Bombeiros Voluntários de Setúbal reforçam meios, mas alertam para falta de bombeiros

Investimento superior a 160 mil euros reforça equipamentos, mas falta de bombeiros preocupa os responsáveis

Há 143 anos que os Bombeiros Voluntários de Setúbal fazem parte da vida da cidade. Entre incêndios, acidentes e tantas outras situações de emergência, gerações de homens e mulheres têm mantido vivo o compromisso de estar ao lado de quem precisa. O aniversário foi assinalado a 19 de Outubro, numa cerimónia que celebrou a história da associação, apresentou novos equipamentos e deixou um alerta para as dificuldades que ameaçam o futuro dos corpos de bombeiros. 
Bombeiros Voluntários de Setúbal assinalaram 143 anos de história

Na sessão solene, realizada no quartel dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, o vereador da Câmara Municipal com o pelouro da Proteção Civil, Paulo Maia, destacou o papel da corporação na segurança da população e a ligação que mantém à cidade há quase século e meio.
"Celebrar 143 anos de história dos Bombeiros Voluntários de Setúbal é celebrar 143 anos de coragem, de solidariedade, de serviço público, de compromisso com a vida humana. Uma história construída por homens e mulheres que perante a adversidade escolheram estar presentes", afirmou.
O autarca sublinhou que os bombeiros ocupam "um lugar muito especial no coração dos setubalenses", acompanhando as transformações da cidade e respondendo às necessidades de cada época.
Mas a experiência acumulada ao longo de 143 anos não dispensa preparação nem meios adequados. Os incêndios, os fenómenos meteorológicos extremos, os acidentes e as restantes emergências colocam exigências crescentes à proteção civil, numa realidade em que a formação contínua e a capacidade operacional são determinantes.
Paulo Maia lembrou ainda o trabalho que nem sempre é visível para a população: as horas de treino, a disponibilidade permanente e os sacrifícios pessoais que fazem parte da missão de socorro. Por isso, defendeu que homenagear os bombeiros deve traduzir-se num reconhecimento efetivo e em condições que lhes permitam cumprir a sua missão.
A Câmara Municipal de Setúbal reafirmou, neste contexto, a importância da cooperação entre instituições para garantir uma cidade mais segura e uma população mais protegida.

Mais de 160 mil euros em viaturas e equipamentos
O aniversário ficou também marcado pelo reforço dos meios dos Bombeiros Voluntários de Setúbal. O presidente da direção da Associação Humanitária, Sérgio Varela, destacou um investimento superior a 160 mil euros na aquisição de viaturas e equipamentos, suportado integralmente pela própria associação.
Entre as aquisições realizadas este ano está um veículo tanque seminovo, com capacidade para 17 mil litros de água, e uma nova ambulância destinada ao transporte de doentes não urgentes. A corporação passou também a dispor de três telas de privacidade, duas mantas corta-fogo destinadas a incêndios em veículos elétricos e duas cadeiras elétricas para transporte de doentes.
A renovação dos equipamentos foi acompanhada por um investimento na formação dos operacionais, através de cursos e ações de capacitação realizados ao longo do ano, com o objetivo de melhorar continuamente a resposta às situações de emergência.
No final da sessão solene, os novos equipamentos foram apresentados e benzidos, assinalando uma das vertentes mais concretas das comemorações: preparar a corporação para continuar a responder às necessidades da população.

Falta de bombeiros preocupa responsáveis
Apesar do reforço dos meios materiais, os recursos humanos continuam a ser uma das principais dificuldades. O comandante dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, Nélio Condeço, alertou para os problemas sentidos pela corporação, à semelhança do que acontece em muitas outras associações do país.
O responsável enalteceu o trabalho desenvolvido pelos operacionais no cumprimento do lema "vida por vida", mas a dificuldade em recrutar novos elementos continua a colocar pressão sobre a capacidade de resposta.
O problema vai além da entrada de novos bombeiros. Eduardo Correia, vice-presidente da Comissão Executiva da Liga dos Bombeiros Portugueses, chamou também a atenção para a falta de pessoas disponíveis para integrar os órgãos sociais das associações humanitárias e para a dificuldade em manter os efetivos dos corpos de bombeiros. "Há que olhar de forma séria para estes problemas e agir rapidamente", defendeu, alertando para o risco de "erosão dos corpos de bombeiros", uma realidade em que Setúbal não é exceção.
A preocupação deixou assim uma nota de reflexão numa cerimónia dedicada a celebrar a longevidade da instituição. A capacidade de continuar a socorrer a população depende não apenas das viaturas e dos equipamentos disponíveis, mas também de conseguir atrair, formar e manter pessoas capazes de assegurar esta missão.
Por seu lado, João Oliveira, comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Península de Setúbal, considerou que os 143 anos dos Bombeiros Voluntários de Setúbal "são sinónimo de vitalidade e de esperança que a todos orgulha", destacando o profissionalismo e a dedicação dos operacionais na proteção de pessoas e bens.

Medalhas de mérito e dedicação
A sessão solene incluiu ainda a entrega de Medalhas de Mérito e Dedicação a três pessoas distinguidas pelos resultados alcançados: o chefe Carlos Belchior, a funcionária Cláudia Sedas dos Santos e José Luís Bucho, presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal. José Luís Bucho agradeceu a homenagem e manifestou a sua disponibilidade para continuar a servir a instituição enquanto sócio.
As comemorações começaram com o hastear da bandeira no destacamento de Azeitão e no quartel-sede, em Setúbal. O programa incluiu ainda uma romagem ao cemitério de Nossa Senhora da Piedade, para deposição de flores no talhão dos bombeiros.
Ao assinalarem 143 anos de história, os Bombeiros Voluntários de Setúbal celebraram o percurso de uma instituição profundamente ligada à cidade, sem deixar de olhar para os desafios que tem pela frente. Porque manter viva uma missão de socorro com quase século e meio de história exige equipamentos, preparação e, acima de tudo, pessoas disponíveis para continuar a responder quando alguém precisa de ajuda.

Agência de Notícias 
Fotografia: CM Setúbal 

Comentários