Entre memórias, influências e emoções, a jovem artista apresenta obras feitas “com todo o coração”
Há momentos em que uma exposição é muito mais do que um conjunto de quadros pendurados numa parede. É o instante em que alguém decide abrir uma porta para dentro de si e deixar que os outros vejam aquilo que, durante tantas horas, nasceu em silêncio. No Auditório Rui Guerreiro, em Pinhal Novo, essa porta chama-se Outrora Agora e pertence a Joana Nunes Simões, jovem artista de 19 anos que acaba de dar um passo particularmente importante no seu percurso: a primeira exposição individual.![]() |
| “Outrora agora” abre uma janela para o universo de Joana |
Nascida no Barreiro, em 2007, mas profundamente ligada ao Pinhal Novo, onde cresceu, vive e frequentou a Escola Secundária, Joana regressa agora ao lugar que faz parte da sua história para mostrar aquilo que tem vindo a construir através da pintura. Desde 2025, frequenta o curso de Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, mas muito antes de chegar às salas da faculdade já existia nela essa necessidade de transformar imagens, pensamentos e emoções em matéria.
Outrora agora nasce precisamente desse cruzamento entre o que foi, o que é e aquilo que ainda está a ganhar forma.
As obras percorrem diferentes linguagens e influências, aproximando o quotidiano do imaginário, o real do digital e as formas analógicas das referências que Joana foi recolhendo ao longo do caminho. Não há, por isso, uma única maneira de olhar para esta exposição. Há diferentes portas de entrada para um universo que ainda está a descobrir-se.
E talvez seja essa uma das coisas mais bonitas desta primeira mostra: Joana ainda está a construir o seu caminho artístico e já tem uma voz que procura afirmar-se.
Pintar começa antes da tela
Quando fala do seu processo criativo, Joana não procura complicá-lo. Há diferentes técnicas, diferentes caminhos e diferentes momentos, mas existe quase sempre um ponto de partida: uma imagem que começa por existir na cabeça antes de ganhar corpo na tela.
"O meu processo depende. Tenho alguns processos com técnicas gráficas, mas normalmente começo pela criação da imagem, pelo pensamento, e depois passo para a tela", explica em entrevista exclusiva à ADN.
É sobretudo na pintura a óleo que encontra uma das suas principais formas de expressão. Mas mais do que a técnica, interessa perceber aquilo que acontece antes de o pincel tocar na tela: a ideia, a imagem, a vontade de transformar aquilo que existe dentro dela numa coisa que possa ser vista por todos.
É também aí que Outrora Agora ganha outra dimensão. Entre as obras expostas encontra-se o Autorretrato, uma das peças que mais imediatamente prende o olhar. Joana surge com um vestido azul, junto à mesa, envolvida por uma composição de luz e sombra que cria uma atmosfera quase cinematográfica. É uma imagem de presença e vulnerabilidade, como se a artista tivesse decidido não esconder-se atrás da pintura, mas colocar-se precisamente no centro dela.
Ao lado deste trabalho surgem obras como Pai, Caixa-paixão, Losing my religion, Arrebol, Nostalgia, Stereo, Fisicopítica e Velhos Tempos, bem como a trilogia Crónicas d'fita I, Crónicas d'fita II e Crónicas d'fita III.
São títulos que, por vezes, dizem tanto como as próprias imagens. E Joana admite que existe aí um jogo que o visitante pode descobrir. "Provavelmente existem algumas ironias entre os títulos e aquilo que a imagem apresenta", revela.
É uma pequena pista deixada pela artista. Porque nem tudo está necessariamente onde parece estar. Há coisas para ver, outras para interpretar e algumas que talvez só apareçam quando se olha uma segunda vez.
Quando fala do seu processo criativo, Joana não procura complicá-lo. Há diferentes técnicas, diferentes caminhos e diferentes momentos, mas existe quase sempre um ponto de partida: uma imagem que começa por existir na cabeça antes de ganhar corpo na tela.
"O meu processo depende. Tenho alguns processos com técnicas gráficas, mas normalmente começo pela criação da imagem, pelo pensamento, e depois passo para a tela", explica em entrevista exclusiva à ADN.
É sobretudo na pintura a óleo que encontra uma das suas principais formas de expressão. Mas mais do que a técnica, interessa perceber aquilo que acontece antes de o pincel tocar na tela: a ideia, a imagem, a vontade de transformar aquilo que existe dentro dela numa coisa que possa ser vista por todos.
É também aí que Outrora Agora ganha outra dimensão. Entre as obras expostas encontra-se o Autorretrato, uma das peças que mais imediatamente prende o olhar. Joana surge com um vestido azul, junto à mesa, envolvida por uma composição de luz e sombra que cria uma atmosfera quase cinematográfica. É uma imagem de presença e vulnerabilidade, como se a artista tivesse decidido não esconder-se atrás da pintura, mas colocar-se precisamente no centro dela.
Ao lado deste trabalho surgem obras como Pai, Caixa-paixão, Losing my religion, Arrebol, Nostalgia, Stereo, Fisicopítica e Velhos Tempos, bem como a trilogia Crónicas d'fita I, Crónicas d'fita II e Crónicas d'fita III.
São títulos que, por vezes, dizem tanto como as próprias imagens. E Joana admite que existe aí um jogo que o visitante pode descobrir. "Provavelmente existem algumas ironias entre os títulos e aquilo que a imagem apresenta", revela.
É uma pequena pista deixada pela artista. Porque nem tudo está necessariamente onde parece estar. Há coisas para ver, outras para interpretar e algumas que talvez só apareçam quando se olha uma segunda vez.
“Que se sintam refletidas ou que as faça refletir”
Talvez seja essa a relação que Joana procura estabelecer com quem entra na exposição. Não pretende dizer ao visitante exactamente aquilo que deve sentir perante uma pintura. Prefere deixar espaço para que cada pessoa encontre alguma coisa sua. "Espero que as pessoas se sintam refletidas ou que a exposição as faça refletir sobre alguma coisa", conta.
É uma resposta simples, mas diz muito sobre o lugar que o quotidiano ocupa no seu trabalho. A pintura pode partir de uma imagem concreta, de uma referência, de uma memória ou de uma influência artística, mas depois ganha uma vida própria.
E quando lhe perguntamos onde encontra maior beleza para pintar, se na rotina ou na imaginação, a resposta surpreende pela honestidade. "Normalmente, a minha inspiração vem de outros artistas", admite.
Não há aqui a necessidade de construir uma personagem de artista que encontra inspiração em tudo à sua volta. Joana assume as suas referências e reconhece aqueles que, antes dela, abriram caminhos.
Talvez também por isso Outrora Agora seja uma exposição tão própria de alguém que está a começar: há memória, há influência, há experimentação e há vontade de descobrir até onde pode levar a pintura.
Talvez seja essa a relação que Joana procura estabelecer com quem entra na exposição. Não pretende dizer ao visitante exactamente aquilo que deve sentir perante uma pintura. Prefere deixar espaço para que cada pessoa encontre alguma coisa sua. "Espero que as pessoas se sintam refletidas ou que a exposição as faça refletir sobre alguma coisa", conta.
É uma resposta simples, mas diz muito sobre o lugar que o quotidiano ocupa no seu trabalho. A pintura pode partir de uma imagem concreta, de uma referência, de uma memória ou de uma influência artística, mas depois ganha uma vida própria.
E quando lhe perguntamos onde encontra maior beleza para pintar, se na rotina ou na imaginação, a resposta surpreende pela honestidade. "Normalmente, a minha inspiração vem de outros artistas", admite.
Não há aqui a necessidade de construir uma personagem de artista que encontra inspiração em tudo à sua volta. Joana assume as suas referências e reconhece aqueles que, antes dela, abriram caminhos.
Talvez também por isso Outrora Agora seja uma exposição tão própria de alguém que está a começar: há memória, há influência, há experimentação e há vontade de descobrir até onde pode levar a pintura.
A primeira vez tinha de ser no lugar onde cresceu
| Uma jovem artista, muitas histórias dentro das telas |
Poderia ter sido noutro lugar, mas foi aqui que decidiu apresentar pela primeira vez, perante o público, um conjunto de trabalhos que traduz muito do caminho que tem vindo a construir. Um caminho que passa agora pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde estuda Pintura, mas que tem raízes profundas no lugar onde começou a descobrir o seu próprio olhar.
E quando fala desse momento, a emoção não precisa de grandes explicações. "Sinto-me muito grata por todas estas oportunidades e, principalmente, por ter feito a primeira exposição onde fui criada e vivi a minha vida toda", confessa.
Depois, encontra apenas duas palavras para resumir aquilo que sente: "Muito especial". Talvez sejam mesmo as palavras certas. Porque esta exposição não representa apenas o primeiro passo de Joana enquanto artista perante o público. Representa também o encontro entre aquilo que foi, aquilo que está a aprender e aquilo que ainda quer descobrir.
No Auditório Rui Guerreiro, as suas pinturas encontram pela primeira vez um espaço público para contar essa história. E, no lugar onde começou a crescer e a formar o seu olhar, Joana abre agora uma janela para o universo que está a construir.
Pinturas feitas com tempo, entrega e coração
No final da conversa, quando lhe pedimos que diga às pessoas porque devem visitar Outrora Agora, Joana não procura uma frase perfeita. "Por favor, não percam. Vão ter muitas pinturas para ver", diz, antes de procurar as palavras para explicar aquilo que talvez seja mais difícil de explicar: o que significa mostrar ao público algo que foi feito durante tantas horas, com tanto envolvimento pessoal.
"Espero que gostem. Foram pinturas que fiz com todo o coração, com muitas horas de trabalho", afirma.
E é talvez aqui que esta primeira exposição encontra a sua frase mais verdadeira. Porque Outrora Agora não é apenas o resultado de uma jovem que frequenta Belas Artes e começa a construir um percurso artístico. É também o resultado de muitas horas diante de uma tela, de tentativas, influências, escolhas, dúvidas e descobertas.
É o que acontece quando uma imagem deixa de estar apenas na cabeça de quem a imaginou e passa a existir diante dos olhos dos outros.
Joana quer que essas pessoas apareçam. "Queria simplesmente que o máximo de pessoas vissem e apreciassem. Espero que todos vocês venham cá", deixa como convite.
Outrora Agora está patente no Auditório Rui Guerreiro, em Pinhal Novo, até 30 de Outubro. Para quem entrar naquela sala, haverá pinturas para ver.
Mas, sobretudo, haverá uma jovem artista a mostrar, pela primeira vez, aquilo que já começou a dizer através da pintura.
No final da conversa, quando lhe pedimos que diga às pessoas porque devem visitar Outrora Agora, Joana não procura uma frase perfeita. "Por favor, não percam. Vão ter muitas pinturas para ver", diz, antes de procurar as palavras para explicar aquilo que talvez seja mais difícil de explicar: o que significa mostrar ao público algo que foi feito durante tantas horas, com tanto envolvimento pessoal.
"Espero que gostem. Foram pinturas que fiz com todo o coração, com muitas horas de trabalho", afirma.
E é talvez aqui que esta primeira exposição encontra a sua frase mais verdadeira. Porque Outrora Agora não é apenas o resultado de uma jovem que frequenta Belas Artes e começa a construir um percurso artístico. É também o resultado de muitas horas diante de uma tela, de tentativas, influências, escolhas, dúvidas e descobertas.
É o que acontece quando uma imagem deixa de estar apenas na cabeça de quem a imaginou e passa a existir diante dos olhos dos outros.
Joana quer que essas pessoas apareçam. "Queria simplesmente que o máximo de pessoas vissem e apreciassem. Espero que todos vocês venham cá", deixa como convite.
Outrora Agora está patente no Auditório Rui Guerreiro, em Pinhal Novo, até 30 de Outubro. Para quem entrar naquela sala, haverá pinturas para ver.
Mas, sobretudo, haverá uma jovem artista a mostrar, pela primeira vez, aquilo que já começou a dizer através da pintura.

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