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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Velocidade na origem do naufrágio na Costa de Caparica

Velocidade excessiva, mar crispado e falta de coletes salva-vidas na origem das mortes 

O naufrágio na Costa de Caparica que, há um mês, provocou a morte de seis pessoas terá sido causado por excesso de velocidade. Foi divulgado, na sexta-feira, o relatório técnico do Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Marítimos. O documento salienta, também, o facto de nenhum dos tripulantes usar o colete de salvação na altura do acidente. O naufrágio foi a 21 de Dezembro. Nessa altura, sete homens regressavam ao Barreiro, depois de terem passado o dia a praticar pesca desportiva, na zona do Cabo Espichel, na zona de Sesimbra. Uma onda virou a embarcação e apenas um dos tripulantes sobreviveu.

Barco terá virado depois de uma grande onda. Seis pessoas morreram 

O naufrágio que vitimou seis pessoas a 21 de Dezembro na zona da Costa de Caparica, Almada, foi provocado pela velocidade excessiva da embarcação de recreio, face às condições de agitação marítima registadas no momento. Esta é a conclusão do relatório técnico ao acidente, no qual se lê que o uso do colete salva-vidas poderia ter evitado a morte dos seis homens.
No documento, os investigadores do Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Marítimos (GPIAM) descrevem todo o percurso do barco Cochicho naquele sábado antes do Natal. Depois de terem passado o dia a fazer pesca desportiva na zona do Cabo Espichel, os sete amigos, todos da zona do Barreiro, iniciaram a viagem de regresso a Lisboa às 16 horas. O mar estava “encrespado”, com ondas de três a quatro metros. Entre as 17 e as 17h30, uma onda maior “ergueu a embarcação, adornou-a a estibordo e rebentou sobre ela, virando-a”.
De acordo com o testemunho do único sobrevivente, que era também o condutor do barco, na cabine viajavam ele e mais três pessoas, no momento do naufrágio. Os restantes três pescadores estavam sentados no banco do poço da popa. “Nenhum dos tripulantes da embarcação usava colete de salvação”, lê-se no relatório.

O acidente ao detalhe  
Quando a onda virou o Cochicho, quatro dos tripulantes ficaram agarrados à embarcação durante cerca de hora e meia, segundo o relato do sobrevivente. “Quanto aos restantes três, desconhece-se o que lhes aconteceu até que foram recolhidos junto à praia já mortos”.
O condutor do barco decidiu nadar para terra – outro terá tentado também, mas sem sucesso – e conseguiu alcançar a praia do CDS, na Costa de Caparica, pelas 19h30, tendo sido socorrido por um nadador-salvador, que por acaso estava a passar no paredão. Foi ele quem alertou as autoridades. O homem, de 37 anos, foi transportado para o hospital com sintomas de hipotermia.
Só mais tarde foram recolhidos, junto à praia, os seis corpos dos outros tripulantes, já cadáveres, semi-despidos. As vítimas tinham entre 37 e 70 anos. O barco foi encontrado a um quarto de milha da orla da praia do Dragão Vermelho, onde embateu no molhe. Lá dentro estava todo o equipamento de segurança que a embarcação estava obrigada a transportar, à excepção de uma bóia e do motor auxiliar.
"Todo o material estava em conformidade com a regulamentação em vigor, cumprindo os requisitos de validade impostos. Verificou-se também que todo ele se encontrava guardado no interior da cabine da embarcação, ou seja, nenhum estava colocado em local de rápida e fácil utilização ou de actuação automática em caso de naufrágio, em particular a balsa insuflável que a embarcação transportava", diz o relatório.
Coletes teriam evitado tragédia
Os investigadores do GPIAM, um organismo do Ministério da Agricultura e do Mar, sublinham que os coletes salva-vidas “teriam seguramente contribuído para um desfecho menos trágico do acontecido". Consideram que o facto de não terem vestido este equipamento – que não é obrigatório quando o barco está em trânsito – "contribui para o esgotamento" das forças dos tripulantes durante o período em que tentaram sobreviver junto da embarcação, e para que só um alcançasse terra.
Os sete amigos costumavam sair para pescar todos os fins-de-semana e, segundo os testemunhos ouvidos pelos diversos órgãos de comunicação social não lhes faltava experiência no mar. Pescavam para comer e para vender aos amigos. O Cochicho, um barco em fibra de vidro com sete metros de comprimento, registado em Peniche e atracado no porto de Santo Amaro, em Alcântara (Lisboa), pertencia ao irmão do único sobrevivente.

Agência de Notícias
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