma das IPSS.
Entretanto, uma nota publicada na página da internet da Procuradoria da Comarca de Setúbal, confirma que "as buscas, presididas pelo Ministério Público e levadas a cabo pela PJ de Setúbal com a coadjuvação da Segurança Social, abrangem também os equipamentos sociais da IPSS e domicílios".
A nota acrescenta que as buscas à IPSS, a cargo do Departamento de Investigação e Ação Penal da Sede da Comarca de Setúbal, surgem na sequência da apresentação de uma "denúncia pela prática dos crimes de fraude na obtenção de subsídio, participação económica em negócio e peculato".

Instituição foi criada em 1980
Instituição é uma das maiores do concelho de Setúbal  
A IPSS em causa, uma “associação de direito privado sem fins lucrativos, constituída em 1980”, surgiu “na sequência da identificação de vários problemas sociais e situações de risco existentes no concelho de Setúbal, aliados à sensibilidade crescente para a necessidade de os resolver, com o objectivo de promover o desenvolvimento do concelho, em especial no que se refere à integração dos grupos sociais mais desfavorecidos”, diz a própria instituição no seu site.
Entre os seus serviços tem actualmente uma creche, berçário, um jardim- de-infância e um centro infantil, além de um Centro de Actividades de Tempos Livres.
No seu site a instituição tem disponível uma demonstração de resultados relativa a 2015 onde se refere um montante recebido em "subsídios, doações e legados à exploração" de cerca de um milhão de euros.

Agência de Notícias com Lusa

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