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terça-feira, 28 de outubro de 2014

ANA negoceia aeroporto low cost no Montijo

Câmara do Montijo "aceita" aeroporto "provisório" na Base Aérea 

A ANA - Aeroportos de Portugal, controlada pelos franceses da Vinci, já está em conversações com a Força Aérea  para instalar no Montijo, na base aérea n.º 6, um aeroporto complementar ao da Portela. Fonte oficial da Força Aérea confirmou, escreve o semanário Sol, que “tem havido reuniões e trocas de informação técnica” entre as partes para se concluir “o projecto de engenharia” da futura infra-estrutura - que necessita de obras na pista a ser usada para os voos comerciais e exige a construção de uma aerogare para os passageiros. A Câmara do Montijo está a par das negociações e apoia  "o aeroporto no Montijo para as low cost, desde que seja provisório, pois estrategicamente a construção de um grande aeroporto é o mais adequado", diz o presidente da Câmara, que continua a defender a construção do aeroporto no campo de tiro de Alcochete. 

Base Aérea do Montijo vai receber aeroporto low cost 

A necessidade de acelerar o novo aeroporto surgiu porque as estimativas iniciais de que só em 2025 se atingiriam os 22 milhões de passageiros na Portela (limite máximo e já com constrangimentos) correm sérios riscos de estarem erradas. Só nos primeiros sete meses deste ano, o tráfego de passageiros cresceu 12,5 por cento em relação ao período homólogo, atingindo os 10,290 milhões. Se o ritmo se mantiver, aquele tecto será atingido muito mais cedo.O rápido e inesperado crescimento do tráfego na Portela levou a ANA a reunir também, há cerca de um mês, com os responsáveis da Câmara do Montijo, para lhes adiantar que vai avançar com o aeroporto para as companhias low cost naquela base militar, garantiu Nuno Canta, presidente da autarquia, ao jornal Sol
Perante esta situação, a ANA está já a realizar um profundo estudo para dar forma ao projecto de engenharia e avaliar as obras a realizar. De acordo com fontes conhecedoras do processo, a infra-estrutura irá ocupar apenas metade dos 900 hectares totais. E, das duas pistas ali existentes, a Norte-Sul foi considerada a mais adequada.
No entanto, esta terá de sofrer intervenções de repavimentação e prolongamento, dada a dimensão e o peso dos aviões comerciais que a vão usar.
Afastada está também a possibilidade de este novo corredor aéreo interferir com o da Portela, pois as análises feitas pelos peritos verificaram que os 13 quilómetros de distância garantem a segurança das operações.

Montijo ainda quer Campo de tiro de Alcochete
O presidente da Câmara do Montijo garante, porém, que este aeroporto tem prazo de validade . “Segundo nos disse a ANA na reunião, o uso da base n.º 6 será provisório, uma vez que continua em cima da mesa a possibilidade de se construir um aeroporto grande no Campo de Tiro de Alcochete”, revela Nuno Canta, acrescentando que, por isso, a Câmara reservou, no Plano Director Municipal, 10 por cento do espaço daquele Campo de Tiro (que pertence aos concelhos do Montijo e Benavente).
“Apoiamos o aeroporto no Montijo para as low cost, desde que seja provisório, pois estrategicamente a construção de um grande aeroporto é o mais adequado, tendo em conta o aumento do número de passageiros que se verifica”, defende Nuno Canta.
O autarca do Montijo quer, no entanto, que a empresa francesa [dona dos aeroportos portugueses] avance com “ligações viárias ao aeroporto, melhoria dos transportes públicos e tratamento de água e esgotos”.

ANA quer mais espaço em Figo Maduro 
Ao mesmo tempo que decorre este projecto, a ANA quer aumentar nos próximos meses o espaço para o estacionamento de aeronaves na Portela, onde são cada vez mais frequentes os congestionamentos. Para isso, está também em negociações com a Força Aérea para que esta lhe ceda o espaço que tem em Figo Maduro. Segundo uma investigação do jornal Sol, as partes ainda não alcançaram um acordo quanto ao valor da indemnização a pagar à Força Aérea para esta sair do lugar que ocupa na Portela (na área de trânsito n.º 1), onde estão estacionados os três Falcon 50.
De acordo com fonte ligada ao processo, os militares aceitam sair de Figo Maduro, desde que esteja garantido que o novo local assegura a operacionalidade militar. Além dos Falcon, tem também de se prever espaço para o C130 e o C295, para os aviões que transportam passageiros para apoiar forças nacionais destacadas no estrangeiro e ainda para os aparelhos de chefes de Estado que visitam Portugal. Caso não se chegue rapidamente a acordo, está em cima da mesa a possibilidade de a Força Aérea, sob certas condições, facilitar o estacionamento de alguns aviões comerciais na zona militar.

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