Simulacro de sismo em Setúbal mobiliza 637 pessoas e revela falhas a corrigir nas escolas

Portas trancadas e um ponto de encontro inadequado estiveram entre os problemas identificados 

O que aconteceria se um sismo obrigasse centenas de pessoas a abandonar uma escola em poucos minutos? Na Escola Secundária Dom Manuel Martins, em Setúbal, o cenário foi posto à prova num simulacro que mobilizou 637 pessoas e deixou duas mensagens importantes: a preparação faz a diferença, mas há procedimentos que precisam de ser melhorados antes de uma emergência real.
Simulacro permitiu identificar falhas nos procedimentos de segurança

O alarme soou e estudantes, professores e funcionários abandonaram as salas de aula, seguindo para o exterior. Ao todo, participaram 583 alunos, 46 professores e oito funcionários, numa operação organizada por estudantes do Curso Técnico de Proteção Civil e acompanhada pelo Serviço Municipal de Proteção Civil de Setúbal.
O exercício começou às 10h30 e ficou concluído em 18 minutos, desde a saída das salas até ao final da operação. A iniciativa assinalou o Dia Internacional para a Redução do Risco de Catástrofes e permitiu aos futuros técnicos pôr em prática os conhecimentos adquiridos durante a formação.

O que correu bem e o que precisa de mudar?
No balanço do simulacro, José Luís Bucho, coordenador da Proteção Civil de Setúbal, elogiou o desempenho dos alunos e considerou que "o ciclo de emergência foi totalmente cumprido", abrangendo as diferentes etapas, da prevenção e preparação à resposta e à recuperação da normalidade.
Mas um exercício desta natureza não serve apenas para confirmar o que funciona. Também permite encontrar falhas que, numa situação real, podem dificultar uma evacuação e colocar pessoas em risco.
Entre os problemas identificados pelos próprios alunos estiveram portas trancadas e o incumprimento da orientação para permanecer em fila indiana no ponto de encontro. São pormenores que podem parecer menores num treino, mas que ganham outra importância quando é necessário retirar muitas pessoas de um edifício com organização e rapidez.

O campo desportivo não é uma solução para uma emergência real
A escolha do local de concentração foi uma das questões que mereceu atenção na avaliação. Embora o campo desportivo exterior tenha servido como ponto de encontro durante o exercício, o coordenador da Proteção Civil alertou que aquele espaço não constitui uma solução viável numa situação real de emergência.
José Luís Bucho defendeu, por isso, a análise de percursos alternativos de evacuação, a eliminação de obstáculos, como escadas, e a escolha de uma localização mais adequada para reunir a comunidade escolar.
A organização dentro da escola também exige regras claras. Segundo o responsável, cada professor deve conduzir a turma até ao ponto de encontro, com o apoio do delegado de turma. Esta articulação permite manter os alunos organizados e facilita a identificação dos participantes após a saída do edifício.

Uma escola preparada tem de saber proteger todos
Entre os aspetos positivos do simulacro esteve a assistência prestada a uma aluna com mobilidade reduzida. O episódio evidenciou uma dimensão essencial da proteção civil: os procedimentos de emergência têm de funcionar para toda a comunidade, tendo em conta as necessidades específicas de cada pessoa.
Evacuar um edifício não significa apenas chegar rapidamente à saída. Significa também garantir que ninguém fica para trás e que a resposta coletiva não perde de vista quem precisa de apoio adicional.
José Luís Bucho recordou que estes "exercícios são obrigatórios" e sublinhou que a "preparação para situações de risco depende do envolvimento de toda a sociedade, desde os cidadãos e as famílias às instituições e aos locais de trabalho". 

Setúbal quer manter o estatuto de cidade resiliente
A importância da prevenção está também ligada ao reconhecimento internacional de Setúbal como cidade resiliente, atribuído pelas Nações Unidas em 2017. A distinção valoriza as boas práticas municipais de prevenção e proteção, bem como a existência de estratégias e recursos para responder a potenciais catástrofes.
A propósito da manutenção deste reconhecimento, o coordenador da Proteção Civil deixou um aviso que vai além do exercício realizado na escola: "É fácil obtê-lo, mas não é fácil mantê-lo".
A mensagem aponta para a necessidade de um trabalho contínuo, que não se esgota na realização de simulacros nem na existência de planos de emergência. A preparação exige avaliação, correção de falhas e participação regular da população.
O exercício decorreu também noutras escolas do concelho de Setúbal, reforçando o trabalho de preparação das comunidades educativas. Na Dom Manuel Martins, os 18 minutos de simulação permitiram testar procedimentos, reconhecer dificuldades e identificar mudanças necessárias. Porque, quando a emergência é real, a segurança constrói-se muito antes de o alarme tocar.

Agência de Notícias 
Fotografia: CM Setúbal 


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