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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Secundária da Baixa da Banheira certifica formanda

Qualificação de adultos permite cumprir objetivo de inclusão na comunidade

A Escola Secundária da Baixa da Banheira certificou esta semana uma utente do Protocolo do Rendimento Social de Inserção da NÓS – Associação de Pais e Técnicos para a Integração do Deficiente, sendo atualmente uma formanda certificada com equivalência ao 12º ano. Para a NÓS, este é um exemplo do cumprimento de um dos objetivos estratégicos da intervenção do seu Protocolo do RSI: “contribuir para a promoção do aumento dos níveis de qualificação e apoiar na definição e desenvolvimento de percursos de (re)inserção no mercado de trabalho”, realça a Associação de Pais e Técnicos para a Integração do Deficiente em comunicado, onde lamenta a ausência de Centro para a Qualificação no Barreiro. 
A formanda no momento da entrega do seu Certificado pelo diretor

“Agora sim, sinto que estou à altura de 'competir' com qualquer outra pessoa na procura de emprego”. Esta é a forma como ‘Maria’ [nome fictício com vista a preservar a identidade da entrevistada] encara a certificação recebida por parte da escola em parceria com a Associação NÓS.
Encaminhada pela Escola Secundária da Baixa da Banheira para um curso de Educação e Formação de Adultos. ‘Maria’ inscreveu-se em Abril de 2016 nesta escola enquanto polo do Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional do Arco Ribeirinho do Tejo que se encontra sedeado na Escola Técnico Profissional da Moita. O certificado recebido esta semana ao nível do 12º ano foi recebido como “uma mais-valia” que a fazem acreditar que “agora se vão abrir algumas portas”.“Esta certificação é muito importante para mim porque há algum tempo que esperava por isto. Cada vez mais na procura de emprego exigem o 12º ano; embora tenha experiência, sem o 12º ano não se consegue nada”, considera a atual formanda certificada.
‘Maria’ é apenas uma entre as cerca de 30 a 40 adultos que a NÓS e a Escola Secundária da Baixa da Banheira encaminharam, no último ano letivo, para respostas de qualificação de adultos, nomeadamente Cursos de Educação e Formação de Adultos, Formação Profissional Qualificante e do Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. “Foi muito bom para ela a vários níveis, não só em termos escolares mas também a nível pessoal e social, estando agora encaminhada para uma oferta profissional que lhe surgiu”, enquadra Dália Sousa, coordenadora do ensino noturno na Escola Secundária da Baixa da Banheira e formadora de ‘Maria’.
Para a técnica de orientação do Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional do Arco Ribeirinho do Tejo, com este exemplo se demonstra que estes centros são “uma aposta na qualificação que abrange pessoas a partir dos 15 anos, que podem até fazer o prosseguimento para estudos superiores”.
Na opinião de Paula Encarnação, coordenadora do Protocolo do RSI da NÓS, a certificação obtida por ‘Maria’ concretiza um dos objetivos estratégicos da intervenção desta resposta social: “contribuir para a promoção do aumento dos níveis de qualificação e apoiar na definição e desenvolvimento de percursos de (re)inserção no mercado de trabalho, e que facilitem a autonomização dos indivíduos e famílias e uma progressiva inserção social e profissional”.
Ainda assim, visto que a parceria entre a Escola Secundária da Baixa da Banheira e a NÓS se estende a várias respostas sociais desta instituição, desde o Protocolo do RSI às Residências Autónomas, tal potencia a inclusão social seja de pessoas em situação de desvantagem social como de pessoas com deficiência. “Considera-se de extrema importância a aposta na qualificação, que, por sua vez, permite o aumento das habilitações e favorece positivamente a integração no mercado de trabalho. A aprendizagem ao longo da vida é cada vez mais importante e é de enaltecer o esforço dos adultos na procura de uma maior qualificação. Que esta certificação de 12º ano sirva de exemplo e estímulo para que outros se desafiem e apostem na sua educação e no seu processo de qualificação”, deseja Paula Encarnação.

Ausência de Centro para a Qualificação no Barreiro considerada “lacuna”
A coordenadora do Protocolo do RSI da NÓS agradece e elogia o esforço dos formandos bem como a parceria mantida com o Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional  do Arco Ribeirinho do Tejo, através da Escola da Baixa da Banheira - e da colaboração, cooperação, disponibilidade e estímulo de toda a equipa formativa -, sublinhando que todos “têm contribuído para que este processo aconteça no Barreiro”. “Nos últimos meses tem sido possível através do processo de itinerância por parte do Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional  da Escola Secundária da Baixa da Banheira, no concelho da Moita, envolver adultos residentes no Barreiro, acompanhados pela NÓS, em sessões de informação realizadas no concelho. 
Embora alguns módulos tenham de decorrer na Baixa da Banheira, por incompatibilidade de horário por parte da equipa formativa, o processo decorre no Barreiro, em locais da comunidade, disponibilizados pela Associação NÓS, onde a equipa formativa se desloca e trabalha com os formandos”, esclarece.
O Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional é, atualmente, “uma resposta inexistente no concelho do Barreiro desde a extinção dos Centros de Novas Oportunidades, em 2013”, algo que Paula Encarnação lamenta visto tratar-se de “uma resposta extremamente necessária no concelho, de forma a facilitar a adesão dos indivíduos em processos de qualificação, na proximidade das suas residências”. 
O apoio a todo o concelho do Barreiro e, essencialmente, às freguesias da Baixa da Banheira e do Vale da Amoreira do concelho da Moita é da responsabilidade do Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional  do Arco Ribeirinho do Tejo, através da Escola da Baixa da Banheira.
“Tentámos, dentro das nossas possibilidades, abranger todos os que nos solicitaram algum apoio para que houvesse informação do que são estes centros, o qual prevê não só o reconhecimento de competências, como também o diagnóstico e o encaminhamento dos seus candidatos que poderão ir para todas as ofertas formativas de várias escolas de todo o país. Cada pessoa chega ao centro e passa por várias fases: é acolhida, diagnosticada e encaminhada para um percurso escolar - que vai decorrer em qualquer escola do país - ou mesmo para o IEFP, de acordo com a sua zona de residência”, explica Dália Sousa.

Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências são “grande preocupação” 
Novas regras preocupam o desenvolvimento do ensino para adultos
Para a técnica de orientação do Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional  do Arco Ribeirinho do Tejo, o trabalho deste Centro em conjunto com diferentes instituições “tem sido muito positivo para as duas comunidades, Moita e Barreiro”. A indicação da tutela no sentido de todos os Centros cessarem atividade no final do corrente mês de Julho, por extinção do atual Governo, constitui, contudo, “uma preocupação” para todos os envolvidos.
“Vai ser criada uma nova resposta que vem substituir os Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional, razão pela qual temos indicações para não continuarmos até novas diretrizes. Mas, se nos recordarmos da janela temporal que houve entre a extinção dos CNO e o surgimento destes novos centros para a qualificação, sabemos que passou ano e meio; se agora passar o mesmo período de tempo para aparecerem os novos ‘Centros Qualifica’, é certo que é muito tempo e as pessoas desmotivam-se e os formadores não sabem inclusive como vão trabalhar”, contesta Dália Sousa.
Na nova mudança que se espera no âmbito da qualificação de adultos, a coordenadora do ensino noturno na  Escola Secundária da Baixa da Banheira  espera que a tutela tenha em linha de conta a necessidade de o processo de certificação de competências não se centrar na história de vida das pessoas para, no final, se virar para um processo escolar que culmina numa prova de exame. 
“É um exame muito longo, com vertente escrita e oral; é uma lacuna grave do processo pois é um pouco o oposto do que se procura fomentar desde o início do processo que é 'reconhecer as minhas competências' e 'o que aprendi ao longo da minha vida'. Se melhorarmos nesse aspeto penso que ganhamos todos”, esclarece a responsável.

Agência de Notícias
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