A Junta de Freguesia volta a ter o executivo recomposto, após meses de bloqueio provocados pela renúncia de três eleitos
A Junta de Freguesia da Quinta do Anjo tem caminho aberto para recuperar a normalidade de funcionamento, depois de mais de dois meses de impasse político. A recomposição do executivo eleito pelo Chega foi viabilizada pela abstenção da CDU, numa altura em que Nuno Valente, depois de ter anunciado que passaria a independente, retomou a ligação partidária ao Chega. A CDU garante, contudo, que continuará na oposição e a fiscalizar a gestão da autarquia.
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| Junta de Freguesia já tem quórum para funcionar normalmente |
A decisão foi tomada na quarta-feira, numa reunião extraordinária da Assembleia de Freguesia, em que a proposta de recomposição reuniu quatro votos favoráveis, cinco abstenções e três votos contra. A posição da CDU foi determinante para viabilizar a solução, mas os comunistas fazem questão de afastar qualquer interpretação de entendimento político com a atual presidência.
Em comunicado divulgado na quinta-feira, os eleitos da CDU justificam a decisão com a necessidade de ultrapassar uma situação que, na sua perspetiva, estava a prejudicar o funcionamento da autarquia e a população da freguesia.
"A CDU, no superior interesse da freguesia e das populações, entende não inviabilizar a proposta de recomposição do executivo de Quinta do Anjo, através da abstenção", afirmam. A coligação PCP/PEV sublinha, contudo, que a sua posição "não representa qualquer acordo ou concordância com as opções de gestão do atual presidente e do seu executivo".
Trata-se, isso sim, explica o mesmo comunicado, "de uma última tentativa de dotar a força política que ganhou as eleições na nossa freguesia das condições que escolheu para executar as medidas que importam a todos", justifica a CDU.
Três lugares vagos voltam a ser preenchidos
A recomposição permite integrar Miguel Alves, Carlos Paulo e Dulce Martins de Azeredo, eleitos pela lista do Chega, como vogais do executivo, preenchendo os três lugares que ficaram vagos após a renúncia de outros eleitos da mesma força política.
Com a recomposição, o executivo mantém a distribuição de lugares resultante das eleições: quatro elementos eleitos pela lista do Chega e um pela AD, cujo representante também passou a independente após a tomada de posse. Nuno Valente, que tinha anunciado que passaria a exercer funções como independente, retomou entretanto a ligação partidária ao Chega, conforme confirmou à ADN.
A recomposição permite integrar Miguel Alves, Carlos Paulo e Dulce Martins de Azeredo, eleitos pela lista do Chega, como vogais do executivo, preenchendo os três lugares que ficaram vagos após a renúncia de outros eleitos da mesma força política.
Com a recomposição, o executivo mantém a distribuição de lugares resultante das eleições: quatro elementos eleitos pela lista do Chega e um pela AD, cujo representante também passou a independente após a tomada de posse. Nuno Valente, que tinha anunciado que passaria a exercer funções como independente, retomou entretanto a ligação partidária ao Chega, conforme confirmou à ADN.
Uma composição que pode parecer confusa à primeira vista, mas que resulta do percurso político dos eleitos desde as últimas eleições autárquicas.
A história e a fita do tempo
A crise começou a agravar-se em Julho, quando Paula Robalo, independente eleita pelo Chega, renunciou ao mandato, juntando-se à saída de outros dois elementos da mesma força política. A saída dos três eleitos deixou o executivo sem condições para funcionar normalmente.
A crise começou a agravar-se em Julho, quando Paula Robalo, independente eleita pelo Chega, renunciou ao mandato, juntando-se à saída de outros dois elementos da mesma força política. A saída dos três eleitos deixou o executivo sem condições para funcionar normalmente.
Na altura, Nuno Valente explicou que a junta tinha ficado sem quórum e que passaria a assegurar apenas a gestão corrente, sem possibilidade de avançar com novos investimentos na freguesia.
A situação prolongou-se durante semanas, enquanto as tentativas de recomposição do executivo eram rejeitadas. A CDU aponta precisamente esses sucessivos bloqueios como parte do problema que agora pretende ajudar a ultrapassar.
No seu comunicado, a coligação atribui a crise à instabilidade interna do Chega, referindo os "desentendimentos constantes" entre o presidente e os restantes membros do executivo, bem como as sucessivas renúncias de eleitos daquele partido.
A situação prolongou-se durante semanas, enquanto as tentativas de recomposição do executivo eram rejeitadas. A CDU aponta precisamente esses sucessivos bloqueios como parte do problema que agora pretende ajudar a ultrapassar.
No seu comunicado, a coligação atribui a crise à instabilidade interna do Chega, referindo os "desentendimentos constantes" entre o presidente e os restantes membros do executivo, bem como as sucessivas renúncias de eleitos daquele partido.
Presidente admitiu eleições intercalares
Em Agosto, Nuno Valente anunciou a desvinculação do Chega, partido pelo qual foi eleito presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Anjo nas autárquicas de 2025. Passou, assim, a exercer funções como independente.
Numa publicação nas redes sociais, o autarca justificou a decisão com a necessidade de defender a autonomia da presidência perante os interesses partidários. "Não aceito que a Presidência da Junta seja condicionada por interesses que não correspondam aos interesses da população", escreveu.
Perante o impasse, Nuno Valente admitiu duas possibilidades para resolver a situação: alcançar um entendimento com a oposição que permitisse preencher os lugares vagos ou avançar para eleições intercalares.
A recomposição agora viabilizada afasta, para já, a necessidade de recorrer a essa segunda hipótese como forma de ultrapassar a crise.
Em Agosto, Nuno Valente anunciou a desvinculação do Chega, partido pelo qual foi eleito presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Anjo nas autárquicas de 2025. Passou, assim, a exercer funções como independente.
Numa publicação nas redes sociais, o autarca justificou a decisão com a necessidade de defender a autonomia da presidência perante os interesses partidários. "Não aceito que a Presidência da Junta seja condicionada por interesses que não correspondam aos interesses da população", escreveu.
Perante o impasse, Nuno Valente admitiu duas possibilidades para resolver a situação: alcançar um entendimento com a oposição que permitisse preencher os lugares vagos ou avançar para eleições intercalares.
A recomposição agora viabilizada afasta, para já, a necessidade de recorrer a essa segunda hipótese como forma de ultrapassar a crise.
CDU garante que continuará na oposição
Apesar de ter permitido a recomposição, a CDU assegura que não abdica do seu papel de oposição e promete manter um "rigoroso escrutínio à atividade do executivo".
A decisão ganha particular relevância num cenário eleitoral em que as diferenças entre as principais forças políticas foram reduzidas. Nas autárquicas de 12 de Outubro de 2025, o Chega foi o partido mais votado na Quinta do Anjo, com 26,94% dos votos e quatro eleitos. A CDU ficou muito próxima, com 26,71% e também quatro eleitos, seguida do PS, com 25,50% e três eleitos. A AD, coligação PSD/CDS-PP, obteve 13,90% e dois eleitos.
O desbloqueio permite, assim, recuperar condições para o funcionamento do executivo, mas não apaga as divergências que estiveram na origem da crise. A CDU viabilizou a solução e promete continuar a fiscalizar a gestão da junta. É neste equilíbrio entre a necessidade de fazer funcionar a autarquia e a ausência de um acordo político que se abre uma nova etapa na governação da Quinta do Anjo. Pelo menos para já.
Apesar de ter permitido a recomposição, a CDU assegura que não abdica do seu papel de oposição e promete manter um "rigoroso escrutínio à atividade do executivo".
A decisão ganha particular relevância num cenário eleitoral em que as diferenças entre as principais forças políticas foram reduzidas. Nas autárquicas de 12 de Outubro de 2025, o Chega foi o partido mais votado na Quinta do Anjo, com 26,94% dos votos e quatro eleitos. A CDU ficou muito próxima, com 26,71% e também quatro eleitos, seguida do PS, com 25,50% e três eleitos. A AD, coligação PSD/CDS-PP, obteve 13,90% e dois eleitos.
O desbloqueio permite, assim, recuperar condições para o funcionamento do executivo, mas não apaga as divergências que estiveram na origem da crise. A CDU viabilizou a solução e promete continuar a fiscalizar a gestão da junta. É neste equilíbrio entre a necessidade de fazer funcionar a autarquia e a ausência de um acordo político que se abre uma nova etapa na governação da Quinta do Anjo. Pelo menos para já.

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