Governo procura resposta para a falta de água enquanto municípios apresentam visões diferentes
A água que poderá reforçar o abastecimento da Península de Setúbal já está a gerar posições diferentes. Almada vê com "satisfação" a possibilidade de estudar uma solução que pode passar por Castelo de Bode, enquanto o Seixal considera que não há necessidade de recorrer à albufeira e defende o aproveitamento dos recursos subterrâneos da região. O Governo quer apresentar uma solução dentro de quatro meses. A discussão coloca agora os municípios perante uma escolha decisiva: aproveitar melhor a água que a Península já tem ou procurar novas fontes de abastecimento fora do território.| Governo estuda soluções para falta de água na margem sul |
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou esta quarta-feira que o Governo pretende encontrar, dentro de quatro meses, uma solução técnica para reforçar o abastecimento de água à margem sul do Tejo. A proposta poderá passar pela utilização de água proveniente de Castelo de Bode, do rio Tejo ou de ambas as origens, complementando os atuais recursos de águas subterrâneas.
Mas a ideia não reúne consenso entre os municípios da Península de Setúbal. No Seixal, o presidente da Câmara, Paulo Silva, considera que não existe necessidade de trazer água de Castelo de Bode e defende que a resposta deve começar pelos recursos que já existem no território.
Em Almada, a posição é diferente. A presidente da Câmara, Inês de Medeiros, recebeu com "satisfação" o compromisso assumido pelo Governo e revela que o município já está a trabalhar com a EPAL na análise de possíveis soluções.
A discussão está, assim, lançada: como garantir água para a Península de Setúbal num território onde o abastecimento enfrenta cada vez mais desafios?
Mas a ideia não reúne consenso entre os municípios da Península de Setúbal. No Seixal, o presidente da Câmara, Paulo Silva, considera que não existe necessidade de trazer água de Castelo de Bode e defende que a resposta deve começar pelos recursos que já existem no território.
Em Almada, a posição é diferente. A presidente da Câmara, Inês de Medeiros, recebeu com "satisfação" o compromisso assumido pelo Governo e revela que o município já está a trabalhar com a EPAL na análise de possíveis soluções.
A discussão está, assim, lançada: como garantir água para a Península de Setúbal num território onde o abastecimento enfrenta cada vez mais desafios?
Seixal quer começar pela água que está debaixo da Península
Para Paulo Silva, presidente da Câmara Municipal do Seixal, antes de procurar água noutras regiões é necessário olhar para aquilo que existe debaixo dos próprios pés.
O autarca rejeita a necessidade de recorrer desde já a Castelo de Bode e aponta para os lençóis freáticos subterrâneos existentes na Península de Setúbal como uma das respostas que devem ser estudadas.
"Não há necessidade de trazer água de Castelo de Bode", defendeu Paulo Silva, sustentando que os municípios devem começar por estudar os recursos subterrâneos da própria Península e criar as infraestruturas necessárias para garantir o abastecimento de água em alta.
A proposta está ligada a um projeto antigo de criação de uma entidade intermunicipal de água da Península de Setúbal, que o autarca entende que deve finalmente avançar.
Para o presidente da Câmara do Seixal, esta solução poderá ter ainda uma vantagem importante: a qualidade da água.
"A água proveniente aqui por subterrâneos é de melhor qualidade do que a água proveniente de Castelo de Bode", afirmou Paulo Silva, acrescentando que esta possibilidade foi também abordada numa reunião realizada na semana passada com o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente.
A ideia passa, por isso, por aproveitar melhor os recursos hídricos existentes no território antes de avançar para uma solução baseada na captação e transporte de água a partir de outras origens.
Para Paulo Silva, presidente da Câmara Municipal do Seixal, antes de procurar água noutras regiões é necessário olhar para aquilo que existe debaixo dos próprios pés.
O autarca rejeita a necessidade de recorrer desde já a Castelo de Bode e aponta para os lençóis freáticos subterrâneos existentes na Península de Setúbal como uma das respostas que devem ser estudadas.
"Não há necessidade de trazer água de Castelo de Bode", defendeu Paulo Silva, sustentando que os municípios devem começar por estudar os recursos subterrâneos da própria Península e criar as infraestruturas necessárias para garantir o abastecimento de água em alta.
A proposta está ligada a um projeto antigo de criação de uma entidade intermunicipal de água da Península de Setúbal, que o autarca entende que deve finalmente avançar.
Para o presidente da Câmara do Seixal, esta solução poderá ter ainda uma vantagem importante: a qualidade da água.
"A água proveniente aqui por subterrâneos é de melhor qualidade do que a água proveniente de Castelo de Bode", afirmou Paulo Silva, acrescentando que esta possibilidade foi também abordada numa reunião realizada na semana passada com o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente.
A ideia passa, por isso, por aproveitar melhor os recursos hídricos existentes no território antes de avançar para uma solução baseada na captação e transporte de água a partir de outras origens.
Almada já está a estudar a solução com a EPAL
Em Almada, a reação ao anúncio do Governo é bastante diferente. Inês de Medeiros considera positivo o compromisso de encontrar uma solução para o problema do abastecimento e revela que o município já iniciou contactos com a EPAL, tendo enviado informação necessária para a realização dos estudos.
"Nós já estamos em conversações com a EPAL", explicou a presidente da Câmara de Almada, acrescentando que o município já enviou os dados necessários para que sejam estudados dois possíveis cenários.
O objetivo será perceber quanta água é necessária, qual a capacidade de fornecimento e de que forma essa solução poderá responder às necessidades de Almada.
"É um trabalho que já está em curso e, naturalmente, ficamos satisfeitos com a notícia que há um compromisso de facto do Governo", afirmou Inês de Medeiros.
A autarca não vê, por outro lado, razões para transformar a discussão numa disputa entre territórios pelos recursos hídricos.
Em Almada, a reação ao anúncio do Governo é bastante diferente. Inês de Medeiros considera positivo o compromisso de encontrar uma solução para o problema do abastecimento e revela que o município já iniciou contactos com a EPAL, tendo enviado informação necessária para a realização dos estudos.
"Nós já estamos em conversações com a EPAL", explicou a presidente da Câmara de Almada, acrescentando que o município já enviou os dados necessários para que sejam estudados dois possíveis cenários.
O objetivo será perceber quanta água é necessária, qual a capacidade de fornecimento e de que forma essa solução poderá responder às necessidades de Almada.
"É um trabalho que já está em curso e, naturalmente, ficamos satisfeitos com a notícia que há um compromisso de facto do Governo", afirmou Inês de Medeiros.
A autarca não vê, por outro lado, razões para transformar a discussão numa disputa entre territórios pelos recursos hídricos.
Castelo de Bode pode entrar na equação
A possibilidade de recorrer a Castelo de Bode surge precisamente no momento em que o Governo procura uma resposta de maior dimensão para a margem sul do Tejo. A solução técnica anunciada por Maria da Graça Carvalho poderá passar por Castelo de Bode ou pelo rio Tejo, numa estratégia complementar às águas subterrâneas atualmente utilizadas.
A questão é particularmente relevante porque uma solução deste tipo implica pensar não apenas na origem da água, mas também nas infraestruturas necessárias para a captar, tratar e transportar até aos municípios que dela necessitam.
É aqui que os estudos anunciados pelo Governo ganham importância. Dentro de quatro meses deverá existir uma proposta mais concreta sobre a melhor forma de reforçar o abastecimento da margem sul. Até lá, permanecem diferentes visões sobre o caminho a seguir.
E há ainda uma certeza que atravessa todas as posições: a Península de Setúbal precisa de garantir água suficiente para o futuro. A resposta poderá estar debaixo do território, poderá chegar através do Tejo ou poderá resultar da combinação de várias soluções. O que ainda não está decidido é qual será o caminho. E é precisamente isso que os próximos quatro meses terão de ajudar a esclarecer.
A possibilidade de recorrer a Castelo de Bode surge precisamente no momento em que o Governo procura uma resposta de maior dimensão para a margem sul do Tejo. A solução técnica anunciada por Maria da Graça Carvalho poderá passar por Castelo de Bode ou pelo rio Tejo, numa estratégia complementar às águas subterrâneas atualmente utilizadas.
A questão é particularmente relevante porque uma solução deste tipo implica pensar não apenas na origem da água, mas também nas infraestruturas necessárias para a captar, tratar e transportar até aos municípios que dela necessitam.
É aqui que os estudos anunciados pelo Governo ganham importância. Dentro de quatro meses deverá existir uma proposta mais concreta sobre a melhor forma de reforçar o abastecimento da margem sul. Até lá, permanecem diferentes visões sobre o caminho a seguir.
E há ainda uma certeza que atravessa todas as posições: a Península de Setúbal precisa de garantir água suficiente para o futuro. A resposta poderá estar debaixo do território, poderá chegar através do Tejo ou poderá resultar da combinação de várias soluções. O que ainda não está decidido é qual será o caminho. E é precisamente isso que os próximos quatro meses terão de ajudar a esclarecer.
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