IPMA prevê onda de calor prolongada com temperaturas até 44 graus em Portugal
A onda de calor que está a atingir Portugal vai intensificar-se nos próximos dias e coloca Lisboa e Setúbal sob aviso vermelho já na quinta-feira. Segundo o IPMA, o episódio de calor extremo deverá prolongar-se durante pelo menos uma semana, com temperaturas que poderão alcançar os 44 graus e noites tropicais que dificultarão o arrefecimento das habitações. A secretária de Estado da Saúde admite que as autoridades preveem um aumento da mortalidade associado ao calor extremo.![]() |
| Temperaturas podem atingir os 44 graus em várias regiões |
Portugal continental prepara-se para enfrentar um dos episódios de calor mais prolongados dos últimos anos. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê um período de tempo quente e seco que poderá durar entre oito e dez dias, abrangendo praticamente todo o território.
A partir de quinta-feira, os distritos de Lisboa e Setúbal passam a estar sob aviso vermelho, o nível mais elevado da escala de alertas meteorológicos devido às temperaturas extremas. Na sexta-feira, Coimbra e Leiria juntam-se a este nível de aviso, enquanto todo o país ficará, no mínimo, sob aviso laranja.
De acordo com o IPMA, as temperaturas máximas deverão variar entre os 35 e os 41 graus na maioria das regiões, podendo atingir valores entre os 41 e os 44 graus no Vale do Tejo e no Alentejo. Além do calor diurno, também as temperaturas mínimas serão excecionalmente elevadas, permanecendo acima dos 20 graus em grande parte do continente e podendo oscilar entre os 24 e os 28 graus durante várias noites em algumas zonas, incluindo a Grande Lisboa e Setúbal.
Um episódio raro no litoral
O instituto considera este fenómeno particularmente invulgar nas regiões costeiras. A fraca intensidade da brisa marítima, ou mesmo a sua ausência no interior, permitirá que o calor permaneça durante vários dias consecutivos em áreas onde normalmente as temperaturas são moderadas pela influência do oceano.
Em declarações à RTP, o meteorologista José Eduardo Duarte explicou que o agravamento será progressivo ao longo da semana.
"O problema não será apenas o aumento das temperaturas máximas. As noites tropicais, com mínimas superiores a 20 graus, vão dificultar o arrefecimento das casas e tornar este episódio especialmente exigente, sobretudo nas regiões do litoral oeste, onde habitualmente a brisa marítima ajuda a aliviar o calor".
Segundo o especialista, o vento de leste deverá contribuir para manter temperaturas muito elevadas durante vários dias consecutivos.
Origem do calor extremo
O IPMA explica que esta situação resulta da ação combinada de um anticiclone localizado a noroeste da Península Ibérica, que se prolonga até às ilhas Britânicas, e de uma depressão situada no norte de África. Em conjunto, estes sistemas transportam uma massa de ar muito quente e seco proveniente do norte de África para Portugal continental.
O instituto destaca ainda que a principal característica deste episódio não é apenas a intensidade das temperaturas, mas sobretudo a sua duração excecional, classificando-o como um fenómeno particularmente prolongado.
O IPMA explica que esta situação resulta da ação combinada de um anticiclone localizado a noroeste da Península Ibérica, que se prolonga até às ilhas Britânicas, e de uma depressão situada no norte de África. Em conjunto, estes sistemas transportam uma massa de ar muito quente e seco proveniente do norte de África para Portugal continental.
O instituto destaca ainda que a principal característica deste episódio não é apenas a intensidade das temperaturas, mas sobretudo a sua duração excecional, classificando-o como um fenómeno particularmente prolongado.
Face ao agravamento das temperaturas, o primeiro-ministro garantiu que o Governo está a reforçar as ações de prevenção junto da população. "Está a ser enviada uma mensagem da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para os cidadãos", destacou, assegurando que o Executivo fará tudo para "prevenir e depois, podermos estar à altura da responsabilidade de acudir àqueles que vierem a ter algum problema e que careçam de uma prestação de cuidados dos nossos serviços públicos, em particular dos serviços de saúde".
Também a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, alertou que as autoridades de saúde preveem um aumento da mortalidade nos próximos dias devido à onda de calor, numa altura em que as temperaturas máximas poderão atingir os 44 graus em algumas regiões do país.
A governante reforçou a necessidade de antecipar medidas de proteção, apelando a uma atenção especial às pessoas mais vulneráveis, nomeadamente idosos, crianças, grávidas e doentes crónicos.
As autoridades de saúde recomendam que a população mantenha uma hidratação adequada, ingerindo pelo menos 1,5 litros de água por dia, mesmo sem sentir sede, evite a exposição direta ao sol entre as 11 e as 17 horas e procure permanecer em locais frescos sempre que possível.
É ainda aconselhado manter as persianas fechadas durante o período de maior calor, arejar as habitações nas horas mais frescas do dia, utilizar chapéu e roupa leve, larga e de cores claras, adaptar a prática de atividade física às condições meteorológicas e contactar atempadamente o SNS24 ou os serviços de saúde perante qualquer agravamento do estado de saúde.
Mais dias de calor extremo em 2026
Desde o início de 2026, o IPMA estima que Portugal já tenha registado 59 dias em situação de onda de calor. Em comparação, foram contabilizados 80 dias em 2023 e 74 dias em 2024.
Apesar destes valores, o instituto recorda que o episódio mais marcante ocorreu durante o verão de 2003, devido à sua duração e dimensão territorial. Nessa altura foram estabelecidos vários recordes nacionais de temperatura que ainda permanecem.
O valor mais elevado registado em Portugal continental continua a ser de 47,3 graus, medidos na Amareleja, no concelho de Moura, durante Julho/Agosto de 2003.
Os registos do IPMA indicam ainda a ocorrência de oito ondas de calor em 2024 e sete episódios semelhantes, com diferentes extensões territoriais, nos anos de 2009, 2015, 2017, 2020 e 2023.
Desde o início de 2026, o IPMA estima que Portugal já tenha registado 59 dias em situação de onda de calor. Em comparação, foram contabilizados 80 dias em 2023 e 74 dias em 2024.
Apesar destes valores, o instituto recorda que o episódio mais marcante ocorreu durante o verão de 2003, devido à sua duração e dimensão territorial. Nessa altura foram estabelecidos vários recordes nacionais de temperatura que ainda permanecem.
O valor mais elevado registado em Portugal continental continua a ser de 47,3 graus, medidos na Amareleja, no concelho de Moura, durante Julho/Agosto de 2003.
Os registos do IPMA indicam ainda a ocorrência de oito ondas de calor em 2024 e sete episódios semelhantes, com diferentes extensões territoriais, nos anos de 2009, 2015, 2017, 2020 e 2023.


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