Montijo divide reabilitação urbana e lança nova vaga de investimento nas freguesias

Nova estratégia urbanística transforma cidade e leva reabilitação a Atalaia, Canha, Sarilhos Grandes e Pegões

O Montijo prepara-se para uma das mais profundas mudanças na sua estratégia de reabilitação urbana dos últimos anos. A Câmara Municipal aprovou uma reorganização das áreas de intervenção na cidade e vai alargar os instrumentos de requalificação urbana a várias freguesias do concelho, numa aposta que pretende proteger o património histórico, melhorar a habitação e tornar os territórios mais atrativos para viver e investir.
Montijo avança com nova estratégia de reabilitação urbana

A decisão, aprovada por unanimidade pelo executivo municipal, marca o início de uma nova etapa na política urbanística do concelho. No centro da estratégia está a divisão da atual Área de Reabilitação Urbana (ARU) do Montijo em duas zonas distintas, reconhecendo que a cidade apresenta hoje realidades muito diferentes que exigem respostas igualmente diferenciadas.
Para o vereador do Urbanismo, Pedro Vieira, a atual delimitação já não acompanha a evolução do território.
"Existe uma cidade mais recente, construída sobretudo a partir dos anos 60, que precisa de ser reabilitada e modernizada, mas que exige instrumentos diferentes. E existe uma cidade mais antiga, feita de pedra, azulejo e telha, com monumentos e um património histórico que necessita de mecanismos específicos de proteção, preservação e valorização", explicou.

Duas cidades, duas estratégias
A nova organização urbanística parte precisamente dessa distinção. Por um lado, será criada uma Área de Reabilitação Urbana dedicada ao centro histórico e à zona mais antiga da cidade, onde se concentra uma parte significativa do património arquitetónico, cultural e monumental do concelho.
Por outro, a restante área urbana atualmente abrangida pela ARU passará a integrar uma segunda área de intervenção, direcionada para desafios mais ligados à habitação, eficiência energética, mobilidade e qualificação do espaço público.
Segundo Pedro Vieira, manter ambas as realidades sob o mesmo enquadramento limitava a capacidade de resposta da autarquia.
A proposta agora aprovada surge também como concretização de um compromisso assumido pelo Município há mais de uma década e pretende adaptar os instrumentos urbanísticos às necessidades atuais da cidade.
Em simultâneo, a Câmara Municipal deliberou suspender temporariamente a Operação de Reabilitação Urbana (ORU), em vigor desde 2017, para permitir a sua revisão e atualização.
A autarquia esclarece que esta medida não terá qualquer impacto nos processos urbanísticos em curso, nem nos direitos adquiridos pelos proprietários ou nos benefícios fiscais e financeiros legalmente previstos.

Requalificação chega às freguesias
Mas a nova estratégia não fica confinada à cidade do Montijo. Uma das novidades mais relevantes passa pelo alargamento das políticas de reabilitação urbana às restantes freguesias do concelho, através da criação de novas Áreas de Reabilitação Urbana em Atalaia, Canha, Sarilhos Grandes e Pegões Cruzamento.
Para o vereador, trata-se de uma medida de equilíbrio territorial.
"É uma questão de justiça territorial. Todas as freguesias têm património relevante, centros urbanos que importa valorizar e comunidades que devem ter acesso aos mesmos instrumentos de reabilitação urbana", sublinhou.
A criação destas novas ARU permitirá avançar com projetos de recuperação do património edificado, qualificação dos espaços públicos, dinamização da atividade económica local e valorização dos núcleos urbanos das diferentes localidades.


Mais habitação, mais áreas verdes e melhor qualidade de vida

A estratégia aprovada estabelece ainda um conjunto de prioridades para os próximos anos, entre as quais a recuperação de edifícios devolutos, o reforço da habitação acessível, a valorização dos núcleos históricos e o combate à degradação urbana.
A melhoria da acessibilidade, o aumento das áreas verdes e a promoção da eficiência energética surgem igualmente entre os objetivos definidos pelo Município.
A aposta passa também pelo reforço da coesão social e territorial, procurando garantir que o desenvolvimento urbano beneficia de forma equilibrada a cidade e as freguesias.
Com esta aprovação, o Montijo inicia uma nova fase de requalificação urbana, assente na preservação da identidade histórica, na modernização do território e na melhoria da qualidade de vida das populações.


Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 


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