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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Governo prefere terminal de contentores no Barreiro

Secretário de Estado foi a Setúbal dizer que prefere o Barreiro 

O secretário de Estados dos Transportes, Sérgio Monteiro, revelou ontem que o porto de Setúbal não pode aceder aos mesmos fundos comunitários do que os portos nacionais de maior dimensão, os quais integram a rede transeuropeia de transportes. "Por determinação de Bruxelas, os fundos comunitários que podem ser alocados a investimentos em Setúbal são menores do que em Lisboa, Leixões ou em Sines", disse Sérgio Monteiro, lembrando que o porto de Setúbal não integra a rede transeuropeia de transportes, que engloba os portos europeus de maior capacidade. No encontro realizado em Setúbal, que teve a participação de dezenas de especialistas do setor marítimo-portuário, foi apresentado um estudo comparativo das duas soluções - porto de Setúbal e futuro terminal do Barreiro - a Comunidade Portuária de Setúbal considera a construção de um novo terminal de contentores como um "desperdício de recursos lesivo do interesse público", atendendo na que já existe capacidade instalada em Setúbal.

Responsáveis defendem mais valias do porto de Setúbal 

Sérgio Monteiro falava à Lusa depois de presidir à sessão de abertura da conferência "Porto de Setúbal - A Resposta Imediata - uma estratégia portuária coerente", que decorreu no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal.
O governante defendeu ainda que o futuro terminal de contentores do porto de Lisboa, que vai aumentar a capacidade instalada no estuário do Tejo, "não deve ser visto numa perspetiva exclusiva - Setúbal ou Barreiro -, mas numa perspetiva inclusiva - Barreiro e Setúbal".
"Se houver algum investidor estrangeiro que queira instalar-se em Setúbal, conhecendo as regras em termos de fundos comunitários, tem todas as condições para o fazer", disse, assegurando que, independentemente da construção de um novo terminal no Barreiro, o Estado vai continuar a apoiar o desenvolvimento do porto de Setúbal.
"Nós queremos Setúbal, Lisboa, Leixões, Sines, Aveiro, Figueira da Foz e Viana do Castelo com investimento, porque o sistema portuário tem de viver de aumento de capacidade e de concorrência entre operadores, porque isso é bom para a economia. Mais concorrência significa taxas mais baixas, produtos mais baratos em Portugal e a economia a gerar emprego e a criar riqueza", acrescentou o secretário de Estados dos Transportes.
Confrontado com os custos da descontaminação e das dragagens para o futuro terminal de contentores no Barreiro, Sérgio Monteiro adiantou que a Administração do Porto de Lisboa estima que os custos das dragagens deverão ser de cerca de "um milhão de euros".
"O canal de acesso a uma eventual localização [do terminal portuário] no Barreiro, já foi dragado no passado e é regularmente dragado. Nós conhecemos o tipo de dragagem que é necessário para os navios", disse.
Para Sérgio Monteiro também há vantagens ambientais na construção do futuro terminal do Barreiro, porque "aquilo que são hoje matérias, poeiras, areia contaminada, passa a ser areia descontaminada", o que significa uma "redução do passivo ambiental".

Novo terminal é um "desperdício de recursos lesivo do interesse público"
No encontro realizado em Setúbal, que teve a participação de dezenas de especialistas do setor marítimo-portuário, foi apresentado um estudo comparativo das duas soluções - porto de Setúbal e futuro terminal do Barreiro - realizado pelo professor José Augusto Felício, presidente do Centro de Estudos de Gestão do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
O referido estudo, "Análise comparativa de serviços de contentores do Porto de Setúbal com o Porto de Lisboa", conclui que o porto de Setúbal teria custos mais reduzidos do que um futuro terminal de contentores no Barreiro, coincidindo com a perspetiva dos operadores do porto de Setúbal.
A Comunidade Portuária de Setúbal considera a construção de um novo terminal de contentores como
um "desperdício de recursos lesivo do interesse público", atendendo na que já existe capacidade instalada em Setúbal, que dizem ser uma boa alternativa para toda a região da Grande Lisboa.
O facto de não serem necessários grandes investimentos em Setúbal que poderia ser, aparentemente, a grande vantagem de Setúbal face à opção Barreiro, é para Frederico Spranger, presidente da Comunidade Portuária de Setúbal o, aparente, motivo da falta de interesse de “determinados setores empresariais da sociedade”.
“Num país onde se tem dito e repetido, interna e externamente, que vivemos acima das nossas possibilidades, a solução do Porto de Setúbal por não exigir um investimento adicional, nem garantias do erário público para a manutenção os acessos, como é o caso de outras alternativas que, aparentemente, têm obtido maior expressão mediática, demonstra que Setúbal é uma alternativa coerente com a política de investimento público defendida pelo Governo”, frisou Frederico Spranger.

Autarquia de Setúbal quer o melhor para Setúbal e o país 
Presidente da Câmara de Setúbal defende vinda dos contentores 
Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, enalteceu as mais-valias do Porto de Setúbal, em concreto a ampla capacidade instalada, o potencial de crescimento e as excelentes acessibilidades marítimas e rodoferroviárias.
“Quando se discute qual será a melhor solução para a construção de um terminal de contentores desejamos, sinceramente, que a capacidade e o potencial do Porto de Setúbal sejam tidos em conta”, realçou a autarca, sublinhando que este “desejo” não é “uma afirmação irracional de puro bairrismo”, mas sim “uma manifestação de vontade para que a melhor escolha seja tomada, com ponderação e rigorosa avaliação dos custos e dos benefícios de cada uma das alternativas”.
Assim, concluiu a chefe do executivo municipal, "como autarca de Setúbal luto todos os dias para que o meu concelho seja mais desenvolvido, mais competitivo e mais coeso, mas também quero que o meu país seja mais desenvolvido, mais competitivo e mais coeso, por isso o que, realmente, desejo é que seja tomada a melhor decisão para Portugal”, realçou Maria das Dores Meira.

Agência de Notícias

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