A Rainha de Palmela que chegou a Embaixadora de Portugal fecha este sábado um ano de descoberta e orgulho
Há sonhos que começam na infância e acabam por ganhar uma dimensão que ninguém consegue imaginar quando são apenas isso: sonhos. Inês Carvalho, 26 anos, natural da freguesia de Palmela, começou por querer ser Rainha das Vindimas. Anos mais tarde, depois de acompanhar as rainhas e de dar o seu contributo à Associação da Festa das Vindimas, acabou por conquistar a coroa. E essa vitória abriu-lhe uma porta ainda maior: representar Palmela como Embaixadora dos Territórios Vinhateiros de Portugal. Este sábado, 12 de Setembro, na Vidigueira, o ciclo fecha-se. Uma nova Embaixadora será escolhida e Inês entregará o título que, durante um ano, a levou a conhecer territórios, tradições, sabores e pessoas de todo o país.![]() |
| Da coroa de Palmela à faixa de Embaixadora nacional |
Mas o mais importante talvez tenha acontecido longe dos palcos. A jovem engenheira electrónica que chegou ao concurso sem conhecer profundamente o mundo rural passou um ano a aprender. E aprendeu tanto que hoje já não olha para um copo de vinho da mesma maneira.
À ADN, numa entrevista em que faz o balanço de um ano particularmente intenso, Inês recorda a conquista, as aprendizagens, os desafios e a forma como passou a olhar para Palmela depois de um ano a representar o território.
Quando o seu nome foi anunciado como Rainha das Vindimas de Palmela - em Agosto de 2024 - Inês nem percebeu imediatamente o que estava a acontecer. "Eu, na verdade, ao início não me apercebi, porque estava bastante barulho, estava uma confusão desenfreada. Tive de olhar para as minhas colegas e elas acabaram por me dizer: não, é verdade, és tu".
A coroa entregue por Maria Zoé Parrinha, que já conhecia de outros momentos da sua ligação à associação, acrescentou simbolismo à conquista. Mais do que ganhar um título, Inês sentia que estava a fechar um ciclo.
"Já tinha feito parte da associação durante muitos anos e já tinha acompanhado as rainhas. Conseguir não só concretizar um sonho de criança, mas também dar o meu contributo tantos anos pela associação e pelas festas e depois conquistar um título, ainda por cima com candidatas tão fortes, foi concretizar um sonho ainda maior. Começou como um sonho de criança, mas depois passou para um sonho de adulta também".
A personalidade que levou para o palco também explica muito da forma como viveu o desafio. A engenheira electrónica confessa que o cérebro técnico nunca deixou de funcionar. "Sou muito perfeccionista e acho que o meu cérebro de engenharia também está sempre pronto para cumprir checklists. Tenho sempre listinhas. O meu calendário assusta qualquer pessoa, porque tenho tudo e mais alguma coisa na minha agenda".
No palco, essa característica acabou por ser uma aliada. "Eu sabia exactamente o que queria fazer, sabia exactamente qual era a mensagem que queria passar e queria ser eu acima de tudo. Não queria passar mensagens de outras pessoas, queria passar a minha mensagem e aquilo que Palmela é para mim".
Três prémios e uma certeza: Palmela estava consigo
Na gala nacional, a 6 de Setembro do ano passado, em Vila Viçosa, Inês arrecadou três prémios. Fotogenia, popularidade online e o título de Embaixadora do país inteiro que admite, não esperava. "Eu não estava à espera nem sequer de um, quanto mais de três".
A experiência enquanto modelo, que começou aos 14 anos e teve uma dimensão profissional até aos 21, ajudou na fotogenia. Mas o prémio online teve para ela outro significado. "Acho que demonstra o quanto Palmela é agarrida e o quanto protege aquilo que é nosso. Só tenho a agradecer".
Foi também nesse momento que percebeu que não queria chegar a uma prova nacional apenas com um discurso preparado por terceiros. Queria que aquilo que apresentasse tivesse a sua identidade.
"Todos os textos, todos os elementos que levei à prova dos sabores, eu sabia que queria passar a minha mensagem. Não queria sair daquele momento sem saber que aquilo que demonstrei fui eu e não outra pessoa qualquer".
Na gala nacional, a 6 de Setembro do ano passado, em Vila Viçosa, Inês arrecadou três prémios. Fotogenia, popularidade online e o título de Embaixadora do país inteiro que admite, não esperava. "Eu não estava à espera nem sequer de um, quanto mais de três".
A experiência enquanto modelo, que começou aos 14 anos e teve uma dimensão profissional até aos 21, ajudou na fotogenia. Mas o prémio online teve para ela outro significado. "Acho que demonstra o quanto Palmela é agarrida e o quanto protege aquilo que é nosso. Só tenho a agradecer".
Foi também nesse momento que percebeu que não queria chegar a uma prova nacional apenas com um discurso preparado por terceiros. Queria que aquilo que apresentasse tivesse a sua identidade.
"Todos os textos, todos os elementos que levei à prova dos sabores, eu sabia que queria passar a minha mensagem. Não queria sair daquele momento sem saber que aquilo que demonstrei fui eu e não outra pessoa qualquer".
Transformar duas semanas num ano
Talvez uma das maiores descobertas de Inês tenha começado precisamente por aquilo que ela própria reconhece como uma lacuna. "Eu não fazia a menor ideia de nenhum conceito rural, nem mesmo aplicado a Palmela".
Durante o concurso das Rainhas das Vindimas existem momentos de preparação, visitas a adegas e contacto com produtos e produtores. Mas eram apenas duas semanas. Para Inês, isso não chegava. "E o que eu fiz foi pegar naquelas duas semanas e multiplicá-las por um ano inteiro".
Começou então uma verdadeira procura pelo conhecimento. Contactou adegas, procurou pessoas que pudessem ensinar-lhe e falou com quem conhecia profundamente os produtos e o território.
"Sabendo que era uma falha minha, que era o conhecimento rural, tentei educar-me com os especialistas que temos cá no concelho", disse.
Mais importante do que decorar informação era compreendê-la. "Eu sabia que queria aprender para poder demonstrar a minha visão e não transportar as palavras daquilo que me diziam e despejá-las num texto".
Foi assim que chegou à prova nacional dos sabores, levando consigo o vinho que tinha escolhido desde o início. "Eu já tinha a noção de qual era o vinho que queria levar, que é o Monocasta Castelão. Castelão é a nossa casta rainha".
A prova acabou por ser, para si, uma das mais difíceis de todo o percurso. Não bastava conhecer o produto. Era preciso perceber sabores, conjugar elementos e construir uma harmonização com significado.
"Foi a prova mais difícil, porque nós, quando nos candidatamos a Rainhas, estamos sempre prontas para demonstrar aquilo que é Palmela, mas nunca pensamos, infelizmente, numa vertente de demonstrar aquilo que temos no mundo rural".
Inês teve de sair da imagem que tinha construído enquanto Rainha e aprofundar aquilo que estava por detrás dos produtos. "Tive de desagregar-me um bocadinho dessa imagem e aprender por mim, para conseguir demonstrar os sabores através do cérebro da Inês e não de um cérebro de um perito".
Talvez uma das maiores descobertas de Inês tenha começado precisamente por aquilo que ela própria reconhece como uma lacuna. "Eu não fazia a menor ideia de nenhum conceito rural, nem mesmo aplicado a Palmela".
Durante o concurso das Rainhas das Vindimas existem momentos de preparação, visitas a adegas e contacto com produtos e produtores. Mas eram apenas duas semanas. Para Inês, isso não chegava. "E o que eu fiz foi pegar naquelas duas semanas e multiplicá-las por um ano inteiro".
Começou então uma verdadeira procura pelo conhecimento. Contactou adegas, procurou pessoas que pudessem ensinar-lhe e falou com quem conhecia profundamente os produtos e o território.
"Sabendo que era uma falha minha, que era o conhecimento rural, tentei educar-me com os especialistas que temos cá no concelho", disse.
Mais importante do que decorar informação era compreendê-la. "Eu sabia que queria aprender para poder demonstrar a minha visão e não transportar as palavras daquilo que me diziam e despejá-las num texto".
Foi assim que chegou à prova nacional dos sabores, levando consigo o vinho que tinha escolhido desde o início. "Eu já tinha a noção de qual era o vinho que queria levar, que é o Monocasta Castelão. Castelão é a nossa casta rainha".
A prova acabou por ser, para si, uma das mais difíceis de todo o percurso. Não bastava conhecer o produto. Era preciso perceber sabores, conjugar elementos e construir uma harmonização com significado.
"Foi a prova mais difícil, porque nós, quando nos candidatamos a Rainhas, estamos sempre prontas para demonstrar aquilo que é Palmela, mas nunca pensamos, infelizmente, numa vertente de demonstrar aquilo que temos no mundo rural".
Inês teve de sair da imagem que tinha construído enquanto Rainha e aprofundar aquilo que estava por detrás dos produtos. "Tive de desagregar-me um bocadinho dessa imagem e aprender por mim, para conseguir demonstrar os sabores através do cérebro da Inês e não de um cérebro de um perito".
Um país inteiro dentro de um território
| Inês participou no último desfile da Festa das Vindimas com o título |
O motivo é simples: quando se juntam jovens de diferentes municípios, cada uma leva consigo um mundo que as outras desconhecem. "Cada uma de nós tem uma história diferente, cada uma de nós tem um município diferente, com tradições diferentes".
E há uma característica portuguesa que a marcou particularmente. "Apesar de sermos um país pequeno de tamanho, sinto que Portugal é único neste sentido: agarramos qualquer momento e fazemos disso uma tradição. E prolongamos essa tradição durante anos e anos".
Ao longo do ano, teve ainda oportunidade de visitar alguns dos municípios representados pelas restantes Embaixadoras. Descobriu que, apesar das diferenças, existe uma emoção comum.
"A paixão que nós temos ao olhar para Palmela é a paixão que outras pessoas têm ao olhar para os municípios delas, que também têm tradições, que também são únicas e que também são muito mágicas".
Palmela vista pelos olhos de quem a vive
Representar um território com tanta história poderia parecer um peso. Inês preferiu transformá-lo numa responsabilidade pessoal. "Nós temos tradições que são muito superiores a mim e a qualquer antecessora e sucessora que eu tenho".
A solução foi não tentar falar por todos. Foi falar a partir da sua própria experiência. "Eu sei que todas as pessoas que moram no nosso concelho acabam por ter uma experiência diferente dele. Podemos ter olhares comuns quanto ao nosso concelho, mas cada olhar é único".
É precisamente essa ideia que agora transmite a Carolina Sousa, a Rainha das Vindimas de Palmela 2025 que tentará revalidar o título nacional.
"A melhor coisa que a Carolina pode levar daqui do concelho de Palmela é a Carolina enquanto moradora toda a vida em Fernando Pó e enquanto moradora no nosso concelho".
Para Inês, não existe uma Palmela única. E essa diversidade é uma força. "Há esta ideia, para mim errada, de que uma Rainha, para ser Rainha da Festa das Vindimas, tem de ser moradora da freguesia de Palmela. E não tem. Palmela é um concelho muito bonito, com muitas ambivalências e com freguesias completamente distintas entre si. É isso que nos torna únicos".
Representar um território com tanta história poderia parecer um peso. Inês preferiu transformá-lo numa responsabilidade pessoal. "Nós temos tradições que são muito superiores a mim e a qualquer antecessora e sucessora que eu tenho".
A solução foi não tentar falar por todos. Foi falar a partir da sua própria experiência. "Eu sei que todas as pessoas que moram no nosso concelho acabam por ter uma experiência diferente dele. Podemos ter olhares comuns quanto ao nosso concelho, mas cada olhar é único".
É precisamente essa ideia que agora transmite a Carolina Sousa, a Rainha das Vindimas de Palmela 2025 que tentará revalidar o título nacional.
"A melhor coisa que a Carolina pode levar daqui do concelho de Palmela é a Carolina enquanto moradora toda a vida em Fernando Pó e enquanto moradora no nosso concelho".
Para Inês, não existe uma Palmela única. E essa diversidade é uma força. "Há esta ideia, para mim errada, de que uma Rainha, para ser Rainha da Festa das Vindimas, tem de ser moradora da freguesia de Palmela. E não tem. Palmela é um concelho muito bonito, com muitas ambivalências e com freguesias completamente distintas entre si. É isso que nos torna únicos".
O reconhecimento da terra que representou
Há momentos em que um título deixa de ser apenas uma faixa e passa a ser também uma responsabilidade reconhecida por quem está do outro lado. Durante o seu mandato, o Município de Palmela aprovou, em reunião pública, uma saudação em nome de Inês Carvalho, um gesto institucional que recebeu com particular emoção.
A razão torna-se ainda mais evidente quando explica o que esteve por detrás daquele reconhecimento: antes mesmo de ser Embaixadora, tinha decidido preparar-se a sério para um mundo que, como admite, conhecia pouco.
"Eu sou muito perfeccionista. E, portanto, tentei beber tudo o que consegui, todas as pessoas possíveis que eu soubesse que conseguiam ensinar-me acerca de um determinado assunto que eu desconhecesse. Neste caso, o mundo rural, eu desconhecia por completo".
A saudação chegou depois de um ano de trabalho e de aprendizagem, mas também depois de 25 anos a chamar a Palmela casa.
"Receber uma saudação após um ano de tanto trabalho, após Palmela ser a minha casa durante estes últimos 25 anos, foi mesmo... Senti-me muito honrada. Muito mesmo. Foi muito bom", sublinha.
Há momentos em que um título deixa de ser apenas uma faixa e passa a ser também uma responsabilidade reconhecida por quem está do outro lado. Durante o seu mandato, o Município de Palmela aprovou, em reunião pública, uma saudação em nome de Inês Carvalho, um gesto institucional que recebeu com particular emoção.
A razão torna-se ainda mais evidente quando explica o que esteve por detrás daquele reconhecimento: antes mesmo de ser Embaixadora, tinha decidido preparar-se a sério para um mundo que, como admite, conhecia pouco.
"Eu sou muito perfeccionista. E, portanto, tentei beber tudo o que consegui, todas as pessoas possíveis que eu soubesse que conseguiam ensinar-me acerca de um determinado assunto que eu desconhecesse. Neste caso, o mundo rural, eu desconhecia por completo".
A saudação chegou depois de um ano de trabalho e de aprendizagem, mas também depois de 25 anos a chamar a Palmela casa.
"Receber uma saudação após um ano de tanto trabalho, após Palmela ser a minha casa durante estes últimos 25 anos, foi mesmo... Senti-me muito honrada. Muito mesmo. Foi muito bom", sublinha.
O tempo: o maior desafio
Nem tudo foi palco, vinho e viagens. O ano também trouxe um problema muito mais terreno: a falta de tempo. "Eu digo que sim a tudo. E depois chega a um ponto em que o espaço para respirar na minha agenda é pouco".
Entre a Sociedade Filarmónica Humanitária, a Associação da Festa das Vindimas, o trabalho, outro curso, a atividade enquanto Embaixadora, os amigos e a família, sobrava pouco espaço para si. "O tempo para mim é escasso. É, sem dúvida, um ponto menos bom que tenho de melhorar".
Mas o verdadeiro prémio deste ano não cabe numa faixa nem numa fotografia: está na forma como Inês passou a olhar para o vinho, para os produtos e para a própria terra.
Nem tudo foi palco, vinho e viagens. O ano também trouxe um problema muito mais terreno: a falta de tempo. "Eu digo que sim a tudo. E depois chega a um ponto em que o espaço para respirar na minha agenda é pouco".
Entre a Sociedade Filarmónica Humanitária, a Associação da Festa das Vindimas, o trabalho, outro curso, a atividade enquanto Embaixadora, os amigos e a família, sobrava pouco espaço para si. "O tempo para mim é escasso. É, sem dúvida, um ponto menos bom que tenho de melhorar".
Mas o verdadeiro prémio deste ano não cabe numa faixa nem numa fotografia: está na forma como Inês passou a olhar para o vinho, para os produtos e para a própria terra.
"Hoje já não bebo um copo de vinho a dizer: este vinho é bom"
O conhecimento que ganhou acabou por mudar até a forma como hoje olha para um copo de vinho.
"Não fazia a menor ideia da quantidade de castas que temos em Portugal. Não fazia a menor ideia dos terroirs que temos em Portugal".
A aprendizagem foi tão profunda que mudou até pequenos gestos do quotidiano. "Hoje em dia já não bebo um copo de vinho a dizer: ok, este vinho é bom. É bom, mas porquê que é bom para mim? Quais são as notas que realmente gosto num vinho?".
O conhecimento que ganhou acabou por mudar até a forma como hoje olha para um copo de vinho.
"Não fazia a menor ideia da quantidade de castas que temos em Portugal. Não fazia a menor ideia dos terroirs que temos em Portugal".
A aprendizagem foi tão profunda que mudou até pequenos gestos do quotidiano. "Hoje em dia já não bebo um copo de vinho a dizer: ok, este vinho é bom. É bom, mas porquê que é bom para mim? Quais são as notas que realmente gosto num vinho?".
Ao longo desse percurso, descobriu também como os diferentes solos e terrenos ajudam a explicar a identidade dos vinhos de Palmela, desde os solos arenosos do Poceirão, sujeitos ao stress hídrico, às vinhas da Arrábida, marcadas por condições muito diferentes. É precisamente essa diversidade de terroirs que, para Inês, torna Palmela "um território vitivinícola tão singular".
A mesma mudança aconteceu com os produtos locais. "Vou sempre olhar para uma vinha e vou sempre olhar para um produto local e tentar perceber o seu fundo, que é algo que eu não fazia antes". E é essa aprendizagem que considera tão gratificante como os próprios títulos.
A mesma mudança aconteceu com os produtos locais. "Vou sempre olhar para uma vinha e vou sempre olhar para um produto local e tentar perceber o seu fundo, que é algo que eu não fazia antes". E é essa aprendizagem que considera tão gratificante como os próprios títulos.
Uma terra "garrida" que sabe sair à rua
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| Um título nacional construído com conhecimento e dedicação |
A pisa da uva, a bênção do primeiro mosto, o cortejo e a capacidade de reinventar tradições fazem parte dessa identidade. "Nós, mesmo com o que é possível fazer, fazemos sempre bem. Eu tenho sentido isso neste último ano em que visitei outras festas de Portugal. Nós, no concelho de Palmela, somos garridos".
E resume essa identidade numa frase que parece saída directamente da memória familiar: "Nós gostamos de sair à rua, mas sair bem. Se é para sair, é para sair bem e é para fazer algo bonito. Que dê para encher a vista, como a minha avó costuma dizer".
Por isso, para Inês, a Festa das Vindimas não pode ser reduzida a vinho e música. "Nós não somos só uma festa em que servimos vinho e colocamos música. Temos tradições que carregamos já há 63 anos e continuamos a carregá-las e continuamos a fazê-las de forma garrida e orgulhosa".
O que fica depois da faixa
Quando este sábado entregar o título de Embaixadora dos Territórios Vinhateiros de Portugal, Inês não levará apenas fotografias, viagens ou prémios. Levará uma nova forma de olhar para a terra onde cresceu. E talvez seja essa a sua maior marca.
Ela própria recusa comparar o seu papel ao trabalho de quem todos os dias constrói o território através da vinha, do vinho, dos doces e dos produtos locais. "Eu sinto que sou muito pequenina para aquilo que é a vitivinicultura e o mundo rural de Palmela".
É uma humildade que não diminui o caminho percorrido. Pelo contrário. Mostra que a faixa serviu para aproximar quem olha de fora de quem trabalha cá dentro. "Somos Rainhas e depois vamos concorrer em Embaixadoras. A única coisa que nos cabe fazer é dar o nosso melhor".
Agora chega a hora de passar o testemunho. À Carolina, deixa um conselho simples, mas talvez o mais importante de todos: "Que ela seja ela própria".
Porque Palmela tem muitas freguesias, muitas histórias, muitos olhares e muitas formas de viver a mesma terra. Inês representou-a pelos seus olhos. Carolina fará o mesmo pelos seus.
E, algures entre a coroa, a faixa, as vinhas, os palcos e um ano inteiro de aprendizagem, fica uma certeza: quando se conhece verdadeiramente um território, deixa-se de o representar apenas por obrigação. Passa-se a levá-lo conosco.
Palmela - e também o país que Inês percorreu - vai sentir saudades quando entregar a faixa. Sai uma Rainha, mas permanece uma Embaixadora que começou por levar Palmela consigo e acabou a representar um país inteiro. Aprendeu para ensinar, recebeu muito e deixou ainda mais. O título termina este sábado, mas a marca que deixou pertence já à memória e ao orgulho de todos nós.
Quando este sábado entregar o título de Embaixadora dos Territórios Vinhateiros de Portugal, Inês não levará apenas fotografias, viagens ou prémios. Levará uma nova forma de olhar para a terra onde cresceu. E talvez seja essa a sua maior marca.
Ela própria recusa comparar o seu papel ao trabalho de quem todos os dias constrói o território através da vinha, do vinho, dos doces e dos produtos locais. "Eu sinto que sou muito pequenina para aquilo que é a vitivinicultura e o mundo rural de Palmela".
É uma humildade que não diminui o caminho percorrido. Pelo contrário. Mostra que a faixa serviu para aproximar quem olha de fora de quem trabalha cá dentro. "Somos Rainhas e depois vamos concorrer em Embaixadoras. A única coisa que nos cabe fazer é dar o nosso melhor".
Agora chega a hora de passar o testemunho. À Carolina, deixa um conselho simples, mas talvez o mais importante de todos: "Que ela seja ela própria".
Porque Palmela tem muitas freguesias, muitas histórias, muitos olhares e muitas formas de viver a mesma terra. Inês representou-a pelos seus olhos. Carolina fará o mesmo pelos seus.
E, algures entre a coroa, a faixa, as vinhas, os palcos e um ano inteiro de aprendizagem, fica uma certeza: quando se conhece verdadeiramente um território, deixa-se de o representar apenas por obrigação. Passa-se a levá-lo conosco.
Palmela - e também o país que Inês percorreu - vai sentir saudades quando entregar a faixa. Sai uma Rainha, mas permanece uma Embaixadora que começou por levar Palmela consigo e acabou a representar um país inteiro. Aprendeu para ensinar, recebeu muito e deixou ainda mais. O título termina este sábado, mas a marca que deixou pertence já à memória e ao orgulho de todos nós.


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