"Bonito": é assim que Carolina Sousa resume o ano em que representou Palmela

A atual Rainha das Vindimas de Palmela entrega a faixa esta quarta-feira e prepara-se para um novo desafio nacional

Há uma faixa que vai mudar de mãos, mas há uma história que continua. Na quarta-feira, Carolina Sousa despede-se do reinado de Rainha das Vindimas de Palmela e entrega a coroa à nova representante de uma tradição que, para ela, está muito acima de uma cerimónia: "Isto continua". Aos 20 anos, a jovem de Fernando Pó fecha um ano vivido com orgulho, emoção e uma profunda ligação à terra que representou, levando consigo as memórias de um percurso que agora ganha um novo capítulo, desta vez no palco nacional.
Carolina Sousa, um ano a levar Palmela no coração

A atual Rainha das Vindimas de Palmela prepara-se para entregar a faixa à sua sucessora. Um ano depois de subir ao palco com um sonho antigo, Carolina Sousa olha para o caminho percorrido, fala de orgulho, aprendizagem e responsabilidade e prepara-se agora para levar novamente o nome de Palmela à Gala da Embaixadora dos Territórios Vinhateiros de Portugal.
Há momentos que chegam depressa demais. Aquele que Carolina Sousa viveu em Setembro de 2025 parece ainda próximo, mas a passagem do tempo trouxe consigo um ano inteiro de histórias, palcos, encontros, aprendizagens e responsabilidades. Agora, a faixa está prestes a mudar de mãos.
Na quarta-feira, a jovem de Fernando Pó que foi eleita Rainha das Vindimas de Palmela em 2025 entrega a coroa e encerra oficialmente o seu reinado. Não o faz, porém, como quem fecha simplesmente uma agenda de eventos. Fá-lo com a consciência de que, durante um ano, levou consigo o nome de uma terra, as suas tradições, os seus produtos e a identidade de uma comunidade.
Se tivesse de resumir tudo numa só palavra, Carolina não hesita. "Bonito". 
Uma palavra simples para descrever uma experiência que, para ela, acabou por significar muito mais.
"Vou escolher a palavra bonito porque é uma palavra tão simples, mas que ao mesmo tempo significa tanto. Eu acredito que este reinado seja exatamente isso. É algo simples, todos nós sabemos o que significa, mas ao mesmo tempo é tão bonito poder viver tudo isto e ter a oportunidade de estar aqui a fazer algo que gostamos".

Um sonho antigo que ganhou uma faixa
Antes da coroa, houve um sonho. Carolina Sousa conta que a decisão de se candidatar à Rainha das Vindimas nasceu de uma vontade que já trazia consigo há bastante tempo, mas também do desejo de representar aquilo que considera tornar Palmela única.
"Candidatar-me para a Rainha foi, para além de ter sido um sonho já bastante antigo, também a possibilidade de poder representar aquilo que torna o nosso território tão único, tão bonito, as nossas pessoas, os nossos produtos, o nosso vinho, tudo aquilo que nos torna únicos".
Foi esse sentimento de pertença que acompanhou Carolina desde o primeiro momento. E talvez seja também por isso que, quando fala da responsabilidade de ser Rainha, não a separa do prazer de representar a sua terra.
"A responsabilidade em si é gigantesca, é enorme, mas eu não consigo ver-me a fazer outra coisa se não esta, que é representar toda a minha terra e tudo aquilo que ela inclui".
É uma frase que ajuda a perceber o significado que a faixa ganhou ao longo deste ano. Não como um símbolo de estatuto, mas como uma responsabilidade assumida perante uma comunidade.

A jovem que subiu ao palco já não é exatamente a mesma
Um ano de orgulho, tradição e memórias
Entre a Carolina que se apresentou perante Palmela em 2025 e a jovem que agora prepara a entrega da faixa há diferenças. Há mais conhecimento. Mais histórias. Mais confiança.
Mas há também algo que permaneceu intacto. "Estou agora muito mais recheada de conhecimento, mais recheada de histórias que fui ouvindo e que fui aprendendo. Perde-se também aqui um bocadinho aquele medo, aquela sensação de estarmos a ser observados", explica.
Depois resume essa transformação de uma forma particularmente feliz: "Estou muito diferente, mas ao mesmo tempo muito igual. Tudo aquilo que eu amo e tudo aquilo de que me orgulho é o mesmo, manteve-se igual".
A exposição pública foi, naturalmente, um dos desafios. Estar num palco, ser observada, falar em nome de Palmela e assumir uma posição que coloca todos os olhares sobre si exige coragem.
Mas Carolina encontrou uma forma de ultrapassar esse peso: não pensar nele. "Quando estou em cima de um palco, quando estou num evento, quando estou em qualquer outro momento em que esteja como Rainha da Festa das Vindimas, eu não consigo pensar na exposição, não consigo pensar nos olhares que estou a ter".
O orgulho acabou por falar mais alto. "Eu não penso nisto porque tenho orgulho naquilo que estou a fazer. Então, tudo aquilo que está para além disso eu acabo por esquecer".

Três jovens, uma caminhada
Ao longo do reinado, Carolina não esteve sozinha. Laura e Beatriz, as suas Damas de Honor, foram presença constante numa experiência que, segundo a Rainha, ganhou outra dimensão pela relação construída entre as três.
"Termos sido eleitas aproximou-nos muito, porque somos três jovens que partilham os mesmos gostos, independentemente de todos os outros", diz a rainha. 
A presença das Damas teve também um significado prático: tornou mais leve a exposição e permitiu dividir momentos, responsabilidades e emoções.
"Elas são muito importantes porque, para além de serem o meu braço direito e o meu braço esquerdo, temos sempre um apoio. É um apoio que se traduz nos eventos em que vamos e, no geral, é sentir que a nossa exposição se torna mais leve quando temos mais pessoas ao nosso lado".
É também por isso que, quando Carolina olha para trás, não vê apenas um reinado individual. Vê uma caminhada partilhada.
Laura e Beatriz, as damas de honor acompanharam sempre a rainha
Quando a passagem de testemunho ganhou outro significado
Talvez nenhum momento tenha tornado tão evidente a rapidez do tempo como a apresentação das novas candidatas à Festa das Vindimas. Carolina esteve ali, mas já do outro lado.
A Rainha de 2025 preparava-se para conhecer aquelas que vão agora disputar a faixa que ela própria recebeu um ano antes.
"Para além de percebermos o quão rápida é a passagem do tempo e o quão rápido nós conseguimos crescer neste curto período, é bom ver e saber que temos jovens que querem dar continuidade a uma tradição tão bonita".
É nesse instante que a entrega da faixa deixa de ser apenas uma cerimónia. Passa a ser uma passagem de testemunho. "Este evento simboliza a passagem do tempo, simboliza o orgulho. Lá está, é intergeracional. Isto continua".
E é precisamente essa continuidade que Carolina quer deixar como marca. Não apenas ter sido Rainha durante um ano, mas ter contribuído para que outras jovens descubram o mesmo orgulho em representar Palmela.

"Que a Palmela continua viva"
Se pudesse deixar uma única mensagem depois do seu reinado, Carolina sabe exatamente qual seria. "Que a Palmela continua viva, que esta tradição continua viva, e que é muito importante continuarmos a ter jovens, cada vez mais jovens, a perceberem o quão importante é esta tradição e a envolverem-se nela".
A mensagem nasce daquilo que a levou, um ano antes, a candidatar-se: o amor pela terra, pelas pessoas, pelo vinho, pelos produtos e pelas histórias que fazem parte do território. "Foi com isto, com o amor e com a tradição e com o orgulho de ser daqui, que me fez candidatar e espero que toda a gente leve isso".
É uma espécie de legado invisível que Carolina gostaria de deixar. Porque uma Rainha passa. A tradição fica.

O fim de um reinado é também o começo de outro desafio
A faixa muda de mãos. A tradição continua
A entrega da faixa não será, contudo, um adeus à representação de Palmela. No dia 12 de Setembro, na Vidigueira, Carolina Sousa vai voltar a vestir o nome de Palmela para representar o concelho na Gala de Eleição da Embaixadora dos Territórios Vinhateiros de Portugal.
A candidata de Palmela, eleita Rainha das Vindimas em 2025, concorre ao título nacional juntamente com mais 10 jovens representantes de municípios de diferentes territórios vinhateiros portugueses.
O desafio tem um significado especial. Em 2025, Palmela conquistou o título nacional através de Inês Carvalho, que trouxe para o concelho a coroa da então designada Rainha das Vindimas de Portugal, depois de 13 anos sem uma representante de Palmela conquistar o título.
Agora, Carolina parte com a responsabilidade de defender esse legado. "É um bocadinho dos dois. É claro que depois desta conquista maravilhosa que a Inês trouxe para Palmela, após 13 anos sem o nosso concelho estar representado formalmente, tenho aqui a grande tarefa de conseguir fazer tudo aquilo que estiver ao meu alcance para trazer este título para casa novamente. Mas não deixa de ser uma inspiração".
Inês foi, aliás, uma referência desde o início do percurso de Carolina. "Foi uma inspiração ao longo de toda a minha candidatura no ano passado. Foi uma inspiração também ao longo de todo o meu mandato, de todo o meu reinado. Continua a ser".
Agora, Carolina prepara-se para a Vidigueira levando consigo um ano inteiro de preparação. "O meu trabalho começou dia 4 de Setembro de 2025 e estende-se até agora. É um preparo que requer muito tempo, muito foco, mas também muita paixão por aquilo que nós estamos a fazer".
A votação para a distinção "Mais Popular Online" está também aberta ao público, através da plataforma da Associação dos Municípios Portugueses do Vinho. É só abrir o link e votar na "nossa" candidata. 
A Gala não é apenas um concurso de beleza. O objetivo passa pela valorização das tradições, da cultura rural e da identidade dos territórios vinhateiros portugueses, aproximando esse património das novas gerações. As candidatas enfrentam diferentes provas, relacionadas com os produtos regionais, o conhecimento do território, a comunicação e a promoção do enoturismo, além dos desfiles em traje regional e vestido de gala.
Para Carolina, tudo acaba por regressar ao mesmo ponto: conhecer melhor a terra de onde vem para poder levá-la mais longe.
"É muito fácil aprender, é muito fácil absorver quando nós gostamos daquilo que estamos a fazer. Portanto, é trabalhoso, mas traz-nos tanto que, no fim, estou só a fazer mais uma coisa que eu gosto, que é aprender sobre onde eu venho e poder levar o nosso nome mais uma vez tão longe", diz. 
Na quarta-feira, quando entregar a faixa, termina um reinado. Mas não termina a história. Carolina Sousa deixa uma coroa, leva consigo um ano de memórias e prepara-se para outro palco, desta vez nacional.
E talvez seja essa a melhor forma de entender a sua despedida: a faixa muda de mãos, mas aquilo que ela representa continua. Em Palmela, a tradição segue o seu caminho. E Carolina deixa uma mensagem que é, ao mesmo tempo, despedida e compromisso: "Que a Palmela continua viva, que esta tradição continua viva". 

Paulo Jorge Oliveira 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira e CM Palmela 

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