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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Almada comemora meio século da ponte 25 de Abril

Visitas a caravelas e animação de rua no aniversário da Ponte 25 de Abril

Animação de rua, mostras de gastronomia e três veleiros juntam-se em Cacilhas, em Almada, à Fragata D. Fernando II e Glória. As comemorações dos 50 anos da ponte duram até sábado. Sexta-feira à noite haverá fogo de artifício sobre o Tejo. Segundo o vice-presidente da Câmara de Almada, José Gonçalves, a intenção é "comemorar com a população" o aniversário, reconhecendo que a infraestrutura foi "determinante" para o desenvolvimento da margem sul do rio Tejo.
Ponte 25 de Abril foi inaugurada a 6 de Agosto de 1966 

Quatro embarcações abertas ao público, bancas de comida e animação de rua assinalam  até sábado, os 50 anos da Ponte 25 de Abril no cais de Cacilhas, em Almada. A caravela Vera Cruz, o navio "Creoula" e a fragata "D. Fernando II e Glória" são as três embarcações portuguesas que vão estar disponíveis para visita do público e para alguns eventos a bordo, numa iniciativa a que se associa também o navio holandês "Gulden Leeuw".
De férias em Portugal, a brasileira Renata Nascimento disse à Lusa que colocou "os veleiros no roteiro" turístico, considerando que "é um passeio imperdível".
Acompanhada dos dois filhos pequenos, a turista visitou o navio "Gulden Leeuw" e ficou surpreendida com o funcionamento da embarcação.
"Pensávamos que era tudo muito pequeno, que não tinha muito conforto, mas é o contrário", expressou.
Sobre o aniversário da Ponte 25 de Abril, Renata Nascimento contou que já atravessou a infraestrutura e que esta "faz lembrar a ponte Niteroi, uma ponte no Brasil que passa do Rio de Janeiro para a cidade de Niteroi".
O evento de comemoração dos 50 anos da ponte é organizado pela Aporvela -- Associação Portuguesa de Treino de Vela, em parceria com a Câmara de Almada.
Segundo o presidente da Aporvela, João Lúcio, o aniversário da ponte "não podia passar em branco" e as celebrações tinham de ser no rio Tejo, uma vez que a infraestrutura uniu as duas margens, Almada e Lisboa.
"Vai com certeza haver aqui um grande encontro de gente de mar com gente de terra, de ex-construtores [da ponte]. Vai haver muitas histórias para contar", referiu João Lúcio.
No arranque das comemorações, José Silva, antigo consultor da Junta Autónoma das Estradas, entidade que explorou até 1996 a ponte sobre o Tejo, reconheceu que a infraestrutura "é uma obra extraordinária", recordando que "muita gente disse que não se conseguia fazer".
"Da minha janela vi construir a ponte peça a peça e quando foi concluída senti que estava feito um monumento. Proporcionou uma liberdade muito importante, que é a liberdade de poder circular", lembrou José Silva.
A comandar o "Creoula", Samuel Oliveira estava pronto para receber muitos visitantes, uma vez que este é um navio "com uma magia diferente dos que se fazem hoje em dia".

Margem sul "precisa de ter ligações mais fortes e mais fáceis"
Questionado sobre a localização do evento, João Lúcio expressou que "o rio não é só margem norte, é também margem sul", pelo que, depois do The Tall Ships Races se ter realizado em Lisboa, a Aporvela considerou que o evento de comemoração dos 50 anos da Ponte 25 de Abril devia ser na margem sul, no concelho de Almada.
O presidente da Câmara de Almada, Joaquim Judas, abraçou a ideia, esperando que a iniciativa tenha "uma projeção nacional", após um investimento municipal na ordem dos 40 mil euros.
Para o autarca, o aniversário da Ponte 25 de Abril deve também servir para que haja uma reflexão sobre o futuro, defendendo que é necessário aproveitar o "imenso potencial de desenvolvimento" da margem sul do Tejo.
Neste sentido, Joaquim Judas reforçou que a margem sul "precisa de ter ligações mais fortes e mais fáceis, não só entre as duas margens, mas também com o resto do país e com a Europa", considerando essencial a construção de uma terceira ponte entre as duas margens do rio Tejo.
Atualmente, a Ponte 25 de Abril e a Ponte Vasco da Gama são as duas infraestruturas responsáveis por assegurar a ligação rodoviária entre as duas margens do Tejo na zona de Lisboa.
Presente na cerimónia de apresentação do evento, a presidente do conselho de administração do Porto de Lisboa, Lídia Sequeira, elogiou a iniciativa, acrescentando que espera "vir a estabelecer relações profícuas e muito produtivas" com o município de Almada.
"Acho fantástico que as pessoas continuem com este espírito de carolice a desenvolver um projeto, a desenvolver um sonho, que nos faz recordar o passado e que - mais importante do que tudo - nos aponta aquilo que é o nosso futuro", declarou Lídia Sequeira, sublinhando que o futuro do país está no mar.
A administração do Porto de Lisboa pretende fazer renascer o porto, tornando-o mais moderno, sem desprezar o transporte marítimo de mercadorias e a componente náutica de recreio.
Já o presidente da empresa Transportes de Lisboa, Tiago Farias, disse estar "muito satisfeito" com o evento, considerando que "é a iniciativa do rio e do mar, em que a Transtejo tem tido um papel fundamental na união das duas margens e como complementaridade da Ponte".

A história da ponte 25 de Abril 
Vista de um dos pilares da ponte aquando a sua construção 
Lisboa e Almada ficaram mais próximas em agosto de 1966, quando a agora chamada Ponte 25 de Abril nasceu no alto dos seus 70 metros acima do rio Tejo. Cem milhões de pessoas por toda a Europa colaram-se à televisão para assistir à inauguração da que seria a maior ponte do continente. Era um sábado de sol, aquele 6 de Agosto de 1966. Depois de se tocar o hino nacional, de vinte e um tiros se terem ouvido em Almada e de o cardeal Cerejeira ter abençoado a construção, abriu finalmente “o grande símbolo do futuro”, como descreveu o Diário de Notícias do dia seguinte.
O primeiro automóvel a circular ao longo dos quase 2.300 metros do tabuleiro da Ponte Salazar, mais tarde rebatizada de Ponte 25 de Abril, foi um carro da Polícia de Viação e Trânsito, que fazia segurança do carro onde seguia a mulher de Américo Tomás, presidente da República na altura, e de um outro carro no qual viajava António de Oliveira Salazar. Só às 15 horas é que o povo português pode circular na ponte que custou à época dois milhões e 200 mil contos (cerca de 11 milhões de euros): o primeiro carro civil a atravessar a ponte para “a outras banda” foi um Austin-Seven verde com a matrícula “DC -72 - 48”. Nas primeiras dez horas, seguiram-se 50 mil automóveis e cerca de 200 mil pessoas a bordo deles.
A construção de uma ponte sobre o Tejo era um plano muito antigo do Governo português, mas apenas nos anos cinquenta é que foram dados passos efetivos nesse sentido. O engenheiro José Estevão Canto Moniz, que viria a ser ministro da Comunicação, abriu um concurso internacional que recebeu quatro projetos. Em 1960, a empresa norte-americana United States Steel Export Company ganhou os direitos de construção, vinte e cinco anos depois de ter enviado para Portugal um primeiro plano de construção para uma ponte suspensa no rio Tejo.
A construção começou em 1962 e terminou quatro anos mais tarde. Muitos compararam-na à Golden Gate de S. Francisco nos Estados Unidos, principalmente por causa da cor, da forma e dos materiais da ponte. Mas, na verdade, inspirou-se na ponte erguida na Baía de Oakland, também ela em São Francisco, pela mesma empresa. Desta última herdou a disposição dos ferros dos pilares, em “X”.


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