Falhas no abastecimento de água em Almada mantêm-se sem prazo para solução

Charneca, Sobreda, Lazarim e Costa de Caparica disparam consumo de água para recorde de 75 anos

As falhas no abastecimento de água continuam a afetar várias freguesias do concelho de Almada e ainda não existe uma data para a normalização do serviço. Apesar de uma rotura de grandes dimensões já ter sido resolvida, a elevada procura e a limitada capacidade de captação mantêm o sistema sob forte pressão.
O aumento histórico do consumo mantém o sistema sob forte pressão

O concelho de Almada continua a enfrentar dificuldades no abastecimento de água, sobretudo em zonas como a Costa de Caparica, Charneca de Caparica, Feijó e Laranjeiro. A rotura que agravou a situação nos últimos dias foi entretanto reparada, mas os constrangimentos no fornecimento mantêm-se devido às limitações da rede.
Segundo a Câmara Municipal de Almada, os primeiros seis meses de 2026 registaram o maior consumo de água dos últimos 75 anos. Face ao mesmo período de 2025, a procura aumentou 4,3 por cento, um crescimento superior ao dobro da média anual das últimas décadas, que rondava os dois por cento.
A autarquia destaca que a evolução não foi igual em todo o concelho. Enquanto Pragal, Almada, Cacilhas e Cova da Piedade registaram um consumo estabilizado ou ligeiramente inferior, a Charneca de Caparica ultrapassou um crescimento de 15 por cento, a Sobreda e o Lazarim aproximaram-se dessa percentagem e a Costa de Caparica registou uma subida superior a 14 por cento. 
De acordo com o município, estes valores ajudam a explicar a pressão sentida pelo sistema, sobretudo durante os períodos de maior calor, quando o consumo diário ultrapassa a capacidade de captação dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada.

Reforço da captação ainda não resolve o problema
Em declarações à Antena 1, o presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada, Luís Palma, explicou que os trabalhos para aumentar a capacidade de captação estão em curso, mas ainda não produziram os resultados esperados.
"O novo furo ainda não está a captar o suficiente para se aproximar dos níveis de consumo que neste momento são exigidos. Quando começar a funcionar o outro furo, que desejamos que seja até ao final deste mês, já é mais um reforço", afirmou.
O responsável adiantou que está prevista a entrada em funcionamento de mais uma captação até ao final de Julho, seguindo-se outras duas até ao final do ano, numa estratégia destinada a reforçar a capacidade de abastecimento.

Sem previsão para normalizar o abastecimento
Apesar das intervenções em curso, Luís Palma admite que ainda não é possível indicar quando ficará resolvido o problema.
"Não é possível para já termos a resolução que todos desejaríamos. Não há data. Nós agora não estamos em condições de garantir esses prazos. Estamos a gerir isto permanentemente para que possamos ter uma resolução o mais breve possível", afirmou à rádio pública. 
O presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada sublinhou ainda que "estamos a fazer um esforço enorme numa situação muito sensível" e que o plano de investimento "está em execução", embora os seus efeitos apenas venham a sentir-se de forma gradual.

Novos constrangimentos alteraram previsões
Na passada sexta-feira, Luís Palma tinha indicado que a situação estava praticamente regularizada e que a falta de água ocorria apenas de forma muito pontual. Contudo, explicou agora que o cenário evoluiu de forma diferente.
"Era essa a perspetiva que efetivamente tínhamos. Como compreenderão, depois começaram a surgir outros problemas que dificultaram essa nossa intenção e aquilo que era o que nós tínhamos previsto", referiu. 
Segundo o responsável, as dificuldades resultam sobretudo do facto de o consumo estar acima da capacidade atual de captação.
"Está a haver consumo superior à capacidade de captação que temos. E este aumento faz com que não consigamos ter a água na quantidade que desejamos para fazer o abastecimento de forma normal", explicou.

Moradores exigem respostas rápidas
As sucessivas interrupções no abastecimento levaram ao lançamento de uma petição pública que reúne já perto de quatro mil assinaturas.
Os subscritores exigem medidas urgentes para reduzir os impactos da falta de água e defendem uma intervenção rápida que permita resolver o problema com a maior brevidade possível. No texto da petição manifestam-se "profundamente preocupados e indignados" com as frequentes interrupções no abastecimento que têm afetado várias localidades do concelho de Almada.

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 

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