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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

200 animais resgatados de vivenda em Palmela

130 cães, 34 gatos e 65 ratazanas retiradas da "casa dos horrores", em Pegarias 

Mais de 200 animais foram resgatados de uma vivenda em Pegarias, em Palmela. As autoridades suspeitam de um negócio ilegal de venda de animais. Depois de várias denúncias, a GNR, o Grupo de Intervenção e Resgate Animal, a autarquia de Palmela e vários voluntários dirigiram-se à vivenda em Palmela que os vizinhos apelidam de "casa dos horrores" e resgataram mais de uma centena de cães, muitos gatos e algumas ratazanas domésticas. Muitos estavam em más condições, sujos e alguns em risco de vida e depois de tratados e recuperados irão para adoção. Em Setúbal, em 2009, a proprietária foi alvo de uma ação idêntica, mas acabou por se mudar para Palmela onde voltou a fazer o mesmo.



Centenas de animais estavam numa vivenda em Pegarias

Quando os técnicos da câmara de Palmela chegaram ao local na manhã de ontem, munidos de um mandato judicial e acompanhados pelos militares do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (Sepna) da GNR, encontraram um "cenário terrível", afirma Teresa Palaio, directora do Departamento de ambiente e gestão da Câmara de Palmela.
Sandra Cardoso, a presidente da SOS Animal, foi a primeira a entrar na casa e relatou um cenário de horrores. “O que encontramos dentro daquela casa foi uma situação dantesca. Havia cães, gatos e ratos em todos os lados da habitação e em situação de insolubilidade profunda”, contou a veterinária à TSF. “Havia dejectos no chão, nos armários... não havia um lugar naquela casa que não estivesse sujo, estava tudo profundamente sujo”, disse Sandra Cardoso que encontrou muitos animais “maltratados”, outros “doentes” e muitas “crias em situação limite”. Duas cadelas resgatadas estavam em trabalho parto. Nenhum dos cães é de raça perigosa.
Foi por isso, segundo apresentadora do programa SOS Animal da SIC, “um quadro de horror” aquele que tiveram ao entrar naquela vivenda em Pegarias, nos arrabaldes de Palmela. Um quadro confirmado por Teresa Palaio: "os animais estavam muito sujos, vários estavam doentes e maltratados, e alguns parecem ter patologias típicas dos animais que resultam de muitos cruzamentos entre pais, filhos e irmãos".
Os animais – quase 130 cães, entre adultos e cachorros, 34 gatos e mais de 65 ratazanas domésticas – andavam livremente pelo quintal e ocupavam todas as divisões da casa, que além de ter um cheiro nauseabundo estava "coberta de excrementos", descreve a técnica da autarquia.

Intervenção pensada e delicada 
A Câmara de Palmela já tinha sinalizado a situação há algum tempo, na sequência de denúncias feitas pelos vizinhos "há mais de um ano". "Havia um longo caminho legal e também logístico a percorrer até conseguirmos intervir", esclarece Teresa Palaio. Num comunicado publicado na página de Internet do município, lê-se que houve uma primeira visita dos serviços municipais a 15 de Dezembro para retirar os animais. No entanto, constatou-se que “o número existente era muito superior ao expectável – mais de uma centena de cães e gatos e ainda ratos”.
Assim, "face à limitação de lugares do canil municipal, foram retirados oito cães e iniciadas todas as diligências e contactos que permitissem concluir a operação, em condições de salvaguarda da saúde e vida dos animais”, acrescenta a autarquia. O resgate foi concluído ontem, com a retirada de todos os animais da residência, conhecida na vizinhança como "casa dos horrores".
Com os animais "a salvo", fonte da autarquia apela à adopção responsável. "No âmbito da sua política de proteção animal, que privilegia a adoção, a Câmara de Palmela apela, desde já, a todos os cidadãos que possam acolher responsavelmente os animais em causa, para que se disponibilizem nesse sentido, suportando o município os encargos com a vacinação e a colocação do chip de identificação eletrónica", refere fonte do município.

Animais para comercio ilegal 
Muitos animais estavam em muito mal estado 
Segundo o tenente-coronel Jorge Goulão, do comando de Setúbal da GNR, a proprietária da casa alegou que apenas recolheu os animais que via na rua. No entanto, há suspeitas de que a mulher desenvolvia um negócio de venda ilegal de animais. O assunto foi abordado numa reunião pública da câmara no início de Janeiro, mas já em Dezembro uma reportagem denunciava a venda de animais em sites como o OLX e o Custo Justo, pedindo também fêmeas para reprodução. Teresa Palaio diz que alguns dos cães resgatados possuem chip, registado em nome de outras pessoas que não a proprietária da casa.
Teresa Palaio adianta que a Câmara de Palmela irá instaurar uma contra-ordenação à proprietária da casa por atentado à salubridade e detenção ilegal de animais. A GNR também deverá investigar a origem dos cães e gatos. "Era importante que a própria sociedade civil apresentasse queixa se suspeita de comércio ilegal", apela a directora do Departamento de Ambiente da autarquia.

Mulher é reincidente neste tipo de crime  
Em Setúbal, em 2009, a proprietária desta casa foi alvo de uma ação idêntica. Tinha num apartamento mais de 100 animais. Saiu de Setúbal mas acabou por se mudar para uma vivenda em Pegarias e recomeçar tudo de novo. Agora as autoridades querem impedir de vez que este casal volte a ter animais em casa. No entanto, há uma dúvida que incomoda as autoridades e os voluntários das associações: alguns animais podem ter ficado na casa. Quando a captura era feita num divisão, eram trancadas as portas mas depois numa segunda vistoria, foram encontrados animais que já tinham sido recolhidos antes.
Quando saíram da "casa dos horrores", alguns animais já tinham famílias à espera para os adoptarem. "Outros vão para famílias de acolhimento ou ficam à guarda de associações de animais", diz Teresa Palaio, que acredita que todos serão adoptados. No local estiveram associações como a Animal, SOS Animal, Sobreviver e o Grupo de Intervenção e Resgate Animal, que apoiaram a operação de resgate e prometem ficar de olho nos donos da casa.

Agência de Notícias
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