Fecho no Barreiro aumenta pressão em Almada e deixa grávidas e bombeiros preocupados

Novo modelo da Península de Setúbal gera alertas: urgência regional registou constrangimentos em 10 dias num mês

A nova urgência regional de obstetrícia criada para responder à crise nas maternidades da Península de Setúbal está a gerar apreensão entre grávidas e operacionais de emergência. Em menos de um mês, o serviço registou constrangimentos em 10 dias, levantando dúvidas sobre a capacidade de resposta numa região que já enfrenta dificuldades no acesso aos cuidados de saúde materna.
Novo modelo aumenta pressão hospitalar em Almada

A solução apresentada para reorganizar a resposta às urgências de ginecologia e obstetrícia na Margem Sul do Tejo está a ser contestada no terreno. Apesar de ter sido anunciada como uma medida para garantir maior estabilidade às grávidas da Península de Setúbal, os primeiros 28 dias de funcionamento revelaram vários episódios de limitação no atendimento, segundo uma investigação divulgada pela SIC.
A reorganização entrou em vigor a 15 de Abril e concentrou o atendimento em dois polos hospitalares: Hospital Garcia de Orta, em Almada, e Hospital de São Bernardo, em Setúbal. Desde então, os bombeiros passaram a receber indicações operacionais do Centro de Orientação de Doentes Urgentes para encaminhar as utentes para estas unidades, sempre que necessário.
No entanto, a centralização da resposta aumentou a distância para muitas grávidas. Na Moita, por exemplo, o impacto tornou-se evidente: só na última semana, os bombeiros transportaram 14 mulheres em trabalho de parto para Almada. Até ao encerramento da maternidade do Hospital do Barreiro, o trajeto habitual era muito mais curto, já que a unidade ficava a cerca de 10 minutos do quartel.

Pressão crescente sobre Almada
Os constrangimentos mais frequentes têm ocorrido no Hospital Garcia de Orta. A escassez de vagas no bloco de partos levou a limitações no serviço em pelo menos seis dias, entre 27 de Abril e a madrugada de segunda-feira, com períodos que chegaram a ultrapassar quatro horas.
Já o polo de Setúbal mantém, para já, um funcionamento condicionado. A unidade está a receber apenas casos por referenciação, uma situação prevista manter-se pelo menos até ao final deste mês, o que reduz a margem de resposta direta para as grávidas da região.
A informação sobre estes constrangimentos tem sido comunicada aos bombeiros através de alertas enviados pelo CODU, permitindo ajustar o encaminhamento dos casos urgentes consoante a capacidade disponível em cada momento.

Contraste com declarações políticas
Os registos agora conhecidos contrastam com declarações feitas esta semana pelo líder parlamentar do Partido Social Democrata, que afirmou na CNN Portugal que, desde a abertura da urgência regional de ginecologia e obstetrícia em Almada, "não existiu um único problema e tudo funciona bem".
Questionada pela SIC, a administração do Hospital Garcia de Orta e a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde sublinharam que o serviço nunca encerrou totalmente. A entidade responsável pela reorganização garante que a assistência esteve sempre assegurada através da rede materno-infantil.
Quanto ao Hospital de São Bernardo, em Setúbal, não foi prestado qualquer esclarecimento.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 

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