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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Oficina de Artes Manuel Cargaleiro abre no Seixal

Manuel Cargaleiro e Siza Vieira juntos em projeto único em Arrentela 

A Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, edifício projetado pelo arquiteto Siza Vieira na Quinta da Fidalga, em Arrentela, foi inaugurado no sábado. A abertura foi marcada pela inauguração de uma exposição do mestre Manuel Cargaleiro, composta por reproduções de painéis de azulejo de oito obras emblemáticas do artista, como a fachada do Instituto Franco-Português de Lisboa ou a estação do metro de Champs Elysées-Clémenceau, de Paris. A mostra reúne ainda trabalhos em azulejo de Siza Vieira, dando a conhecer um lado menos conhecido do arquiteto, e que terão neste espaço um lugar de destaque.
Novo equipamento público foi inaugurado este sábado 

“Não é um museu, é uma oficina.” É assim que o presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, define a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, apresentada ao público este sábado.
Joaquim Santos não tem dúvidas: “Não há mais nenhum lugar do mundo com estas duas figuras históricas no mesmo espaço”. São elas Manuel Cargaleiro e Álvaro Siza Vieira. A primeira pedra foi lançada em 2011, mas a obra apenas ficou finalizada em 2014. Com projecto arquitectónico e mobiliário da autoria do arquitecto, o edifício é descrito com tendo uma “arquitectura inovadora”,pois tem uma articulação dos espaços expositivos em "s", que permite a subdivisão por painéis desmontáveis. Além disso, tenta conjugar vários elementos arquitectónicos com os espaços envolventes. 
O espaço é o da Quinta da Fidalga, na zona ribeirinha de Arrentela, que integra áreas arborizadas com áreas residenciais. No século XX, o palacete da quinta recebeu intervenções do arquitecto Raul Lino e aí são distribuídos, por vários pontos da propriedade e paredes dos edifícios, azulejos. Em 2000, a quinta é adquirida pela Câmara Municipal do Seixal e este ano tem oficialmente um novo edifício, a Oficina de Artes. “O arquitecto tentou marcar a diferença do passado com uma visão de futuro”, disse o autarca.
Com a abertura do espaço ao público, há também a inauguração de uma exposição: "A essência da forma". Aqui Manuel Cargaleiro e Álvaro Siza Vieira voltam a encontrar-se. O objectivo da exposição é direccionar a cerâmica para a arquitectura, com reprodução de painéis de azulejo de oito obras emblemáticas do mestre Cargaleiro, como a fachada do Instituto Franco-Português de Lisboa, ou a estação do metro de Champs Elysées-Clémenceau, de Paris, e azulejos de Siza Vieira. “Esta exposição tem uma faceta que não conhecíamos de Siza Vieira, que fazia azulejos nos tempos livres”, revela a autarquia.
Além desta primeira exposição, a oficina pretende ser “uma tela em branco, onde artistas contemporâneos possam expor”, informa o autarca, acrescentando que também há a missão de motivar novos autores na construção de edifícios, tendo a inspiração de Cargaleiro e Siza Vieira.
Outro objectivo é trazer a memória do azulejo às novas gerações. Através de ateliers para crianças, exposições temporárias ou ensino experimental, um dos objectivos é criar "uma linha de afirmação da tradição azulejar portuguesa”. Joaquim Santos revela que “para já há uma ideia e as áreas emblemáticas da quinta que já estão identificadas para as oficinas", conta o autarca do Seixal.
Joaquim Santos destaca que este é apenas um “primeiro passo” e o objectivo é colocar o espaço no mapa da cultura regional e nacional.

A ligação de Manuel Cargaleiro ao Seixal
A família de Manuel Cargaleiro instalou-se na Sobreda da Caparica em 1928, local onde o artista veio fazer dois anos de idade. O pai de Manuel Cargaleiro era dirigente agrícola, tendo sido presidente do Grémio da Lavoura de Almada e Seixal. Esta cooperativa, com sede em Cacilhas, passou a ter um edifício sedeado no Fogueteiro, concelho do Seixal.
O pai de Manuel Cargaleiro deixou-se seduzir pelo concelho, onde adquiriu alguns terrenos e se sedeou, tendo mais tarde sido o primeiro provedor da Santa Casa da Misericórdia do Seixal. Entre as memórias de infância, Manuel Cargaleiro lembra-se de ir à missa na Quinta da Fidalga. Mais tarde, recorda-se do café do Américo, no Fogueteiro, onde recebia amigos artistas e escritores, como Vieira da Silva e Arpad Szenes, tornando a localidade num centro cultural e artístico.
A sua ligação ao concelho manteve-se ao longo da sua vida. Em 1994, foi atribuído à Escola Secundária do Fogueteiro o nome de Escola Secundária Manuel Cargaleiro. «Ao princípio, não queria. Mas hoje gosto, até tenho vaidade, digo que é a minha escola», afirma.
Em 1999, foi-lhe atribuída pela Câmara Municipal do Seixal a Medalha de Honra e, no ano seguinte, Manuel Cargaleiro criou um grande painel de azulejos para a escola secundária com o seu nome. Foi lá que realizou ainda as exposições Obra Gravada, em 2010, no 25.º aniversário da escola, e 7 Gravuras, 7 Cidades, em 2013, integrada nas comemorações do seu 86.º aniversário.
Em 2014, Manuel Cargaleiro faz a visita inaugural ao edifício Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, na Quinta da Fidalga.











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